Yay!

Spoilers Abaixo:

A onomatopeia acima pode até parecer uma mera representação da “empolgação” de Ivy ao saber que teria de contracenar com a própria mãe em Bombshell, e é realmente uma referência a esse momento. Mas ela representa também meu sentimento ao lidar com um episódio que, apesar de ainda um pouco novelesco, foi bem acima do nível desta segunda temporada em todos os sentidos.

Ivy voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído: o estrelato. Mas não sem pagar um preço por isso. A necessidade de Leigh Conroy por atenção realmente não é fácil, embora eu tenha ficado com a impressão de que Ivy tenha sido um pouco dura demais com ela. Mas qualquer pessoa percebe que a verdade é que mãe e filha são parecidas demais, e isso nunca, mas nunca mesmo, gera uma relação fácil.

Na função de diretor, Tom ainda tem problemas mais do que evidentes (isso, sim, um cenário verossímil, e bem diferente do Tom que facilmente se transformou em alguém ríspido e autoritário no fim do episódio anterior) e simplesmente não consegue arrancar das atrizes uma boa cena. Ambas estão constrangidas demais com aquela situação desagradável para realmente se entregarem. Se fosse Derek no comando, daria uns belos gritos e poria as duas no lugar delas, mandando-as engolir o orgulho e as diferenças e entregarem um trabalho decente.

Mas o pobre Tom não tem nada de Derek, e acaba tendo de apelar para um recurso de moralidade bastante questionável: estimular os atritos entre elas para que isso se reflita no modo como elas retratam os problemas entre Norma Jean e sua mãe. Em um primeiro momento, a ideia sai pela culatra, mas o resultado acaba sendo o mais belo e emocionante dueto já mostrado em Smash, com Leigh e Ivy dividindo a original “Hang the Moon”.

É isso que acontece quando o roteiro é bem construído até chegarmos ao número musical: conexão, emoção. Nada de números soltos apenas para emplacar músicas em uma série. “Hang the Moon” é o exemplo perfeito de como as séries musicais deveriam tratar sua relação entre roteiro e apresentações.

Fiquei muito incomodado com a fofoquinha de Sam para Ivy. Mesmo depois de tudo o que Tom, sem querer, acabou fazendo-o passar, eu não esperava isso dele. Até tentei relevar e pensar que foi tudo um mal entendido pela conversa com Leigh, mas Leigh não estava dentro do processo para saber detalhes sobre a ideia de chamá-la, e Sam tinha uma noção disso. Ora, se nós, que apenas assistimos a uma série sobre a Broadway, conseguimos ter discernimento suficiente para entender que, apesar de tudo, o dono do dinheiro dificilmente será contrariado, imagine alguém que trabalha no meio como Sam? Eileen teve a ideia de chamar Leigh porque Bombshell precisava da imprensa, e esse foi o modo que a produtora encontrou para chamar a atenção dela. Alguém realmente acha que Tom teria autoridade para impedi-la nessas circunstâncias? Enfim, achei uma bela de uma sacanagem minar o relacionamento entre Tom e Ivy por causa de uma briguinha de ex-namorados. Não que isso seja uma reclamação sobre o roteiro, porque sabemos bem que fofoquinhas funcionam bem assim mesmo. Mas fiquei decepcionado com Sam por ter acabado com a amizade entre os dois.

É interessante notar como a esta altura somos capazes de enxergar melhor o planejamento desta temporada de Smash. Toda aquela história de dramaturgo, de reformulação do roteiro, que acabou trazendo a mãe de Norma Jean para Bombshell, no fim culminou nisso: o retorno de Leigh e de sua excelente intérprete, Bernadette Peters, que na vida real é mesmo uma lenda da Broadway, com sete indicações e duas vitórias no Tony, além de uma filmografia extensa que lhe rendeu um Globo de Ouro e quatro trilhas sonoras de musicais premiadas com um Grammy (obrigado pelos números, Google! rs). Não deixa de ser bacana, eu nunca havia imaginado que essa discussão sobre incluir a mãe de Marilyn renderia todo um episódio no futuro.

Já ficou claro o motivo do título do episódio, mas, se fosse apenas um capítulo sobre Leigh Conroy e Gladys em Bombshell, provavelmente ele se chamaria “The Mother”. Precisava haver algo mais, e esse algo mais é a sensacional presença de Colin Sweney, o assassino de esposas Roger Cartwright, pai da protagonista. Seu intérprete, Dylan Baker, aliás, pode ser mais conhecido por participações em filmes como Homem-Aranha e séries como The Good Wife ou Damages, mas também tem história na Broadway.

Todo pai conhece bem os filhos. E, sábio como é Roger Cartwright, ele tinha certeza de que Karen havia abandonado o papel de sua vida por causa de homem. Errou o dito cujo, é verdade, mas, coitado, mal sabe ele que Karen estaria em mãos muito melhores com sua primeira hipótese, Derek. E, não se enganem, foi Roger o responsável por deixar até mesmo o arco de Hit List interessante neste episódio. Foi possível vermos todas as peças se encaixando na mente desse pai, e acompanhar o processo foi muito agradável. Novamente, ponto para o roteiro. Mas zero ponto para o mala do Jimmy, que vai conseguir a proeza de desviar a atenção da série, que deveria ser sobre musicais, para um plotzinho ridículo e clichê sobre drogas e traficantes. Tristeza define.

Por fim, fico pensando se, quando escalaram Krysta Rodriguez, a descrição do papel é “melhor amiga da protagonista e responsável pelas performances bizarras do show”. Não me entendam mal, o número de Ana foi belíssimo, mas tão desnecessário tudo aquilo! Nem parecia que o papel dela era de “diva” e não de protagonista de Hit List. Aliás, o que raios essa tal “diva” vai fazer no espetáculo, agora que eles serão obrigados a dar mais espaço para a personagem? Não sei, mas confesso ter sentido uma pontinha de prazer ao vê-la ofuscando Karen. Não adianta, por mais que Katharine McPhee seja uma vocalista incrível, estou tendo sérias dificuldades para lidar com a personagem.

P.S. – A partir de agora, teremos Smash aos sábados. E, como a NBC está louca para queimar logo os episódios, o próximo já vai ao ar amanhã. Eta reviewer trabalhador!

Músicas do episódio:

Broadway, Here I Come! (original), por Katharine McPhee;

Reach For Me (original), por Krysta Rodriguez;

Hang the Moon (original), por Bernadette Peters e Megan Hilty.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.