Quando o peão vira rei.

Spoilers Abaixo:

Elogiar Sons Of Anarchy tem sido uma tarefa fácil. A verdade é que a série vem de episódios impecáveis desde o ano passado e a maré continua boa e estável. Até aqui não há o que dizer contra a trama elaborada por Kurt Sutter, mas acima de tudo, devemos louvar a execução das sequências mais incríveis.

Pode parecer muito fácil filmar a morte de alguém, mas não é. Ao longo de cinco anos de série podemos dizer que algumas das cenas mais fortes da TV se encontram em SOA e o impressionante é a veracidade contida em cada grito, cada olhar vazio, cada momento de desespero.

É inevitável não começar esse texto dando uma salva de palmas para todos os envolvidos nos minutos que nos levaram até a terrível morte de Opie. Um sacrifício que se torna evidente a cada parte desse incrível episódio, mas que é difícil de assistir. Assim é que sabemos que a coisa foi feita com cuidado e perfeição. Nosso problema em ver tudo sem pausar para respirar se transforma num desafio e dessa vez eu não venci. Parei, pensei, tomei coragem e não me permiti mais piscar os olhos. Uma cena dessas merece 100% de atenção porque faz é marcante e inesquecível.

O interessante do que aconteceu dentro da prisão é que, na Premiere, estávamos falando sobre as reações de Opie e no impacto que o personagem poderia causar dentro do clube com sua fúria contra Clay. A decisão de matá-lo, portanto é surpreendente, mas só até certo ponto. O único showrunner que não tem medo de massacrar o elenco é Kurt Sutter e uma série como Sons Of Anarchy exige esse talento. Saber a hora de usar um personagem e saber a hora de descartá-lo, causando impacto.

A trajetória de Opie sempre foi de sofrimento. Quando ele diz “não é mais divertido”, é porque, talvez, nunca tenha sido. Ele deixa os filhos sob a guarda da ex-namorada atriz pornô e segue sua trajetória até a morte, praticamente sem medo. Parece até que ele sabia que essa era uma viagem sem volta, mas Opie não se vai sem deixar claro que deixar Clay vivo não é o melhor modo de salvar o clube.

Tudo isso vai ter reflexos óbvios no comportamento de Jax e a analogia que se faz com xadrez é perfeita. Reparem como já está difícil de ler suas atitudes. Sabemos que ele está perturbado e que está jogando, definitivamente, mas não dá para prever o final desse jogo. No meio tempo, Jax também usa cada desastre em seu favor, comprando a fidelidade de Tig. Jax versus Pope promete ser uma batalha épica e que vai deixar um rastro de sangue ainda maior.

Como o tema são jogadores, eis que Clay continua a se mover nesse tabuleiro. Ele mexe com Gemma com imensa facilidade e sua brincadeira para gerar ciúme pode ter destruído a “casa de massagem” de Nero. Será que aqui que ele passa de amigo a inimigo do clube? Será que foi Emma, a mimosa prostituta, digo, massagista, interpretada por Ashley Tisdale quem causou todo aquele alvoroço de policiais?

Gemma também continua sua espiral de loucura ao trazer de volta Wendy para o cenário. É mesmo muita vontade de estragar a vida do filho, da nora e dos netos, só porque não pode controlar tudo que eles fazem e obrigá-los a viver sob sua tutela. Recalque talvez seja a palavra perfeita para descrever o sentimento.

P.S*Torcendo pela morte do guarda da prisão de modo muito trágico.

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