Richard encontra o seu dia de Steve Jobs, da pior forma possível.
Steve Jobs começou do zero, desenvolvendo “informática de garagem”, fundou a Apple e a transformou na empresa de tecnologia mais visionária e desejada do mundo, porém, no auge do seu sucesso, foi demitido de sua própria empresa. Ainda que ele fosse o coração da Apple, o seu comportamento errático fez com os sócios votassem pela sua saída e, apesar de estranho, isso é absolutamente legal.
A estrutura da ainda startup Pied Piper propôs uma situação análoga no final desta temporada, depondo Richard do seu cargo de CEO da sua própria empresa, mostrando que o verdadeiro manda-chuva agora é a Raviga, depois dela ter comprado as ações de Russ Hanneman e, consequentemente, suas duas cadeiras de votos. Assim como Steve, Richard continua dono da Pied Piper, porém não trabalha mais na mesma, restando-nos torcer somente para que as coisas dêem errado com o seu afastamento e ele tenha que voltar como o salvador da pátria, como aconteceu com a Apple.

Esta season finale foi a versão intensa do que aconteceu no decorrer da temporada, ou seja, um perde-ganha desenfreado. Durante os primeiros nove episódios, as variações de satisfação (e humor) dos fãs variavam com os sucessos e as intempéries dos flautistas, conforme as situações insistiam em refrear o sucesso dos Flautistas. Relembrando:
1. A morte de Peter Gregory fez com que Laurie Bream segurasse os investimentos, foi então que Richard recebeu a proposta salvadora de Gavin Belson.
2. Porém, seus associados repudiaram a parceria e o CEO encontrou um novo investidor caindo do cé
3. Contudo, este investidor se mostrou um sociopata mal caráter, que mais servia para prejudicar do que impulsionar a startup.
4. Após encontrar a solução definitiva para comprovar a eficiência do algoritmo de compressão, eles são obrigados a lidar com roubo de tecnologia, concorrência desleal e, por fim, tropeçam as próprias pernas (ou nas próprias garrafas de tequila).
5. Enfim, quando parecem ter um trunfo irrefutável – o celular com o Nucleus Bugado – acabam se envolvendo num tribunal e são traídos pela inocência e honestidade de Richard.

Entre tantos poréns, contudos e todavias, houve uma alternância contínua de sucessos e tropeços e Two Days of The Condor mostrou o quanto estes ciclos poderiam ser mais curtos e emergenciais. Sendo assim, antes da derrota final com a deposição do CEO, houve a reviravolta no julgamento, no qual o contrato inicial de Richard com a Hooli foi considerado inválido e ele acabando ganhando a peleja contra Gavin. Porém, ele já havia dado a ordem para destruir os códigos e, claro, todos os problemas do mundo se acumularam (a la Sessão da Tarde) para que ele não conseguisse impedir seus parceiros de executar sua ordem. No final, mesmo chegando atrasado, a vitória final foi o código mal projetado de Dinesh, que falhou e não apagou nada.

Enfim, esta segunda temporada de Silicon Valley serviu para consolidá-la como uma das melhores e mais inteligentes séries de comédia da atualidade e, ainda que tenha perdido o fator do ineditismo do ano anterior e tenha derrapado ao ignorar detalhes técnicos basais, vale muito a pena ser apreciada.
Até ano que vem!













