The Fair Folk é sem sobra de dúvidas, o episódio que mais se aproximou da mitologia literária de Shadowhunters até agora, não só pela ambientação da Corte Seelie, mas por trazer a tela o beijo entre Clary e Jace – um dos momentos mais esperados por aqueles que leram os livros e que torcem pelo casal Clace -, a produção televisiva ousou e foi além ao mudar alguns aspectos dessa narrativa, foi uma atitude bastante ousada apresentar a rainha Seelie na figura de uma criança manipuladora e assustadora, já que originalmente a Rainha da Corte das Fadas não é apresentada como uma criança e sim como uma mulher. Aproveito para parabenizar a jovem atriz Lola Flanery por ter tornado a sua versão da Rainha Seelie totalmente crível e verossímil. Um outro aspecto que me agradou muito, apesar de se diferenciar bastante da obra literária, foi o plot do ‘beijo que Clary mais desejava’ não ter sido vinculado a possível história do incesto entre ela e Jace – seguindo a narrativa da obra original -, tudo sobre o não parentesco entre eles foi esclarecido antes da construção desse arco suavizando esse momento tão marcante entre os dois e não nos arrastando para um drama interminável. Fiquei bastante triste com a situação do Diurno, não queria que Simon tivesse que presenciar a cena do beijo entre a sua namorada e o ex-namorado dela, mas sei que a partir de agora ele estará livre para conhecer o amor verdadeiro (vem Sizzy!!!).

Os Seelies possuem a beleza de um anjo e a crueldade de demônios, eles sabem como enganar uma pessoa para que ela se autodestrua, apesar do aviso prévio, assim que coloquei os meus olhos na ambientação da Corte Seelie esqueci tudo que já havia lido sobre esse assunto e fiquei deslumbrada por longos e intermináveis minutos. A produção acertou em cheio ao optar por um lugar idílico e ao mesmo tempo perigoso – uma árvore assassina, que maravilha! -, um local onde a natureza, os sons e os seres se mesclam, foi um deleite visual. Os testes foram feitos, a verdade sobre o sentimento que transborda entre Jace e Clary emergiu, a Rainha Seelie conseguiu mexer com a cabeça de Simon e no final, pelo visto, a fadinha atingiu os seus objetivos obscuros. Só lamento que a desilusão amorosa de Simon pode levá-lo para um caminho bastante sombrio, já que até então ele sempre colocou Clary em um altar e se acostumou a idolatrá-la como o seu único e grande amor. Que o anjo possa clarificar a mente do nosso vampirinho amado para que ele logo perceba que o mundo está repleto de possibilidades, basta abrir os olhos e o coração.
Mas antes de todo esse deleite visual no Reino das fadas, muita coisa aconteceu no Instituto. Vamos aos fatos! Observar ace e Sebastian conversando sobre música clássica e falando sobre Valentine deixa claro para nós como Will Tudor é um bom ator e se destaca quando tudo que uma cena necessita é de um bom trabalho de ator. Com gestos contidos, olhar expressivo e flexão de voz nas perguntas que geralmente são mais profundas que o próprio questionamento proposto pelo jovem vilão ele impôs ao companheiro de cena uma dinâmica de atuação diferenciada, claramente Dominic Sherwood vem se esforçando bastante para não ficar aquém quando precisa contracenar com Tudor. É interessante notar como Sebastian conseguiu se ramificar em todos os setores do Instituto, na reunião convocada por Alec, o jovem Verlac estava lá entre os protagonistas, como um legítimo Shadowhunter.

Alec Lightwood foi a escolha mais acertada para comandar o Instituto. O rapaz nasceu para liderar e, apesar de sua constante postura aguerrida, ele sabe agir com a diplomacia necessária quando a situação assim exige. Achei excelente a ideia que ele teve de fazer reuniões periódicas com os líderes do Submundo, mesmo sabendo que muitos dos seus acólitos duvidam da sua liderança por causa do seu envolvimento com o feiticeiro Magnus Bane, o irmão de Izzy Lightwood optou pelo caminho da transparência e do tratamento igualitário entre os Submundanos e os Shadowhunters, mostrando maturidade e discernimento no trato com os seus pares. Achei bem interessante Alec ter ido conversar em particular com Luke para lhe pedir apoio na sua empreitada para a unificação dos povos e apreciei o fato dele ter solicitado uma audiência com a Rainha Seelie para esclarecer os fatos envolvendo Kaelie e os crimes cometidos em Those of Demon Blood, mostrou o quão comprometido ele está no seu projeto de unificação e pacificação entre os povos. Desconfiei que o fato da Rainha Seelie ter pedido para Alec enviar “os experimentos” de Valentine como a comitiva representante dos Shadowhunters renderia uma ótima história, só não imaginava que iria sobrar para Simom e o nosso Diurno iria sair tão machucado no final das contas, mesmo assim, gostei de ver Alec abrindo mão do trabalho de campo ao anuir ao pedido da Rainha enviando Clary e Jace para a execução dessa missão.
As sequências envolvendo o Instituto foram muito movimentadas por conta da reunião comandada por Alec Lightwood e porque em paralelo ao evento principal o líder da alcateia, Luke, guiado por uma voz modificada em um telefone celular desconhecido, dava curso ao seu plano insólito de eliminar Valentine. Certamente essa trama foi urdida pelo lindo Sebastian Verlac no intuito de ganhar espaço junto a Alec na sua liderança do Instituto, só não entendo como um policial treinada e experiente como Luke se deixou envolver em uma situação tão frágil como essa. Claro que ele iria ser descoberto! Amei forte a atitude positiva de Alec ao libertar Luke e não dar publicidade ao fato, mas o grande problema agora é que Valentine terá que ser transferido para Idris e tenho certeza que algum atentado vai acontecer na efetivação dessa transferência que será liderada por Izzy.

Falando em Isabelle, a sua conversa com Maryse, sua mãe, foi o momento mais emocionante de The Fair Folk, no meu ponto de vista. Ambas abriram o coração, depositaram as armas na mesa, fizeram um pacto pela verdade e decidiram reconstruir a relação quebrada trilhando o caminho da sinceridade. Maryse até deu a entender que apoia o relacionamento de Alec e Magnus ao propor que Izzy também lute pela sua felicidade amorosa. É uma pena que Sebastian tenha chegado antes em Raphael e através de manipulação mental tenha feito o vampiro perceber que não é bom para a irmã de Alec, isso fez com que a moça tomasse um balde de água fria ao tentar lutar pelo relacionamento com o vampiro. Mas tudo bem, Izzy, não precisa se preocupar não, você é um ícone e está muito bem cortejada por Meliorn, pelo próprio Sebastian e logo, logo ainda vem um certo Daylighter para aumentar esse cortejo.
Ao final de The Fair Folk três perguntas me inquietam:
– Qual a função de Ollie, parceira de Luke, nessa trama toda?
– Será que Sia e Björk farão um showzinho no Reino Seelie?
– Quem será aquela pessoa que Sebastian está mantendo em cativeiro?
Um episódio com Alec comandando o Instituto e sendo apoiado por Magnus; com Clace finalmente acontecendo, para o sofrimento de Simon; com Izzy se apaziguando com a mãe e nos presenteando com uma sequência tocante de afetividade recíproca; com Sebastian fazendo mais um pouquinho de maldade psicológica, para o nosso deleite e com a Corte Seelie sendo bem representado, nos entregando uma rainha mirim manipuladora e assustadora, não tem como dar nota menor que a máxima, nota 5 para esse maravilhoso episódio de Shadowhunters.
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OBS: Estou substituindo o Vinícius Fernandes nesse texto, mas em breve ele voltará com as reviews semanais de Shadowhunters.













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