Shadowhunters finaliza seu segundo ano num saldo extremamente positivo, preparando o terreno para uma terceira temporada empolgante e diferente de tudo o que já vimos até agora. Parece clichê, mas Beside Still Water realmente fechou essa temporada de SH com chave de ouro. O season finale desse ano foi muito além da entrega de um bom episódio, pois BSW representa um passo importante para o futuro do show. Shadowhunters evoluiu de uma série teen sem credibilidade (opinião dos críticos mais agressivos e incompreensivos) para uma produção madura, com a qualidade e o conteúdo de um entretenimento televisivo digno dos mais diversos elogios, dado todo o trajeto (envolvendo suas dificuldades e pontos negativos) em busca de seu próprio crescimento e fortalecimento.

Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Valentine
Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Valentine

Enfim, adentrando na review propriamente dita… Como o episódio apresentou vários eventos importantes e pequenos detalhes (essenciais, apesar da atenção que receberam) sobre a trama, eu decidi, então, separá-los por tópicos, dando a devida relevância para cada momento desse season finale tão rico e recheado de sentido, para então estabelecer uma análise adequada do que virá na próxima temporada. Beside Still Water seguiu o tema principal da temporada, com o desfecho do conflito entre Valetine e Clary, ao mesmo tempo em que procurou enriquecer ainda mais a construção da individualidade de cada personagem na história, assim como também o desenvolvimento de relacionamentos e tramas que ainda estavam soltas sem a devida atenção até o momento. Então, como diria Daenerys, a Rainha do meu coração e diva de Game of Thrones, shall we begin?! 

Malec – “Felizes para sempre” ou vem algo pior pelo caminho? 

Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Alec
Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Alec

Depois de tantos problemas, com vários desentendimentos e discussões sobre o papel de cada um em seu grupo de liderança no mundo das sombras, Magnus e Alec finalmente fizeram as pazes e retornaram à “lua de mel” do shipp Malec que nós tanto amamos. Mas será que isso é um motivo para não se preocupar mais com a situação do casal? Pelo contrário… Como bem disse Alec, relacionamentos exigem esforço, só que no mundo real vai além de um simples empenho de cada pessoa envolvida. Uma relação demanda paciência, confiança um no outro, saber ouvir, conversar quando algo incomoda, tempo para o próximo, respeito e muito mais.

Então a pergunta que fica é: será mesmo que Magnus e Alec encontraram a paz em seu relacionamento? Poucas coisas em Shadowhunters são tão semelhantes à vida real (por motivos óbvios, claro) como a relação Malec. Em nossos relacionamentos nós cometemos os mesmos erros que Magnus e Alec vêm enfrentando, às vezes por orgulho, por não saber ouvir o outro ou, principalmente, por não entender que ali estão duas pessoas totalmente diferentes, com bagagens, personalidades, desejos, caminhos e medos distintos. E é exatamente isso que o casal precisa enxergar caso queiram viver em harmonia e evoluir em conjunto.

Magnus precisa entender as responsabilidades e o peso da liderança de Alec, assim como o mesmo deve tomar suas decisões lembrando o quanto seu parceiro (e tantos outros submundanos) já sofreu nas mãos da Clave. Ir por esse caminho, aprendendo a conviver com as características que fazem do outro quem ele é, o que o torna único e apaixonante, é a solução para um relacionamento saudável e duradouro. Teremos um longo caminho pela frente em Shadowhunters ainda, então é óbvio que Malec ainda enfrentará muitos obstáculos, uns simples e outros mais complexos do que os já vistos, mas só de vê-los juntos novamente, exalando todo o amor que sentem um pelo outro, é belíssimo e empolgante. Que isso vire rotina na próxima temporada!

Rainha Seelie e Simon – Quais mistérios essa nova aliança reserva para o próximo ano?

Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Rainha Seelie
Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Rainha Seelie

Não é novidade para ninguém que a Rainha Seelie não presta e que ela é uma das personagens mais sem caráter da série até o momento. Mas o que nos pegou de surpresa veio por Simon, no momento em que o daylighter (um ser noturno que sobrevive à luz solar) formou uma aliança perigosa com a mesma. Quais mistérios esse novo pacto reserva para o próximo ano? O que será que a Rainha dos Seelies tanto quer que apenas Simon pode proporcioná-la? O interesse da antagonista no vampiro é óbvio desde a sua primeira aparição na Corte Seelie, mas até o momento nós sabíamos apenas que o motivo residia no fato dele ser um daylighter, diferente de toda a sua espécie. A relação dessa aliança está intimamente ligado à esse fator, mas o que será que ela ganha em ter alguém com as propriedades dele ao seu lado?

Explorar suas habilidades ao máximo para usá-lo como arma ou escudo? Entender o que levou-o à ser assim? Ou algo pior e mais sombrio? De uma líder que se aliou à Valentine podemos espera de tudo, não é verdade? A terceira temporada deve construir essa nova relação, em paralelo com o namoro de Simon com Maia, o envolvimento do sangue de Jace nessa trama, o desenvolvimento dos laços entre Jace e Alec (que, diga-se de passagem, foi lindo nesse episódio), Malec e até, quem sabe, um propósito real para a recém-descoberta da parceira de Luke sobre o mundo das sombras. Tudo isso mostra que Shadowhunters finalmente evoluiu, dando o devido valor e crédito às suas tramas secundárias, apresentando histórias redondas e bem costuradas.

Sebastian, Clary e Jace – Quais serão os rumos que a trama principal da série, modificada para a perspectiva do trio, irá tomar a partir de agora?

Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Sebastian
Shadowhunters S02E20: Beside Still Water/Sebastian

Confesso que por um lado é uma pena ver que Valentine, o vilão principal desde o início da primeira temporada, já foi descartado (numa batalha justa com sua filha, que vingou a morte de Jocelyn e Jace), principalmente ao levarmos em conta que a construção da sua personalidade e essência foi apresentada de forma tão preguiçosa e decepcionante. Valentine parecia um personagem vazio, sem a atenção que o vilão principal de uma série deve ter. No entanto, o mesmo tinha potencial, representado por um ator de peso como Alan Van Sprang. Shadowhunters não deu o destaque merecido para Valentine, pois a maioria dos telespectadores já conhecia seus objetivos da saga literária de Cassandra Clare. Mas é claro que, apesar disso, ele precisava de atenção, e não ser jogado no escanteio como vimos até agora.

Por outro, exatamente por ele não ter me conquistado (pelos motivos acima citados), eu sinto certo alívio em vê-lo se despedir da série, pois isso dá mais espaço para Jonathan e outros vilões mostrarem seu valor. Valentine foi apresentado num momento “amador” da série, onde SH ainda era visto como aquele draminha teen desnecessário, então é normal ver a sua desvalorização, tendo em vista que isso se acumulou desde o episódio piloto. Mas com Jonathan, por exemplo, são outros quinhentos. O vilão entrou numa fase mais madura de SH, o que fortaleceu ainda mais o impacto do seu personagem na mente dos telespectadores, além, é claro, da atuação digna de aplausos de Will Tudor. Então, já vai tarde, Valentine!

Mas indo ao que interessa, quais serão os rumos que a trama principal da série, modificada para a perspectiva do trio (Jace, Clary e Jonathan), irá tomar a partir de agora? Com a morte de Valentine fica claro que o fim de Jonathan está longe, o que revela, então, que seu personagem retornará mais cruel do que nunca no próximo ano da série. Mas será que isso é possível? Ou será que sua mãe, a vilã que arrisco ser Lilith, a mãe de todos os demônios em tantas mitologias, ocupará o posto de antagonista central de Shadowhunters? E, caso isso ocorra, qual será o destino da Clave, do Instituto e personagens principais agora diante de uma ameaça tão perigosa? Seria esse o objetivo de Jonathan desde o princípio, usando Valentine para trazer sua mãe ao mundo dos vivos?

E, por fim, qual será a relação da “morte” de Jonathan e o surgimento de Lilith com a nova situação que Jace enfrenta? O personagem morreu e foi ressuscitado por Raziel, num desejo desesperado de Clary em trazer seu amado de volta à vida. Jace foi ao mundo dos mortos e voltou, então, com base na minha experiência com Supernatural, será que ele não é mais o mesmo? Será que Jace foi afetado pela influência de Lilith ou suas dores (e a constatação de que esse tipo de pedido sempre vem acompanhado de efeitos colaterais) estão intimamente conectadas à Jonathan ou algo/alguém pior? Qual será o futuro de Shadowhunters a partir de agora, com um leque tão grande de possibilidades? O que o terceiro ano de SH nos reserva? Uma coisa é certa: SH está só crescendo e sua terceira temporada tem um grande potencial para alavancar a audiência da série ainda mais. Bem, é ver para crer! 

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Bem, pessoal, chegamos ao fim de mais uma cobertura de Shadowhunters. Agradeço por mais esse ano, pelo carinho e pela presença de todos vocês nas minhas reviews da série desde o início da primeira temporada. Vocês são, sem sombra de dúvidas, a minha grande motivação na busca pela evolução dos meus textos, sempre me incentivando (direta ou indiretamente) a apresentar um conteúdo diferente e melhor a cada semana. Vocês são demais! Enfim, sem mais delongas, obrigado e até o próximo ano de Shadowhunters, galera!

REVISÃO GERAL
Nota:
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