Em A Kiss From a Rose, vimos que a matilha do Jade Wolf foi devastada após o ataque de Heidi, deixando Jordan e Maia trancafiados, em perigo iminente e necessitando de ajuda. Acompanhamos também Jace e Clary tirando uma folga para relaxar um pouco, sem perceber que Jonathan retornou a Nova York mais obcecado ainda. E sofremos porque Magnus pediu a ajuda de Lorenzo para ter a sua magia de volta, mas além de ser humilhado, o feiticeiro acabou perdendo o seu loft em uma barganha pela transfusão de poder mágico com o inacreditável líder do clã dos feiticeiros do Brooklyn e ainda se colocou em risco de morte ao receber um poder incompatível com o seu status atual.
A obsessão de Jonathan por Clary é realmente perturbadora, usar uma ninfa para simular a presença da moça em sua casa é algo muito estranho mesmo. Tenho até gostado da performance do ator Luke Baines, mas não tem como não tecer comparações entre o desempenho dele e o de seu antecessor, Will Tudor, que além de ter um sotaque lindo era bem mais convincente. Ambos deram vida ao mesmo personagem e imagino que deva ser muito difícil pegar um trem andando e assumir um personagem de alguém que estava muito confortável em cena. Mas não adianta me apegar ao passado ou evocar o Jonathan diabólico dos livros, o que temos em cena é essa versão daí, então só nos resta aproveitar a viagem e fazer vistas grossas. Para a alegria de alguns e chateação de outros, boa parte do episódio foi destinado aos momentos idílicos e domésticos do casal Clace. Era para eu ter gostado muito dos momentos românticos do casal e de Clary fazendo as vezes de Barbie Patinadora com Jace, mas eu só estava esperando a cena passar para ver os outros plots mais interessantes. Achei péssima a cena de Jonathan nocauteando Jace com tamanha facilidade, mas o loiro não era o melhor e mais treinado Shadowhunter? Fico passada com essas conveniências de roteiro. A propósito, definitivamente, prefiro a versão malvada de Jace do que essa boazinha e romântica.

Pela segunda vez Jonathan beijou Clary e mais uma vez me vem a mente que talvez esse show televisivo inclua o plot da tentativa de estupro sofrida pela garota no livro ‘Cidade das Almas Perdidas’, mas não sei se há tempo hábil para introduzir esse tema e trabalhá-lo com o cuidado que ele necessita. A adaptação televisiva da saga ‘Os Instrumentos Mortais’ tem sido bem feliz na inclusão de algumas pautas da agenda diversificada e representativa, mas agora que essa série está cancelada e em seu final de jornada, creio que não resta tempo suficiente para introduzir temas muito amplos ou complexos e que não serão trabalhados devidamente. A própria Cassandra Clare foi bastante citada à ocasião do lançamento do seu livro por ter sido vista como uma autora que lançava “tópicos gatilhos” e por isso se mostrava favorável a determinadas situações. Um pouco mais tarde em entrevista, a autora justificou a existência desse plot com o seguinte esclarecimento: “A violência sexual incestuosa em Cidade das Almas Perdidas é cometida pelo vilão, um jovem assassino que está planejando um genocídio e é obcecado por controle e poder. Enquanto a cena é certamente perturbadora e pode ser um “gatilho” para desencadear certos sentimentos, ela está ali para mostrar que o seu caráter está além da simpatia ou da redenção, e pela maior parte do tempo a reação que eu vi foi “Eu tentei gostar do Sebastian, mas então ele tentou estuprar a Clary e eu o odeio com todas as forças agora”. Dizer que estupro é algo que não deveria ser escrito, que violência sexual não deveria ser escrita, é dizer que as pessoas que são sobreviventes de violência sexual e estupro não deveriam ver representações de pessoas como elas nos livros. Também é dizer que os livros não deveriam representar um mundo onde essas coisas acontecem. Esse é um pensamento extremamente perigoso.” No livro, a sequência em que Jonathan ataca Clary é repugnante e bruta, não é sexy e nem romântica, da mesma forma que o beijo dado por ele de forma incestuosa na irmã não é atraente, não é romântico e nem é consentido. Ele se utilizou de um subterfugio de transfiguração para conseguir arrancar de Clary um beijo e pretendia levá-la de volta para o cárcere sabe-se lá para o quê mais; claro que em algum momento a caçadora percebeu a farsa, mas o que chama a tenção é que quando ela teve a chance de utilizar a Runa Somnus/Somno e induzi-lo ao sono ela não o fez, se mostrou vacilante e reticente. Isso de certa forma animou Jonathan e lhe deu forças para continuar com as suas investidas.

No outro extremo de A Kiss From a Rose temos Magnus tentando recuperar a sua magia através de Lorenzo Rey, o novo Alto Feiticeiro do Brooklyn. Que Lorenzo Rey é desprezível eu não tenho dúvidas, ele já deu inúmeras provas desse seu caráter duvidoso ao longo dos episódios, mas não imaginava que ele seria tão baixo a ponto de tripudiar da situação de Magnus, o humilhando ao propor uma barganha ridícula em troca de uma transfusão de magia. Ele realmente não merece o título de Alto Feiticeiro do Brooklyn, ele sempre se apresenta como alguém soberbo e egoísta e não perde a chance de medir forças com Magnus, acreditando que pode conquistar o seu povo através da arrogância e da prepotência. Ele é invejoso e não esconde esse seu lado feio, parece querer tudo que Magnus tem, desde o apartamento, passando pela simpatia e afeição dos demais feiticeiros e até o namorado do seu desafeto (vai sonhando, Lorenzo!). E aquele duplo twist carpado com mortal na segunda pirueta a la Diego Hypólito que o Lorenzo deu na tentativa de impressionar Magnus? Que ridículo! Depois de todo esse exibicionismo, Lorenzo finalmente fez a transfusão de energia, adorei a primeira ação de Magnus após receber o influxo energético, trocou a sua roupa simples por uma mais extravagante e chamativa. Eu adoro um ícone fashionista! Mas reparei que a energia emanada por Magnus não era a costumeira azul e sim uma energia amarelada/dourada. Isso me preocupa porque de fato ele não recuperou a sua energia e sim um outro tipo de poder, o que pode representar um risco muito grande para ele.
O Shadowhunter Underhill reapareceu, com um novo corte de cabelo e pronto para testemunhar um showzinho de mágica de Magnus. Claro que Alec ficou bem preocupado com a repentina recuperação dos poderes do namorado, mas priorizou a investigação sobre o paradeiro da Espada Estrela da Manhã, que aparentemente estaria em um túmulo na Bélgica. Adorei ver Magnus abrindo um portal, já estava com saudades dele fazendo essas coisas. Claro que a espada encontrada no túmulo na Bélgica era falsa, mas serviu para confirmar que a original não está nas mãos de Jonathan, ainda! Mais tarde, Alec descobriu que Magnus perdeu a posse do seu loft e isso o irritou profundamente. Mas a explicação dada por Magnus foi bem convincente e confirmou o que eu havia falado na review anterior, Magnus perdeu a sua essência ao perder a sua magia, é como se ele tivesse perdido a sua conexão com todas as outras coisas e pessoas. Muito mais que fazer mágica, abrir portais, morar em um apartamento sofisticado ou viajar pelo mundo em segundos, a magia de Magnus é o que o faz ser ele mesmo, se sentir vivo, como ele mesmo disse: “A magia me conecta a tudo ao meu redor. Sem mágica, eu me sinto como um estranho, o mundo continua girando e é como se eu não fizesse parte disso. É como se de repente eu não fosse importante.”

Passado todo o frenesi da recuperação dos poderes de Magnus, Alec entrou no “protective boyfriend mode” e foi confrontar Lorenzo Rey. Onde está aquele rapaz tímido da primeira temporada? O gato literalmente comeu! Alec mudou bastante, como já especifiquei em outro texto, mas essa áurea de querer proteger todos ao seu redor ele sempre ostentou. Ele sempre se sentiu responsável por todas as pessoas da sua convivência, inclusive, isso o motivou a propor casamento para Lydia Branwell, na esperança de recuperar o prestigio da sua família. As decisões tomadas por Alec ao longo do tempo quase sempre foram motivadas por razões protecionistas, ele sempre irá proteger o seu parabatai, a sua irmã, os seus amigos, o seu namorado ou qualquer outra pessoa que precise realmente de ajuda. Esses são os poucos momentos em que o arqueiro abre mão da sua leveza e doçura e deixa o seu lado mais sombrio e endurecido falar por ele, aliás, eu gosto muito desse Alec Diretor do Instituto, inflexivo e sério. O interessante é que Lorenzo não conhecia muito bem essa outra faceta do jovem caçador, por isso, foi tomado por uma surpresa muito grande ao encontrar o rapaz na sua nova moradia (o antigo loft de Magnus). O líder dos feiticeiros até tentou fazer gracejo ao brincar dizendo que não sabia que o apartamento vinha com Alec de presente dentro (se enxergue Lorenzo, que ninguém mexe no meu Malec!), mais adiante, ele piorou a situação ao dar a entender que Alec estava ali como uma espécie de garoto de recados de Magnus – como se Magnus precisasse se utilizar desse expediente para dizer alguma coisa a Lorenzo -, vi a fúria crescer nos olhos de Alec, por ter percebido claramente que Lorenzo só barganhou o loft de Magnus para humilhá-lo e demarcar território, em um misto de raiva e destemor, Alec enquadrou o líder dos feiticeiros sem perder a classe, relembrando-o que não deveria ser tratado como um garoto de recados, afinal ele é o Diretor do Instituto de Nova York. Isso foi suficiente para que Lorenzo compreendesse que estava pisando em território pedregoso e escorregadio. A fala seguinte de Alec me fez rir de satisfação por perceber um certo medo estampado na face do embuste do Lorenzo: “Aproveite essa posição enquanto dura. A Clave não aceita gentilmente os líderes subversivos e antiéticos do submundo. Você vai cair. E quando isso acontecer, eu estarei lá para acabar com você.” Eu não tenho dúvidas que esse embate foi a melhor cena desse episódio, não só pela tensão construída entre esses dois personagens, como também pela agilidade do texto e pelo sentimento de amor verdadeiro por Magnus demostrado por Alec. Claro que um pouco mais tarde o pior aconteceu, algo que eu já imaginava que aconteceria, mas mesmo assim me causou muita angustia, fiquei preocupada ao ver Magnus sangrando após abrir o portal para retornar ao Instituto. Até imagino como essa trama da recuperação dos poderes vai acabar, afinal, o corpo de Magnus não suporta esse tipo de magia (que nem é azul), e, por essa razão, vai rejeitar o gift, levando o feiticeiro ao adoecimento e talvez a… morte… Como é difícil ver Magnus, sofrendo e perecendo, principalmente por algo que é intrínseco à sua natureza, a magia. Sei que vem muito drama e sofrimento para o casal Malec, mas espero que Alec consiga contornar essa situação, encontrando alguma forma (Asmodeus, cadê você, amigo?) para salvar Magnus, o feiticeiro merece ser feliz.
Costurando a trama pendente do episódio anterior, tivemos Maia e Jordan presos em um espaço reduzido; a loba é claustrofóbica e o Praetor está mortalmente ferido. A situação é bem tensa, mas foi a oportunidade ideal para que ambos conversassem um pouco e refletissem sobre as suas ações do passado. Gosto bastante das cenas envolvendo Alisha e Chai, eles têm bastante sintonia e fazem um bom trabalho juntos. Graças ao anjo, Simon e Luke foram capazes de ajudar os dois lobos, estava temerosa que Jordan morresse nesse episódio, afinal, a gente nunca sabe quando esse show vai matar algum personagem. Aliás, está na hora de Heidi sair de cena, a vampira causou um estrago muito grande no episódio anterior. Será que Raphael não vai dar as caras em Nova York? Imagino que toda essa trama urdida por Heidi foi para assumir o controle do clã de vampiros da cidade, já que Griffin foi morto em combate. Creio que somente Raphael, líder natural do clã, poderia dar um basta nessa insanidade ao se autoproclamar líder outra vez. Por outro lado, a matilha dos lobos foi massacrada, mas a reconstrução da alcateia de Nova York precisará de uma liderança e a prisão de Luke não ajuda muito. Creio que Maia realmente é a pessoa mais indicada para assumir a função de fazer ressurgir a matilha e de liderá-la em um futuro próximo, mas para validar essa liderança ela vai precisar da ajuda do Diretor do Instituto de Nova York, afinal, Heidi, como provável líder dos vampiros vai ficar blindada e intocável e, somente uma autoridade maior poderá impedi-la.
Resumindo, A Kiss From a Rose foi um episódio bastante movimentado, com a direção de Salli Richardson-Whitfield (a querida Dra. Allison Blake da série Eureka) e teve a missão de correr um pouco com a trama, colocar o Instituto de Nova York em evidência, como foco central de todos os acontecimentos e preparar terreno para a guerra que está prestes a começar.
Até a próxima semana, pessoal!
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PS1: Quero ver se Izzy vai ficar esse resto de temporada todo apenas investigando os segredos da Clave e bancando a Sherlock Holmes. Está na hora de adiantar a trama envolvendo essa personagem e começar a encaminhá-la para um final mais apropriado que, necessariamente, não precisa ser um final romântico.
PS2: Underhill está de volta e agora que Magnus vai morar temporariamente no Instituto, creio que finalmente ele terá a chance de conhecer mais de perto o grande amor da vida de Alec. O caçador parece admirar muito o Diretor do Instituto, mas tenho um pouco de receio que ele atrapalhe essa relação impondo a sua presença entre os dois. Espero que ele aceite a presença de Magnus no Instituto e dê apoio tanto ao feiticeiro quanto a Alec nesse momento delicado.
PS3: “Eu juro pelo anjo. Eu juro por nós! Não há nada em que eu acredite mais!” Jace tem sido o portador dos quotes do livro.













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