Essa semana Outlander entregou um episódio mediano, dando destaque para seus personagens secundários. Heaven & Earth não teve a qualidade narrativa de The Doldrum, mas cumpriu seu papel, sendo importante para o desenvolvimento da temporada, por tirar o foco de Claire e Jamie na medida em que valorizou a presença dos outros pilares de Outlander, os coadjuvantes (secundários). Na semana passada Yi Tien Cho teve seu momento de glória em seu discurso, mas agora finalmente foi a vez de César Domboy, o novo Fergus, em sua versão adulta, mostrar seu potencial e tentar preencher o vazio que Roman Berrux deixou ao sair da série com a passagem de tempo da temporada.

Heaven & Earth também exibiu a primeira oportunidade de Lauren Lyle (Marsali) mostrar o quanto é injusto odiarem-na por sua ligação com Laoghaire, sendo mais madura que o próprio Jamie nas cenas dessa semana. Além do novo casal, o episódio ainda inseriu a triste história de Elias Pound (Albie Marber no papel), o responsável por entregar uma das cenas mais dolorosas e emocionantes com a Claire até então, para logo então descartá-lo de forma cruel, brincando com nossos pobres corações (sério, eu pensei que estava vendo Game of Thrones). Poxa produtores, separar Claire e Jamie novamente já não foi o suficiente para vocês?! E por falar no casal principal, o episódio apresentou a pior participação de Jamie até então, enquanto exaltou a coragem, a determinação e a força de Claire, tanto como médica, quanto como mulher e esposa.
Começo a análise do episódio, então, enaltecendo mais uma vez o incrível trabalho de Caitriona Balfe com Claire, que essa semana mostrou sua capacidade mesmo longe de Sam e num ambiente totalmente novo e hostil. Apesar do ritmo de Heaven & Earth ser mais arrastado do que seus antecessores e ter deturpado um pouco a relação de Jamie com Fergus, foram as cenas de Claire (junto de Elias) no Porpoise que salvaram o episódio. A conexão entre Claire e Elias foi instantânea e tão bela, mas tão bela, que foi inevitável não enxergá-lo como seu próprio filho, o que a personagem terminou fazendo, visto o impacto que sua morte gerou em si mesma. No entanto, é decepcionante ver que uma relação tocante e harmônica como essa foi tão mal explorada na série.

Os leitores de Diana Gabaldon com certeza sabem mais da história de Elias, mas, a meu ver, dessa vez uma parcela dos telespectadores foi negligenciada. A carga emocional em torno da relação Claire-Elias foi altíssima, mas podia ter sido melhor caso fossem apresentados diálogos mais consistentes entre ambos e troca de informações, experiências e histórias do menino com a médica. A morte de Elias para Claire, por exemplo, a impactou mais por sua idade (além dela não ter percebido que ele também já estava doente) do que pelo vínculo entre eles propriamente dito. Mas não me entendam mal, eu também me apaixonei pelo contato do menino com Claire (assim como chorei copiosamente ao ver a médica costurando seu nariz após sua morte), só acho que a relação entre ambos os personagens merecia mais atenção e zelo (como mais momentos do Fergus), principalmente ao levarmos em conta as cenas tão desnecessárias de Jamie inseridas nesse episódio.
Bem, digo desnecessárias não por não gostar dele (até porque, é impossível não gostar do Sam ou do Jamie, não é?), mas sim pela relevância que elas podem ter para o seu desenvolvimento. Que Jamie ama a Claire todos nós já sabemos, mas deturpar esse sentimento, usando-o para chantagear Fergus de forma tão cruel e mesquinha, simplesmente não se encaixa com o perfil do personagem que conhecemos e amamos. Isso poderia ter sido substituído por mais momentos entre Claire e Elias (como dito anteriormente), cenas que exaltassem o novo Fergus (trazendo-o à luz na série e possibilitando que ele tivesse a mesma chance que Roman teve em mostrar seu valor) ou até mesmo diálogos consistentes e mais longos entre Marsali e Fergus, um casal que sem sombra de dúvidas merece ser mais explorado.

Mas o que mais me entristece nas cenas de Jamie é ver a facilidade com a qual os produtores podem estragar (mesmo que apenas por um instante) sua personalidade em apenas um diálogo. É lindo ver Jamie falando sobre amor, que ele moveria o céu e a terra pela Claire, mas vocês, como eu, não acham meio injusto ele dizer que Fergus não ama Marsali de verdade apenas porque o pobre garoto não quer apoiá-lo numa decisão (idiota, por sinal)? Que amor é esse que se acha no direito de julgar ou se achar superior ao que o outro sente? Uma pessoa muito sábia (extremamente talentosa, onisciente e com uma mente brilhante) que eu conheço e amo com todas as minhas forças (o amor da minha vida que eu sempre falo – sim, admito, sou o típico namorado babão) uma vez disse algo que ecoa na minha mente até hoje, capaz de reiterar o assunto em questão muito bem:
O amor é algo muito abstrato, é algo peculiar que cada um sente, interpreta e transparece da sua maneira (BOLOTA, 2017).
Como bem disse esse ser iluminado acima (foi mal, Sassenachs, meu amor sempre me inspira, então preciso falar dele), o amor de verdade sabe a força que tem, entende que existem tantos amores como ele, com tanta intensidade quanto, por aí. Para o amor não existe cor, credo, sexo ou classe social, quem ama de verdade não compara, julga ou critica o que o próximo sente seja por ele ser diferente da maneira que a sociedade está acostumada ou por acharmos que as duas pessoas não se encaixam, como é o caso de Jamie com Fergus e Marsali. No amor verdadeiro não existem estereótipos, barreiras, temores e preconceito. Quando a gente ama no sentido real da palavra, como eu, como Fergus e até o Jamie, mesmo depois dessa semana, a gente considera justo e belo toda forma de amor, sempre respeitando o que o outro sente.
E, por fim, o que podemos esperar da Claire a partir de agora? O momento em que ela aparece desolada numa ilha deserta ou algo pior? Será que nosso casal favorito ficará separado por mais um episódio ou tão logo eles estarão de volta nos braços um do outro e preparados para ficar frente a frente com os captores do Jovem Ian? E por falar nisso, até onde eles estarão dispostos a chegar pela segurança do sobrinho? Será que Jamie ainda está correndo risco de vida pelo seu ato de traição? Em que momento isso virá à tona na série? Ainda na relação de Claire e Jamie, a inglesa, decidida em avisar seu marido e salvá-lo a qualquer custo, jogou-se no desconhecido, num mar repleto de perigos, sem nenhuma perspectiva positiva e não pensando nas consequências que sua atitude pode desencadear.
Essa é mais uma prova concreta do amor que a mesma nutre pelo Jamie, um sentimento capaz de superar inúmeras barreiras como, por exemplo, o tempo, o medo e até mesmo a possibilidade de morte iminente. Bem shakespeariano, não? Mas entendo a personagem (e até mesmo o momento desesperador de Jamie na cela – por mais injusto que ele tenha sido com Fergus), pois eu, pelo meu amor, faria o mesmo, seria capaz de enfrentar o desconhecido e qualquer obstáculo que estivesse no caminho da nossa felicidade. Esse é apenas mais um momento inspirador do casal, que me faz a cada cena que passa mais apaixonado e disposto a lutar pela pessoa que amo, e tenho certeza que isso vale para todos nós, não é verdade?
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Bem, isso é tudo por essa semana, Sassenachs. Aguardo vocês no próximo fim de semana, entrando na reta final dessa temporada com o décimo primeiro episódio desse ano, ok? Abaixo deixo algumas curiosidades sobre “Heaven & Earth”, espero que gostem!
Curiosidades:
Não sei se vocês têm o costume de ver o “Inside the World of Outlander” (ou “Por dentro do mundo de Outlander”), um pequeno vídeo com curiosidades da série, que geralmente vem nos minutos finais do episódio na TV, então comento por aqui para quem nunca ouviu falar.
Caracterização dos personagens e do cenário
No especial dessa semana, os produtores comentaram bastante sobre a caracterização dos personagens e do cenário da nova fase dessa temporada. Foram apresentados detalhes interessantes sobre a aparência da Claire (como o seu penteado foi escolhido com base na realidade que ela está inserida atualmente, usando o “rabo de cavalo” com o intuito de amenizar a sensação de calor), nas vestimentas despojadas (em harmonia com o clima do momento) e nos elementos que compõem o navio e a febre tifoide. O impacto da doença nos telespectadores, por exemplo, ficou palpável por causa da atmosfera desesperadora, as lamurias dos doentes, a exposição constante dos seus sintomas e consequências na tripulação, etc. Outlander é isso, Sassenachs, riqueza e qualidade nos mínimos detalhes!
Brianna
Parece estranho citar Brianna agora, principalmente por ela estar desaparecida na série, mas o interessante em Outlander é que até nisso os produtores apresentam tudo com muita cautela. Eles sempre inserem elementos com algum objetivo específico em suas cenas, mesmo as que aparentam ser tão insignificantes. E um deles encontra-se com Brianna e a imagem do coelho, um animal que vem sendo citado com certa frequência até então. Claire contou na semana passada o carinho que sua filha tem por esses animais, logo depois de inserir, no primeiro episódio dessa temporada, o coelho nos momentos de desolação do Jamie e, agora, como presente (um pé do animal – símbolo de sorte) que Elias deu à Claire. Curioso, não? Será esse um indício de que a sua viagem para o passado está cada vez mais próxima, ou, apenas uma forma de relembrar os outros personagens da sua existência?















