Neste mês, completamos três anos do cancelamento de uma das séries que mais arrecadou fãs: SMASH. Oficialmente cancelada por um anúncio em maio de 2014, a série já não via luz no final do túnel desde o início da sua segunda temporada. Sendo assim, em março, foi decretado o fim.

SMASH, assim em caixa alta, foi anunciada em 2011 como uma das maiores promessas para 2012: Theresa Rebeck (Law & Order) como roteirista e criadora, Steven Spielberg como produtor executivo, além de ser a maior aposta da NBC. Contava ainda com os veteranos Debra Messing (Will & Grace, The Mysteries of Laura), Anjelica Huston (Família Addams) e Jack Davenport (Piratas do Caribe), além da novata Katharine McPhee (vice-ganhadora do American Idol). Para um maior cacife no universo Broadway – foco do show, também chamaram dois atores consagrados em tal nicho: Megan Hilty (Wicked) e Christian Borle (Something Rotten!). Por fim, dois dos mais respeitados compositores do mundo teatral: Marc Shaiman e Scott Wittman (Hairspray).
A série era, de fato, um triunfo aos amantes do teatro musical. As músicas eram incríveis e o direcionamento era excitante; a expectativa pelo famoso papel de Marilyn Monroe em “Bombshell” – musical ao qual a série girava ao redor – nos levou até o último episódio – que, inclusive, tem um dos melhores encerramentos que conheço até hoje (me referindo ao final da primeira temporada). O inegável aqui é que SMASH era sobre “Bombshell” e apenas esse o foco – ainda que fôssemos constantemente inseridos nos plots desnecessários e mal desenvolvidos da vida dos personagens de Debra Messing, por exemplo.
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O primeiro episódio foi exibido logo após a estreia do The Voice (que na época colhia os frutos de seu auge) e que por sua vez estreou na noite do Super Bowl (maior audiência norte-americana) daquele ano. Logo, o piloto recebeu quase 12 milhões de espectadores e demo de 2.5, mas o show não conseguiu manter os números. Cada episódio, mesmo exibido logo após o The Voice semanalmente, perdia quase dois milhões de espectadores até chegar a marca de cinco milhões no último episódio. Não são números ruins, mas nem perto da expectativa e investimento da NBC. Ainda assim, SMASH conseguiu aclamação da crítica especializada, além de inúmeras nomeações e prêmios: ganhou Emmy de “Coreografia Destaque”, uma das quatro indicações recebidas naquele ano. Ainda foi nomeada a “Melhor Série de TV” no Globo de Ouro e “Melhor Canção Feita Para Mídia Visual” pela canção Let Me Be Your Star no Grammy. No total, foram 24 indicações – 21 para a primeira temporada e 3 para a segunda – e 7 vitórias.
SMASH era um show caro, cada episódio exigia bastante do elenco, além de custar valores impraticáveis pela audiência. Mas a aclamação era inevitável, a legião de fãs também e a audiência não pareceu o maior dos problemas naquele momento. Com isso, a série recebeu sinal verde para uma segunda temporada. Mas nem tudo eram flores, uma vez que Theresa Rebeck não estava satisfeita com o rumo que a série tomou (ela escreveu os cinco primeiros episódios e o último) e, com isso, largou o show no seu seguimento para uma nova temporada. Além disso, os grandes nomes como Steven Spielberg também pularam fora e o orçamento do seriado foi cortado pela metade.

Era difícil entregar algo no nível da primeira temporada sem tornar-se repetitivo, e a série precisava respirar novos ares. Josh Safran, um dos co-roteiristas de Gossip Girl, substituiu o papel de Theresa Rebeck. A produção pensou então em inserir um novo elenco e um novo foco: tivemos uma temporada focada em “Bombshell”, e agora teríamos mais um show: “Hit List”. Na mais absurda das decisões, Karen Cartwright (personagem de Katharine McPhee) larga seu posto de protagonista como Marilyn Monroe para ir à um musical que, até então, não trazia promessas. Os frutos da aclamação crítica foram colhidos: tivemos participações de grandes nomes como Jennifer Hudson, Sean Hayes e Liza Minelli.
Bem menos aclamada que sua antecessora, a nova temporada começou a se perder na tentativa de expandir seu público: a trama se perdeu, haviam muitas músicas (não tínhamos mais só os covers e as originais de Marc & Scott: agora tínhamos as canções dos novos compositores de Hit List). Há também uma justificativa que talvez explique a confusão no direcionamento: Josh Safran escreveu apenas dois episódios, enquanto os outros 15 foram escritos por pessoas diferentes, cada um deles.
Enquanto a crítica já não aclamava mais SMASH, a audiência também foi deixando de assistir. A estreia registrou quatro milhões de expectadores, mas em seu quinto episódio, já obtinha números abaixo de três milhões. Enquanto o barco afundava, era certo o fim definitivo do show. Um único problema: nem Josh e nem o restante da produção esperavam tamanho desastre. Com o cancelamento iminente e 15 episódios do contrato para fechar toda a trama, até os fãs se moveram: foi feito um abaixo-assinado pedindo a adição de alguns episódios para finalização do show, e assim foi feito: com quase três milhões de assinaturas, SMASH recebeu sinal verde para dois episódios extras (confirmando seu cancelamento, portanto), na condição de sair das segundas-feiras e ter um novo horário às quintas – o tiro final no pé. A série amargou 0.3 na demo e 1,8 milhão de espectadores no episódio 11, mas conseguiu uma leve recuperação e terminou 0.5 na demo e 2,4 milhões de espectadores.

Os dois episódios extras foram extremamente essenciais na construção do legado de SMASH. Tivemos a chance de, após tantos empecilhos, Ivy e Karen como protagonistas na Broadway, com chance até à um “encore”: a época do Tony Awards, inclusive sendo este o último episódio. Justiça foi feita: Kyle Bishop (personagem de Andy Mientus) foi homenageado com “Melhor Roteiro” e Ivy ganhou “Melhor Atriz” por “Bombshell”, enquanto “Hit List” recebeu inúmeros outros prêmios. E assim, no melhor estilo, a série se finaliza com as protagonistas performando “Big Finish”, numa brincadeira “ficção/realidade”, nos contando que ali era o grande final.
O legado continuou, no entanto. “Hit List” foi o primeiro a arrecadar longe da televisão; os três protagonistas do musical no show (Jeremy Jordan, Andy Mientus e Krista Rodriguez) organizaram uma apresentação ao vivo do musical no 54 Below, um dos mais famosos restaurantes na rua da Broadway, onde grandes nomes do teatro frequentemente se apresentam. Vale lembrar também que artistas como Megan Hilty e Katharine McPhee tiveram suas carreiras catapultadas, com Megan lotando shows pequenos e Katharine estrelando a série de sucesso “Scorpion”.
A grande promessa agora é para “Bombshell”. Os viúvos do show até hoje esperam novidades de alguma forma e a base fã é grande. Tão grande que, em 2015, foi organizado um show beneficente de apenas uma noite desta peça – nos moldes do show, mas como uma apresentação. Com participação de grande parte do elenco e, principalmente, Megan Hilty e Katharine McPhee, o evento lotou o Minskoff Theatre – um dos maiores da Broadway, que já abrigou musicais como “West Side Story” e “O Rei Leão”. Com o show, a crítica voltou a aclamar o show. O New Yorker disse que “tecnicamente, nunca houve um musical sobre Marilyn Monroe, mas depois de uma produção como essa, deveria haver”.
E vai ter. O presidente da NBC Entertainment, Robert Greenblatt e o presidente da Universal Pictures, Jimmy Horowitz já confirmaram que as negociações estão em andamento e que, inclusive, já temos os produtores: Crai Zadan e Neil Meron, que tem vasta experiência com nomes como “Hairspray”, “Chicago”, entre outros. O coreógrafo original (que garantiu o Emmy da série), Joshua Bergasse, também está envolvido. E, por último e não menos importante: a volta de Steven Spielberg como produtor. Já na parte dos boatos, o Broadway World (maior site sobre esse universo) disse que o Minskoff Theatre já tem contrato para 2019 com “Bombshell”. Nos resta saber se é verdade, mas nosso coração de fã apenas espera que dê certo.
3 Séries Para se Ver Antes de Morrer, parte 1!PS.: Abro aqui um último parágrafo para uma curiosidade: quando a segunda temporada foi anunciada em meio a confusão de tudo, “Hit List” entrou na jogada. Mas foi só descartar e voltarmos à apenas “Bombshell” que Steven Spielberg retornou – afinal, ele mesmo diz que seu maior objetivo era um projeto sobre Marilyn Monroe, e SMASH virou mais Broadway e menos Marilyn. Já Theresa Rebeck não retorna, uma vez que publicamente ela criticou os produtores da série dizendo que não tinha voz nas decisões quanto ao show, e inclusive era por tal motivo que o show estava indo “de mal a pior” (ela deu a declaração na metade da segunda temporada).
PS2.: Para quem entende de ratings e audiência, SMASH é um exemplo perfeito de grande audiência com baixa demo, o que levou ao cancelamento. Mesmo com a média de 2 milhões de espectadores semanais, a demo variava de 0.3 a 0.6 – e isso talvez garantisse mais uma temporada. No entanto, sabemos que este é um show caro, além das confusões nos bastidores.
Dê a eles aquele grande final!






















