O desafio de ser Marilyn.

Spoilers Abaixo:

Um dos aspectos mais gritantes em Smash é a mistura entre a vida dos personagens com a história da própria Marilyn. Vemos isso não apenas em Ivy Lynn, como também em Karen e Julia. Talvez até na ousadia e pioneirismo de Eileen. Essas mulheres representam pedaços da personalidade do ícone Marilyn e é justamente isso o que enriquece tanto a trama da série.

Tudo isso ficou ainda mais gritante com a pressão do workshop, momento decisivo para que a produção do musical se concretizasse. Muitos momentos tensos deram recheio a mais um bom episódio que mostrou a agilidade no desenvolvimento de Smash. Estamos no meio da temporada e o processo de produção do show, que demoraria longos meses, já está avançado.

Mesmo assim, ainda falta muito material a ser entregue por Julia, cada vez mais dispersa em seus dramas pessoais.  A relação com Michael a afeta em diversas esferas e prejudica muito o lado profissional. Ela não conseguia escrever antes por medo de que algo acontecesse e não consegue escrever agora porque precisa lidar com o filho e evitar o fim de seu casamento.

Michael, por outro lado, parece disposto a jogar tudo para o alto e ficar com ela. Mas esse é um daqueles casos em que quase dá para ter certeza de que no final, ele recuaria em nome do filho pequeno. Não dá para fingir que o que eles estão fazendo é certo. Ambos são casados e têm família. A questão aqui é perceber se vale a pena jogar para o alto um sentimento maior para manter a estabilidade e dois casamentos obviamente baseados em comodismo.

Tudo indica que Julia tomou uma decisão ao demitir Michael do musical, mesmo depois de ele ser impecável no workshop. Somente Derek ficou sem entender o que se passava, porque ele está sempre preocupado demais com o próprio umbigo para se importar com a traição alheia. A coisa que mais irritou nisso tudo foi a fofoca escrota de Ellis, que tomou um belíssimo esbrega de Eilleen. Nunca desejei tanto que alguém tomasse um Manhattan na cara como naquele momento.

Falando nela, que já é nossa musa inspiradora, fico torcendo para que ela perceba que o barman é sua alma gêmea. O que mais Eilleen pode querer, além de um homem que faz martinis de sete dólares e resolve o problema do ar condicionado? A mesma coisa vale para Tom, que não tem por John metade do interesse que tem por Sam, o gay mais hetero que já se viu.

Para Ivy Lynn o desafio continua sendo a confiança, ainda mais abalada com a presença de sua mãe, Leigh Conroy, uma grande estrela de musicais. A relação das duas foi colocada para ser bastante parecida com a que Marilyn tinha com a mãe, o que corrobora a ideia de que as mulheres de Smash, todas, possuem traços da atriz.

Seria bom se Ivy se posicionasse melhor e soubesse que tem um grande talento. Ela prejudica  a si mesma com tantos complexos e perde chances de dominar ainda mais o palco e o público. Já declarei que gosto da personagem e não quero que ela perca seu lugar como protagonista do musical. Ao mesmo tempo, também quero o sucesso de Karen e é por isso que não sei como Smash vai fazer para inverter os papéis.

Os números musicais continuam ótimos. Adorei a versão de Karen para a música de Colbie Caillat, assim como a de interpretação apaixonada de Michael para a canção original “On Lexington & 52nd Street”. Naquele momento ele roubou a cena e conseguiu passar uma incrível dose de desespero pelo fim de seu relacionamento com Julia.

Músicas no episódio:

“History is Made at Night” – Original: Ivy Lynn, Michael Swift and the Cast of Marilyn

“Brighter Than the Sun” – Colbie Caillat: Karen Cartwright

“Everything’s Coming Up Roses” – Gypsy: A Musical Fable: Leigh Conroy

“Let Me Be Your Star (Workshop Reprise)” – Original: Ivy Lynn

“On Lexington & 52nd Street” – Original: Michael Swift

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