Supergirl reencontra Mon-El em Wake Up, um episódio que promete uma nova dinâmica para sua heroína.

Atualmente, apesar de um clima mais sombrio similar a dos “irmãos”, Supergirl está cada vez mais distante do restante do Arrowverse. Sua proposta para o terceiro ano da série é o de desenvolver, com cada vez mais força, a maneira com que Kara Danvers, a personagem título da série, se relaciona com as pessoas a sua volta quando o mundo não está tão repleto de flores e amores. Com o retorno de Mon-El, o causador da constatação de que a felicidade e a sorte não andam juntas, mesmo quando você pratica o bem, nossa protagonista é, mais uma vez, confrontada pelos desafios da vida adulta humana, uma que ela pensou ter desistido de investir.

Trazer Mon-El de volta é um grande risco que Supergirl assume para sua personagem central. Durante a temporada passada a série perdeu muito tempo desenvolvendo o par romântico e o fundamentando como o homem ideal da vida de Kara/Supergirl. Foram diversos episódios em que ele, um coadjuvante menor, assumiu a postura de protagonista. Foi assim que um capítulo que deveria ter sido dedicado para o reencontro de Jeremiah com as filhas, Kara e Alex, terminou como um episódio do rapaz desconfiado que traz o holofote para si, enquanto ele deveria estar em outras.

Lentamente, porém, a série encontrou um rumo para Mon-El. Seu relacionamento com Supergirl amadureceu e terminou com um movimento telegrafado, mas que ajudou a compreender aquele homem como alguém melhor. O sacrifício de Kara e também a despedida entre eles impulsionou a mudança sentimental criada para o terceiro ano. Com o retorno seria muito fácil desprezar qualquer avanço e retornar a série para onde ela estava, no casal feliz e estruturado, mas Supergirl foi mais inteligente e conseguiu criar uma saída previsível, mas válida para sua heroína.

Ter a volta de Mon-El, após sete anos de vida sem Supergirl, no futuro, é um gancho que casa perfeitamente com o que a produção estava desenvolvendo até aqui. Com essa trama temos Kara mais leve, mas não menos sombria. O amor de sua vida sobreviveu, porém está casado com outra. Aqui é onde o terreno perigoso surge. Ver Mon-El com uma esposa, Imra, a Garota de Saturno, é interessante porque ela não é só a namorada, existente para criar um triângulo amoroso, mas alguém parte de um relacionamento estável e feliz, por sete anos e não sete meses, como foi o de Kara e Mon-El – menos talvez.

Este movimento é arriscado porque coloca, novamente, a heroína dentro de um jogo de relacionamentos que não deverá ajudar Mon-El, personagem duramente criticado pela audiência no passado. É exatamente a mesma coisa que aconteceu entre James, Lucy e Kara. Terminou que o espaço que o público poderia ter usado para se aproximar de James, ficou restrito para mostra-lo como um homem que joga com os sentimentos de duas mulheres ao mesmo tempo e faz delas ferramentas para seu contentamento. Supergirl precisa fazer algo diferente e só de ver Imra como esposa, em não apenas uma parceira, já fico feliz. Não sei exatamente o caminho que ambos irão trilhar, mas torço para que a série fuja dos clichês e assuma aqui, nesta temporada, que a heroína não precisa de um par amoroso para ser feliz, uma noção que ainda parece enraizada o texto da série.

Supergirl 3x07: Wake Up
Supergirl 3×07: Wake Up

Do outro lado, literalmente, temos Sam e sua trajetória de transformação. Quando Supergirl anunciou que faria algo completamente diferente com sua vilã neste ano, pensei que teríamos uma motivação forte para que Sam se transformasse em Reing, ao invés de simplesmente inundar a personagem com uma nova personalidade, que aparentemente foi o que fizeram. Então, por enquanto, não estou muito contente. Uma vilã que não tem nenhum embasamento emocional para fazer o que faz, não precisa de um pano de fundo para trabalhar e termina exatamente como qualquer outro vilão, de qualquer outra série do Arrowverse. Neste quesito estou um pouco decepcionado porque a Sam estará ali, presa, enquanto uma outra personagem assume o controle. Não é o que prometeram.

E Wake Up vai além ao se distanciar também da própria formula da série. Não temos um vilão do episódio e o grande “inimigo” é a maneira que cada pessoa se comporta após muito tempo afastada de quem ama. J’onn e seu pai demonstraram bem como esta dinâmica irá funcionar. É um agrado ver o nosso marciano favorito recebendo maior destaque após um ano inteiro no banco dos reservas. Sim, J’onn conseguiu um espaço até considerável para agir como pai de Alex e Kara, além de um breve romance com M’gann, mas seu desenvolvimento pessoal parecia ter parado. Dentro do que o episódio quis trabalhar como temática central, dividida com Kara e Mon-El, foi bem interessante.

Até mesmo Winn ganhou um pouco de destaque. A amizade entre o hacker/suporte técnico/piadista e Mon-El foi legal de ver, porque eles figuraram mesmo como amigos, e Winn também não conseguiu muito enquanto estava desenvolvendo um romance com a desaparecida Lyra – não sentirei falta. Dentro do capítulo James também surgiu para fazer nada e apenas oferecer um suporte emocional para Kara. Não é uma boa saída, isolar tanto um personagem que já foi muito importante para a série, especialmente após a trajetória do Guardião, mas por ter recebido tramas tão ruins, eu compreendo o desejo de distanciar a imagem criada do telespectador.

Wake Up não é o seu típico episódio de Supergirl. Sem um vilão, ou qualquer inimigo, tudo gira, basicamente, ao redor de respostas emocionais a situações de confronto, que giraram ao redor da distância. Depois de um certo tempo, ninguém é mais o que já foi. Supergirl vem para mostrar como as pessoas que seguiram com suas vidas e aquelas que não conseguiram, quer seja pelo tempo decorrido, ou pela prisão, se portam frente ao novo – assim como seus companheiros. No final, o capítulo não oferece muito imediatamente, mas consegue impor bastante para uma futura digestão. O importante é que na próxima semana já teremos a Crise na Terra-X.

Easter eggs e outras informações em Wake Up:

– Quando Supergirl encontra Mon-El ainda dentro da nave, ele diz o nome ‘Querl’. Querl Dox é o nome do Brainiac 5 e que na série será interpretado pelo ator Jesse Rath.

– Depois de provocar seus telespectadores durante sua visita a Fortaleza da Solidão, na primeira temporada, com uma breve exibição do anel da Legião, Supergirl começou a acrescentar personagens e mitologia deste período.

– A Legião dos Super-Heróis teve seu debut em Adventure Comics #247 (abril, 1958). O time consiste de vários alienígenas e terráqueos, montado como uma espécie de continuação da Liga da Justiça, no século 31. Existem três membros fundadores da equipe, a trindade do futuro, com Rapaz Relâmpago, Moça de Saturno e Rapaz Cósmico.

– Supergirl já foi recrutada como membro da Legião. Ela desenvolveu um romance com Brainiac 5.

– A Legião também já apareceu em outras séries e animações da DC. No episódio “New Kids in Town” da série animada do Superman, Rapaz Cósmico, Moça de Saturno e Garoto Camaleão visitam o passado do Homem de Aço para evitar que Brainiac mate o bebê Clark. Também existiram participações em Liga da Justiça – Sem Limites, e na animação Legião dos Super-Heróis. Em Smallville, no episódio Legião, escrito por Geoff Johns, os membros fundadores apareceram em Pequenópolis para ajudar Clark em sua luta contra Doomsday.

– Além de Supergirl, o anel da Legião já foi visto em The Flash, quando o Corredor Escarlate se aventura pela força da aceleração e vê o anel na mesma cena de Supergirl.

– Nas histórias da Legião o Mon-El realmente se casou com uma personagem membro do time, mas não a Imra, Garota de Saturno, e sim Tasmia, Garota Sombra.

– No século 31 Saturno recebeu uma colônia de terráqueos com poderes de telepatia.

– A nave escondida no celeiro é basicamente uma regra para qualquer pai e mãe adotivos, quando sua cria é de outro planeta.

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– Sam recebe oficialmente o nome Destruidora de Mundos, assim como sua contraparte nos quadrinhos. A diferença é que lá a personagem nunca teve um passado amoroso, como mãe, tão pouco foi enviada para a Terra. Reign chega no planeta pouco tempo após a queda da nave da Kara.

REVISÃO GERAL
Nota:
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