Nunca foi fácil se despedir de uma série.
[…] Eu me encontrava ansioso, eufórico e fiz todo um preparativo antes – baixando o episódio na melhor resolução possível e aumentando ao máximo o volume da minha tevê. Infelizmente foi uma experiência broxante, horrível e que me deu desgosto. Um final que manchou tudo o que havia sido feito. Mas falamos disso depois.
Os minutos iniciais do penúltimo episódio de Strike Back foram bastante tensos. Não sei o que me deixou mais aflito, ver Mike na mira de uma arma e se preparando para ser morto ou ouvir da boca da até então desconhecida mulher que Scott estava morto. No fundo eu sabia que haveria uma razão para aquela loucura. Mas confesso que o flashforward foi bem trabalhado.
Desde que surgiu pela primeira vez, Charles Whitehall não entrou no meu conceito. O fato de ele ir sempre ao caminho oposto de Locke me incomodava bastante, e quando a ordem de desativar a Seção 20 veio à tona, presumi que algo aconteceria, e esse algo certamente teria um dedo de Charles.
A tomada de decisão de Philip não foi surpresa, mas não gostei de vê-lo executar a operação a partir do lado externo do edifício. Na verdade, foi até justo, visto que Mike e Scott precisavam de um apoio nas câmeras, mas bem que alguns personagens poderiam ser chamados para ajudar naquela operação – maldita saída de Martinez.
Mike e Scott provavelmente teriam vida fácil se não fosse a intervenção daquele segurança maldito que, certamente, era mais um membro desativado da Divisão 39. Pelo menos pudemos rir um pouco vendo Scott sendo um cara culto enquanto se passava por turistas.
A armadilha que Kwon montara para a dupla foi mesmo mortal. Dava para ver o pânico nos olhos de Mike. Mas foi muita sorte Scott conseguir desligar as câmeras de onde estavam, assim como também foi conseguir fugir daquele lugar. Infelizmente a dupla foi passada para trás mais uma vez, e logo quando as coisas estavam se resolvendo. Na verdade Scott conseguiu reverter a situação a tempo, e a agente da Divisão 39 mudou de lado – não gostei da personagem, pois ela apareceu só uma vez e já mudou muita coisa. Foi uma falha de roteiro em minha opinião.
Li-Na não estava disposta a deixar seu amado morrer pelas mãos do inimigo. Preferiu ganhar tempo até que ele perfurasse a própria garganta. Falando em tempo, as opções de Mike realmente haviam acabado com a morte de Kwon, então Scott fez o que tinha de ser feito: ligou para um amigo inseguro que, de uma forma indireta, o ajudou a desarmar uma bomba. Mas há de concordarmos com Stonebridge: aquilo não era um jogo do milhão – Mitchell também foi outro que apareceu só uma vez e mudou todo o percurso da história.
A forma de como Locke tirou seus homens do prédio foi reflexo da traição que seu governo cometeu com os melhores homens de campo que qualquer agência secreta poderia ter. Pela primeira vez eu concordei com Li-Na. Mike, Scott e Locke eram muito mais que soldados.
O jeito rápido de como as coisas aconteceram no final do penúltimo episódio me deixou indignado. Locke não merecia morrer da forma que morreu. E vendo Faber e Mason dando as caras de novo, isso comprovou que eles apareceram nessa temporada só para causar alguns estragos. E vejam só, conseguiram.
A morte de Locke realmente não causou revolta só na gente. Scott também estava indignado, tanto é que Mike teve dificuldades em acalmar o rapaz. Por falar nisso, não vejo pessoa melhor que Stonebridge para substituir Locke num eventual futuro da Seção 20 em algum lugar dos meus sonhos. Michael realmente possui perfil para liderar.
Diferentemente das aparições da agente da Divisão 39 e do amigo de Scott, no penúltimo episódio, o velho austríaco que a dupla encontrou nas lindas montanhas da Suíça acrescentou um fato interessante na Series Finale: o diálogo. Oscar Steiner deu um conteúdo extremamente importante na sua curta participação, e ver Mike compartilhando seus desejos me deixou com uma esperança de que ele ficaria vivo para, um dia, ter aquela vida. Nada mais merecido que um brinde ao coronel Locke para finalizar a cena.
Quando soube que a ajuda para encontrar as armas escondidas da CIA veio de Christy Bryant logo já pensei no que ela aprontaria para cima da dupla. Eu sabia que eles não encontrariam as armas. Mas foi melhor assim. Tudo fica mais interessante quando Mike e Scott improvisam.
A partir do momento em que Scott é baleado, minha ficha começou a cair. Era o último episódio de Strike Back. O último. Isso queria dizer que havia possibilidades de Scott e Mike morrerem, ou pelo menos um dos dois. Confesso que quando Scott viu Julia Richmond, pensei no pior. Felizmente eu estava enganado.
Ver Damien e Michael lutando para sobreviver foi um toque legal no episódio, mas nada se compara ao conjunto de cena que Stonebridge teve com os dois homens. Voltei a cena pelo menos três vezes, em que ele quebra o pescoço de um e rapidamente dispara contra a cabeça do outro.
Achei forçada a forma de como a dupla fora resgatada por Christy. Ainda tento imaginar como eles conseguiram salvar a vida de Damien. Sabemos que poucas pessoas sobreviveriam daquele jeito. E mesmo com essa ajuda de grego, achei merecida a morte da agente. Só não achei merecido a forma de como as coisas aconteceram. Mas talvez Bryant tenha aparecido só para vermos o último ato sexual da série, ato esse que faz parte da personalidade de Scott – e o que podemos dizer sobre as armadilhas do Mike, enquanto o amigo estava se divertindo?
As coisas pareciam mesmo estar perto do fim para Stonebridge e Scott. Eles estavam encurralados e sem munição, e por sorte conseguiram correr para um galpão onde, ironicamente, tinha um carro sem motor. Parecia ser o fim da linha, mesmo com a ‘bandeira’ branca proposta por Faber. O mercenário foi mesmo um tolo quando exigiu uma quantia de dinheiro para libertar a dupla, e foi mais tolo ainda quando deu as costas para os homens em que ele jurava matar.
‘Não somos tão bonzinhos assim’ – Stonebridge, Michael
Os produtores tiveram todas as chances de dar uma morte digna para Damien Scott nessa Series Finale, mas não o fizeram. Diante disso, o blefe de Mike para cima de Charles não funcionou comigo, mas ver Scott se levantando por trás da moto me arrancou uma boa risada, a qual, infelizmente, foi a última assistindo a série.
O Veredicto
No começo da temporada eu defendia o fato de que, se tratando da temporada final da série, uma morte digna para Stonebridge e Scott seria mais bem-vinda. Há séries que nunca deveriam acabar, mas se é para acabar, que acabe de uma vez por todas para que nunca mais seja ressuscitada. Infelizmente isso aconteceu com 24, está acontecendo com The X Files e vai acontecer com Prison Break.
Lembro-me muito bem quando fui assistir a Series Finale de Chuck. Eu me encontrava ansioso, eufórico e fiz todo um preparativo antes – baixando o episódio na melhor resolução possível e aumentando ao máximo o volume da minha tevê. Infelizmente foi uma experiência broxante, horrível e que me deu desgosto. Um final que manchou tudo o que havia sido feito. Após tal experiência, passei a assistir as season finale sempre com um pé atrás, algo que muita gente também faz, presumo.
Strike Back foi uma das poucas produções onde as melhorias surgiram no decorrer de cada episódio. Chega a ser insano o cancelamento da série. E mesmo que essa temporada tenha sido realmente espetacular, ainda prefiro as anteriores levando em conta os diversos cenários que foram abordados. Foi a primeira vez que a série fixou uma temporada em uma única trama.
O que nos resta a partir de agora e seguir adiante e aguardar mais séries do mesmo estilo surgir por aí, mesmo que nenhuma delas consiga substituir Strike Back. Mesmo que nenhuma dupla consiga substituir Stonebridge e Scott.
Consideração final
– Já está com saudades de Strike Back? Comprometo-me a trazer para vocês um balanço de cada temporada da série. Aguardem!






















