Assuntos de família.
Uma das qualidades que eu mais admiro em Rebels é a capacidade de nos apresentar uma boa história em pouco mais de vinte minutos. Em “Legacy”, no entanto, tivemos alguns problemas de desenvolvimento de duas histórias no episódio que fizeram com que ele fosse superficial, o que acabou comprometendo o resultado final.
Eu gostei da trama envolvendo o ataque das forças Imperiais a Garel em busca dos Rebeldes. Durante essa parte do episódio tivemos ótimas cenas de ação, com Hera demonstrando não só suas habilidades como piloto, mas também como líder, já que comandou a fuga e ainda retornou para resgatar a nave do comandante Sato. Mesmo que a série tenha um foco maior em Kanan e Ezra, acredito que os roteiristas estão fazendo um ótimo trabalho desenvolvendo os demais personagens, e fazer de Hera a líder do Esquadrão Fênix irá render grandes histórias.
O melhor momento do episódio foi ver como a evolução das habilidades de Ezra como Jedi podem deixá-lo vulnerável ao lado sombrio da Força. Ficou claro o paralelo entre ele e Anakin nesse episódio. Afinal, se no Episódio II tivemos as visões da mãe de Anakin causando ao personagem uma grande angústia, e tal sentimento sendo o combustível para que ele cometesse um massacre ao encontrá-la à beira da morte; em “Legacy” tivemos as visões dos pais de Ezra, e a frustração por estar encurralado com Kanan e Zeb motivando o seu desempenho em combate contra Kallus e dois stormtroopers.
É muito interessante ver que Kanan, talvez pelas limitações que teve no seu treinamento ou mesmo por não ser tão poderoso quanto Ezra, não percebe que os picos de poder que Ezra demonstra são sempre motivados por emoções que estão diretamente relacionadas ao lado sombrio da Força. Confesso que estou ansioso para ver o desenrolar disso e, mesmo que seja loucura da minha parte, acho possível assistirmos, em um futuro não muito distante, a um embate entre Kanan e um Ezra seduzido pelo lado sombrio.
A segunda parte do episódio levou Ezra, em companhia de Kanan e Chopper, à Lothal em busca dos seus pais. Confesso que achei essa trama mal desenvolvida, já que tudo foi resolvido de forma corrida e, dada a importância da situação, acho que merecia mais cuidado por parte dos roteiristas.
Por mais que eu tenha gostado da ideia de ter o loth cat aparecendo nas visões de Ezra como uma maneira de sinalizar que deveriam ir à Lothal, termos uma perseguição ao animal no mundo real me pareceu forçado. Acho que Kanan concordou comigo ao dizer: “e agora estamos perseguindo loth-cats”.
Foi decepcionante vermos o desenrolar de toda a investigação para encontrar os pais de Ezra ser resolvida de maneira tão rápida. Afinal, depois de correr tantos riscos para fugir de Garel, eu tinha a impressão que teríamos um desenvolvimento maior dessa trama, e não uma resolução tão simples com uma conversa com Ryder Azari após seguir um loth cat.
O grande problema, para mim, foi tentar desenvolver duas tramas que mereciam ter seus próprios episódios em um. Assim, não tivemos tempo o suficiente para haver uma tensão maior na fuga dos Rebeldes de Garel, e talvez até um combate entre Ezra movido pela sua raiva contra os Inquisidores, nem um maior aprofundamento na história dos pais de Ezra. Queria saber mais sobre sua fuga da prisão, bem como da importância deles como membros de uma resistência mais pacífica. Ao menos tivemos uma ótima cena final com uma espécie de despedida dos pais de Ezra.
Com a alteração do cronograma da série, o episódio que teria foco em Ryder Azari, o prisioneiro X-10, foi transferido para 2016 e, dessa forma, esse episódio de final anticlimático acabou sendo o mid-season finale de Rebels.
Eu desejo a todos um Feliz Natal, um ótimo Ano Novo e que “O Despertar da Força” seja tudo o que desejamos e muito mais!
Observações finais:
1 – A participação de Sabine no episódio foi pequena, mas fundamental. Por causa dela os Rebeldes ficaram sabendo que o cerco à Lothal deixou de existir e que poderiam ir até lá em busca dos pais de Ezra. Além disso, ela percebeu que a ausência de stormtroopers relatada por Zeb significava uma estratégia de invasão do Império, bem como teve a ideia de usar os torpedos para desarmar o raio de tração que prendia a nave do comandante Sato.
2 – Sempre gosto de ver Rex, por mais que tenha sido apenas por um momento. Espero que ele tenha mais importância em episódios futuros e que possamos ver mais momentos da sua parceria com Kanan.
3 – Ter Clancy Brown como Ryder Azari foi excelente, mas isso me deixa preocupado com a possibilidade dele não ser tão honesto como parece. Afinal, quem já foi o Kurgan nunca terá a minha total confiança.















