Faltando apenas três episódios para a mid-season, Shadowhunters intensifica o seu ritmo e mostra que é possível apresentar um excelente episódio, aproveitando muito bem o seu elenco, desenvolvendo seus personagens, dando passos gigantescos na narrativa, sem comprometer as tramas em andamento.
Sem sombra de dúvidas as duas estrelas de maior intensidade em Salt in the Wound foram Dominic Sherwood e Alicha Wainwright, que alternaram suas histórias durante todo o episódio, porém, apesar de ambos brilharem com tamanha magnitude em todas as suas cenas, não ofuscaram em nenhum momento a luz incandescente dos demais atores que integram o elenco de Shadowhunters. São episódios como esse que nos lembram que nem sempre os grandiosos efeitos especiais ou as acrobacias mirabolantes podem substituir um bom e velho trabalho de ator/atriz.

Salt in the Wound ambientou um dos seus extremos exatamente nos momentos finais de A Window Into an Empty Room, com uma sequência bem coreografada de luta entre Jace e Clary, onde o Caçador possuído por forças demoníacas, após dizer que não ama mais a moça, acaba arremessando-a da cobertura de um prédio sobre um carro estacionado. Não sei o que doeu mais em Clary, a pressão do seu corpo esguio batendo nas ferragens do carro após a queda ou as palavras mordazes ditas por Jace. A cena foi bem elaborada e o semblante carregado de Dominic deu o tom necessário para a situação apresentada. O pedido de socorro de Clary para Simon foi uma excelente saída encontrada pelo roteiro para colocar o vampiro dentro da trama do Demônio Coruja, afinal, o rapaz, apesar de bem aleatório ultimamente, tem na testa a Marca de Caim, tornando-o inatingível, até mesmo para as garras do demônio Lilith e essa condição pode transformá-lo em um ótimo recurso para vencer a vilã mais adiante.

Finalmente Clary contou a todos sobre o pedido que fez ao anjo Raziel (já não era sem tempo!) e de quebra ainda revelou que Lilith matou Ithuriel (aquela maldita, matou meu anjo!!!). O mais interessante é que ela admitiu para Alec que ter guardado esse segredo o colocou em uma difícil posição junto a Clave e, por isso, se desculpou por ter omitido informações tão importantes sobre o parabatai do arqueiro. Certamente Alec é o personagem que mais se desenvolveu ao longo dessas três temporadas de Shadowhunters. De um rapaz introspectivo, monossilábico e antissocial ele progrediu para um líder consciente e diplomático, um homem que luta por causas nobres e que acima de tudo é honrado e afetuoso com aqueles que ama. Diante dos olhares apreensivos de Magnus, Izzy e Simon, o Diretor do Instituto respondeu a todas as revelações de Clary com um abraço compreensivo e acolhedor ao invés de julgá-la e condená-la pelos seus atos. Essa foi a cena mais bonita desse episódio, com certeza. Quem diria que Alec iria inventar o abraço, hein? Que reizinho é o Alec…e ele não parou por aí não…
Foi no tempo de um abraço que se deu a reconciliação do OTP Malec. E que abraço lindo, né, amores?! Diante de tantos acontecimentos no episódio não caberia uma cena interminável entre Alec e Magnus passando a relação a limpo. O problema dessa situação é que houve a reconciliação, mas o epicentro da briga ainda não foi alcançado e mais tarde, com certeza, o fantasma da imortalidade de Magnus ainda vai voltar para assombrar Alec, assim como o monstro do ciúme ainda vai atormentar muito o jovem arqueiro. Ou seja, o problema não foi resolvido e a discussão apenas foi adiada para mais tarde. Um comportamento que tem sido recorrente por parte de Alec são os constantes pedidos de desculpas, normalmente iniciados por ele após alguma atitude impensada, como o tom irônico usado durante o café da manhã, todavia, dessa vez, acho que Magnus também deveria ter se desculpado apropriadamente com o rapaz por tê-lo responsabilizado indevidamente pelos problemas dentro do relacionamento de ambos por conta da inexperiência do rapaz no campo afetivo. Tudo bem que Magnus até concordou que falou coisas que não deveria, mas sinto que muitas palavras ficaram entrecortadas ou foram sufocadas por causa da emergência da situação.

Tudo me leva a crer que antes da finalização da season 3A, Magnus e Alec vão se afastar um pouco, quer seja para o feiticeiro ir para Edom, já que ele se culpa pelo atual estado de Jace, ou pelo fato de o Diretor do Instituto ter que ir a Alicante para resolver problemas diplomáticos ocasionados pelos eventos relacionados ao atual estado do seu irmão. Essa seria uma boa estratégia para desenvolver um pouco mais ambos os personagens de forma dissociada e dentro do seu habitat, já que enquanto casal eles vêm tendo um bom aprofundamento. Um ótimo exemplo dessa importante dissociação foi a cena de Magnus com Catarina Loss em seu apartamento. A feiticeira chamou a atenção de Magnus relembrando-o que ele não é mais um feiticeiro frágil de 40 anos (risos) e por isso ele é capaz de alcançar feitos que nenhum outro feiticeiro seria capaz. Quero para ontem um encontro entre Magnus e Asmodeus em Edom!
A incursão da Realeza do Instituto para Alicante foi bem interessante e gostei que trouxeram Imogen Herondale de volta – uma pena que a austera líder retornou somente para morrer nas mãos do próprio neto -; mas ela sempre foi uma mulher forte e decidida, mesmo na hora de sua morte ainda alertou Alec com uma mensagem de fogo sobre a presença de Jace no Cemitério da Desonra. Aliás, Alec está ficando expert em enrolar autoridades. Aquela conversa fiada dele com a Penhallow foi ótima para ganhar tempo. Achei genial a ideia de aprisionarem Jace utilizando a Configuração Malachi – se bem que nos livros o excesso de sangue de anjo dele desafia as probabilidades -, como também foi ótima a jogada de Clary criando um portal para transportar o grupo para o loft de Magnus, uma pena que a moça acabou sendo presa pelo esquadrão de Alicante. Aliás, que cara foi aquela que Kat fez no final do episódio? Não fui capaz de decifrá-la.

No outro extremo do episódio tivemos a história de Maia Roberts, que é tão significativa e tão imensamente poderosa, pois faz uma clara alusão a milhares de garotas que se apaixonam por um rapaz que guarda segredos que podem irromper em forma de violência a qualquer momento. Alisha Wainwright não me decepciona nunca e, mais uma vez, mostrou que ela é a escolha perfeita para dar vida a uma personagem tão complexa, ambígua, impertinente e traumatizada como Maia. As suas cenas com o maravilhoso Chai Hansen foram emocionais, alegres, amorosas, profundas e reveladoras. Nos apresentou uma Maia diferente da que estamos habituados a ver; nos mostrou uma Maia alegre, esperançosa, cheia de planos, apaixonada e bastante decidida sobre os seus passos futuros. Através dos flashbacks passamos a entender um pouco da relação construída por esses dois jovens em Nova Jersey, da alegria dos primeiros encontros na praia ao fatídico dia em que Jordan Kyle, com suas garras de lobo, transformou Maia em seu próprio demônio interior, condenando a moça a viver sob as regras de uma maldição que, infelizmente, ela associa ao amor.
Chai Hansen também foi uma escolha acertada para interpretar Jordan Kyle, além de muito bonito – eu vi aquele nudes dele também! -, o rapaz realmente é talentoso e conduz uma cena dramática de forma exemplar. Eu já estava gostando bastante da interação cômica dele com Alberto Rosende, mas ao ver as suas cenas com Alisha é que pude dimensionar que, para além de um rosto bonito para viver o lindíssimo Jordan Kyle, há uma necessidade real de um ator que saiba nos entregar a carga dramática ideal para tornar toda a angustiante situação vivida pelo ex-casal mais verídica possível. A cena em que Maia reconhece Kyle no apartamento de Simon como o lobo que a arranhou e a condenou a maldição da lua cheia foi muito intensa e todo o drama que se seguiu foi excelente. Conseguimos perceber através da entrega de ambos os atores que tanto Maia como Jordan estão sofrendo, a primeira sofre por ter sido atacada e abandonada a própria sorte pelo seu primeiro amor, o segundo sofre por ter perdido o controle e ter atacado a mulher que ama. É difícil dimensionar o tamanho da culpa, da vergonha e do martírio vivenciado por Jordan desde a noite em que ele atacou Maia, mas por outro lado, é igualmente difícil mensurar o tamanho do sofrimento guardado por Maia ao longo do tempo. Ela se sente violada, é como se a sua inteireza tivesse sido desfeita naquele dia tenebroso, levando embora tudo de melhor que ela guardava em seu coração, transformando-a em alguém diferente do que ela sonhava para o seu futuro.
Admito que gosto muito da história de Maia e Jordan e vê-la sendo adaptada de uma forma tão rica e cuidadosa me deixa extremamente feliz. Não entendo como os writers de Shadowhunters não dão mais cenas para esses dois. Espero ver os próximos passos de Maia e Jordan, a relação de ambos com Simon, já que a moça exigiu que o Praetor não abandone o Diurno, e o desenrolar dessa tensão do passado que envolve esses dois personagens. Parabenizo Alisha Wainwright, que vem me surpreendendo muito positivamente em Shadowhunters e não posso deixar de elogiar Chai Hansen, que acabou de chegar nessa série e já está batendo o maior bolão na condução do seu personagem. Quem sabe essa reaproximação entre Maia e Jordan seja o mote necessário para a concretização de Sizzy? Não custa nada sonhar com meu OTP que nunca existiu nessa série.
Mas o episódio, apesar de muito bom, não foi perfeito. Obviamente que um dos desacertos de Salt in the Wound foi o fato de ter dividido a nossa atenção entre os desdobramentos da revelação de que Jace é o Demônio Coruja e a repercussão da descoberta de Maia sobre a verdadeira identidade do colega de quarto de Simon. Ambos os plots foram bem trabalhados e desenvolvidos, contudo, eu acredito que a violência sofrida por Maia, seu posterior trauma e o seu reencontro com o seu agressor mereciam uma atenção maior, não quero dizer com isso que o episódio em questão não soube trabalhar essa situação com o devido cuidado que ela exige, apenas creio que se esse plot tivesse sido deslocado para o episódio anterior, que foi mais morno e menos intenso, ele se encaixaria perfeitamente e encontraria a atenção devida para a carga emocional que foi jogada sobre nós em cada cena. Afinal, além das motivações de Maia, tivemos em cena o conflito interno de Jordan tendo que lidar com a vergonha e o sentimento de culpa. Em um episódio com descobertas mirabolantes, mortes de personagem importante e tantos outros acontecimentos frenéticos, fica difícil encontrar espaço para acertar o tom e dar o significado apropriado para a analogia da estudante que diz não ao ex-namorado insistente e é agredida pela sua personificação animalesca. Por sorte que em um balanço geral a história de Maia e Jordan não sofreu grandes prejuízos e nem foi sufocada pela outra narrativa em andamento, no entanto, essa atenção dividida tirou um pouco da intensidade que toda a situação construída em torno de Maia necessitava projetar, já que estávamos muito preocupados com Jace e ansiosos para acompanhar a sua jornada.

O mesmo eu já não posso dizer do emparelhamento entre Luke e Simon, que apesar de ter sido bom, não teve muito espaço diante dos diversos acontecimentos eletrizantes apresentados nesse episódio. Creio que esse emparelhamento serviu mais para mostrar o tanto que Luke é uma espécie de pai simbólico de todos no Mundo das Sombras e serviu também para dar ciência a Lilith sobre a existência de um Diurno imbatível que ostenta uma incrível Marca de Caim na testa e que pode atrapalhar os seus planos a qualquer momento. Tenho certeza que Lilith vai tentar eliminar Simon de alguma forma. No meio dessas situações aleatórias nesse núcleo, tivemos Ollie revelando que matou a própria mãe; tivemos Sam batendo na cara de Luke. Como assim? Sam batendo no rosto do meu Luke??? Tivemos até a presença inusitada do lobisomem Bat Velasquez. Jura que até Bat apareceu e nada de Lorenzo?! Já está na hora de Magnus e Alec pedirem a ajuda de Lorenzo, agora que já sabem que o Demônio Maior Lilith está a solta e tocando o terror na cidade. Lorenzo vive se gabando do seu novo cargo, agora vai ter que provar a sua competência e o seu merecimento.
Por falar em merecimento, creio que Jace não merecia passar por todo esse calvário. Fiquei com um sentimento de compaixão muito grande por ele e me senti triste ao me dar conta que depois que essa fase de possessão demoníaca passar ele vai perceber o estrago que fez e não vai ser capaz de ajeitar a situação. Se não bastasse o fato dele ter corrompido vários civis virtuosos, ele tentou matar Clary de forma violenta e fria e, por fim, assassinou brutamente a sua própria avó. Ele vai se sentir quebrado, como Lilith vaticinou, mas não sei se ele terá forças para recomeçar e seguir em frente. Com que olhos ele vai encarar Clary? Qual o sentimento dele ao perceber que traiu o seu próprio código de conduta? Como ele vai se perdoar por ter ceifado a vida de sua avó, única ligação conhecida com a sua família biológica? Como ele vai poder refazer a sua ligação com Alec, seu irmão e parabatai? Essa joranda não será fácil e nem suave para Jace, que terá que contar com o apoio dos irmãos, da mãe adotiva e dos poucos amigos que lhe restam. Dominic Sherwood está em sua melhor forma dramática, ganhando um espaço na série que ele já deveria ter reivindicado desde a primeira temporada, espero vê-lo em mais cenas emocionais e densas antes do fechamento dessa primeira parte da temporada.
Então, pessoal, será que Jordan e Maia vão resolver as pendências do passado e reatar a antiga relação? Será que Luke vai conseguir salvar Ollie e Sam? Qual será a estratégia dos irmãos lightwoods para salvar Jace? Será que Magnus vai conseguir a ajuda de Asmodeus para salvar Jace? O que será que Jace e Alec vão fazer para reaver a runa parabatai, caso o loiro se livre da possessão? Será que Lilith vai reviver Jonathan? Dê a sua opinião! Especule! Crie hipóteses!
Outras Informações:
Jack Yang está listado como uma estrela convidado para o episódio 3×10, “Erchomai”, que finalizará a season 3A. Especula-se que o ator canadense de etnia taiwanesa será Asmodeus, pai de Magnus Bane.
Os parabéns vão para a aniversariante Harry Shum Jr., o nosso amado feiticeiro Magnus Bane, que completou inacreditáveis 36 anos no dia 28/04.

A Configuração Malachi é criada ao conduzir uma lâmina serafim no chão em cada um dos pontos cardeais ao redor da pessoa a ser aprisionada e desenhar uma runa logo abaixo da lâmina mais ao sul. Um carrilhão afiado, doce como um sino delicado que está sendo executado soará da configuração, e a luz brilhante derramará das quatro lâminas. Este ritual formará uma gaiola com paredes altas, em cerca de 30 pés, que parecem ser feitas de filamentos de luz cintilantes em movimento. As paredes não podem ser destruídas enquanto as lâminas do serafim permanecem no lugar, e tocar em qualquer das lâminas é fatal a qualquer um à exceção da pessoa que criou a configuração.
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Na cena de flashback na praia, Maia está lendo ‘A Tale of Two Cities’, que é um romance histórico de autoria de Charles Dickens, lançado em 1859, que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição.














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