Com uma trama repetitiva e morna, Skam France nos apresentou o seu episódio 02, nos mostrando que essa ideia de recriar de forma idêntica ao produto original os três primeiros episódios da nova série para só a partir do quarto episódio criar a sua própria mitologia, definitivamente, não foi uma boa ideia para uma série que precisa criar sua própria narrativa, estabelecer sua identidade, expandir o seu universo, conquistar novos fãs e dialogar carinhosamente com os fãs da série original.
Comecei o episódio já sabendo quase tudo que iria acontecer, porém, aberta para as novas possibilidades. Apenas queria que o episódio 02 de Skam France me surpreendesse de alguma maneira, apesar de saber intimamente que, por força de um contrato restritivo, isso não iria acontecer. E de fato não aconteceu nenhuma surpresa nos vinte e poucos minutos do capítulo dois da série teen francesa, não aconteceu nem a conversa de Emma com a mãe, tal qual Eva apresentou na versão norueguesa. E é uma cena que eu gosto bastante porque mostra quão melancólica e solitária é a jovem estudante. Ao menos a trilha sonora se mostrou eficiente, embalou de forma harmônica os acontecimentos e deu o tom necessário para cada cena apresentada.

Toda a sequência da cabana foi uma mera repetição do que já havíamos visto na versão original, todavia, sem I’m Yours de Jason Mraz na versão do namorado de Emma, sem os lindos planos abertos da floresta no entorno da cabana, sem a fogueira e sem o marshmallow. Mas notamos que, já no episódio 02, a cena nos direciona, através de um jogo de câmeras, para os olhares de admiração que Lucas dispensa para Yann, nos dando migalhas para seguirmos a trilha que nos levará mais adiante para o intrincado desabrochar do rapaz. As brincadeiras desagradáveis de Tom, amigo de Yann, também dão conta da sexualidade ambígua de Lucas e nos mostra que claramente já pairava no ar algum tipo de percepção sobre a possibilidade de o rapaz ser gay.
Eis que finalmente nasce o squad das garotas!

Foi uma experiência bem curiosa rever o nascimento do melhor grupo de amigas que uma série adolescente já nos apresentou, só que com outras atrizes. Lembro com riqueza de detalhes do momento em que a garota muçulmana foi introduzida no grupo por uma garota engraçada no terceiro episódio da Skam Noruega, lembro também que a garota aparentemente fútil a rejeitou logo de cara alegando as restrições religiosas, mas não posso esquecer que a garota feminista foi a primeira a defender a participação da colega religiosa no grupo recém-formado. Estava tudo ali, igualzinho, quase ipse literis, mas faltou a sutileza, não teve o texto ágil e nem o bom humor que foram os fios condutores para o primeiro encontro e para a formação oficial do squad das garotas norueguesas.
Esperei em vão a cena de Alex usando uma colher como objeto de sedução de Lucas. Infelizmente a cena não foi replicada, o que é uma pena, já que é uma das sequências mais engraçadas envolvendo esses dois personagens. Como falei na review anterior, não acho Alex tão engraçada quanto a imbatível Chris, aliás, ainda não consegui achá-la engraçada em nenhuma cena e isso precisa ser corrigido urgentemente, afinal ela inicialmente é o alívio cômico do squad. Mas por outro lado, achei a participação de Imane irrepreensível, tanto no corredor da escola quanto na reunião na casa de Emma, e isso é acalentador, já que sabemos que a garota será um dos personagens mais importantes de Skam France e terá uma temporada inteira pra chamar de sua.
O ponto mais fraco desse segundo episódio de Skam France, sem dúvidas, ficou a cargo das atuações. Se ao assistirmos Skam Noruega nós nos deliciávamos não só com a boa narrativa, mas principalmente com o show de atuação que aquele jovem elenco nos apresentava a cada episódio, ainda não conseguimos evidenciar esse aspecto na versão francesa da série teen. Conseguimos vislumbrar um ou outro lampejo de um trabalho mais consistente vindos de Assa Aïcha Sylla (Imane) e de Léo Daudin (Yann), mas a inconsistência na composição dos personagens de Emma, Alex e especificamente Manon e Lucas, que serão protagonistas nas próximas temporadas, é preocupante. Digo isso porque quando Eva e Jonas estavam juntos havia uma química imensa entre o casal, havia cumplicidade, sentimento e boa atuação. A melancólica Eva era uma outra pessoa quando estava com Jonas, mostrava-se alegre, divertida e conversadeira. A amizade entre Eva e Isak era algo bonito de se ver. Tarjei conseguia em parceria com Lisa Teige segurar uma cena apenas com talento e a entrega de ambos, nos fazendo acreditar que aquela amizade era verdadeira. Não há como não tecer comparações quando temos em cena uma protagonista (Emma) que ainda não conseguiu estabelecer devidamente a sua personagem e que está se escorando na atuação mediana do seu parceiro de cena (Yann).

Espero que no decorrer dos episódios o elenco se equilibre um pouco mais e consiga consolidar uma atuação mais afiada para honrar o legado da sua antecessora. Afinal, não basta tirar o Russ Bus de cena e colocar no lugar ‘A Festa’ para nos fazer crer que algo novo e extraordinário está sendo feito. Dito isso, não vejo a hora de chegarmos no quarto episódio para vermos quais surpresas Skam France nos reserva.















![Skam France 3×10: Episódio 10 [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2019/04/Skam-France-3x10-218x150.jpg)






