A paz merecida.
BoJack está de volta a L.A. Você pode debater se isso é algo bom ou não, mas eu posso garantir que ao menos o episódio ficará muito melhor nessa cidade. Se o mesmo vale para BoJack, aí é outro caso. Aliás, a chegada dele já é hilária. O cavalo descobre que acidentalmente doou dinheiro para construir um orfanato e faz questão de fazer os órfãos chorarem com a sua inspiradora visão sobre a vida. O pouco de capacidade de convívio social que BoJack adquiriu com a família de Charlotte ele já perdeu.
E falando sobre personagens perdendo algo, a sequência paralela entre Mr. Peanutbutter e Diane é maravilhosa. Mais tarde, a Diane e ele acabam se encontrando por acaso num restaurante e Mr. Peanutbutter se mostra disposto a ignorar as suas mentiras. E isso me desapontou. Eu não esperava que eles tivessem uma briga colossal, mas torcia por isto. Eu acredito que seria uma demonstração bastante válida do crescimento de Mr. Peanutbutter se ele terminasse com ela. Eles ficam bem juntos e se amam, tenho certeza, mas o quão altruísta pode ser esse cachorro para perdoar a Diane tão fácil?
Enquanto isso, Princess Caroline se tornou uma amante. Foi um pouco degradante ver ela nesse lugar no princípio, mas depois ela consegue virar as coisas e inclusive sacanear o coelho, roubando a agência que eles estavam quase começando para ela. Foi muito recompensador, mas parte dessa trama só sustenta o meu maior problema com esse episódio: pouca coisa mudou com o timeskip.
Vamos pegar o Todd, por exemplo. Está bem, ele cresceu dentro da comunidade de improvisação e eventualmente acabou lobotomizado e aprisionado dentro dum navio em alto mar, mas pouca coisa mudou até então. Os personagens não estão muito diferentes de como BoJack os deixou. Seria muito mais legal ver o BoJack voltando o mesmo só para encontrar todos os seus amigos completamente alterados e tendo de reconquistá-los. E Todd agora fosse um milionário e fosse o novo líder do culto de improvisação, por exemplo? Deixa você imaginando o que poderia ter sido, não é?
A coisa mais bacana desse timeskip foi descobrir que BoJack foi totalmente substituído por uma animação no seu filme (que aliás, parece terrível). Se nós compararmos o progresso dessa história com o seu começo lá atrás, só dá para perceber o quanto esta temporada foi trágica. E deve ser um pouco traumatizante para o cavalo descobrir que a sua performance mais elogiada e que lhe garantirá alguns prêmios não é sua de todo.
Mas adorei a ideia de um episódio final sobre a amizade de BoJack e Todd. É uma relação bem disfuncional e desequilibrada, mas ainda bonita, e foi bom ver o BoJack finalmente compreendendo que Todd é o único que sempre está lá por ele. Poxa, o BoJack já arruinou sonhos do sujeito e ele continuou lá.
O final é absurdamente bonito. BoJack está tentando correr como no início da temporada, porém uma vez mais não consegue aguentar a dor. Ele cai e alguém se aproxima para acalmá-lo, dizendo que fica mais fácil, mas só se ele continuar tentando todos os dias. Se você não entendeu a poesia por trás desse diálogo, você provavelmente pode parar de assistir essa série por aqui. Se você entendeu, provavelmente só deve ter percebido, como eu, o quanto ama ela.
Considero um privilégio ter coberto essa ótima temporada aqui e vamos todos cruzar os dedos para que BoJack Horseman volte ano que vem.
















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