Como a gente AMA e foram os cinco meses mais longos da minha vida, a terceira temporada de Scandal começa pegando fogo. Não para Olivia Pope e seus gladiadores de terno, mas para os acontecimentos do Salão Oval e arredores, na Casa Branca. O casal presidenciável está à beira de um ataque de nervos e já começaram jogando a Roleta-Russa da vida e da política. Foi assim que vimos que Shonda Rhimes vai usar e abusar desta trama que promete tudo para que fiquemos contando os dias até o próximo episódio.

Scandal traz uma coisa que a gente já sabia: a revelação iminente do romance entre Fitzgerald Grant e Olivia Pope. Era sabido desde a primeira temporada que o romance dos pombinhos poderia vazar a qualquer instante. Bastasse para que alguém abrisse a boca ou visse um movimento suspeito, mas o que a gente não sabia, e foi nisso que a season premiere nos mostrou abertamente, é que Mellie Kennedy (aquele cabelão para cima dela me lembra a Jackie) vai brigar muito feio pelo jogo, pelo poder. Detalhe: ela não quer o poder da mesma forma que Sally Langton, a vice-presidente protestante fervorosa que está atenta a cada passo do seu líder. Mellie não quer ser humilhada em público. Ela quer os holofotes para ela, quer que o mundo fale dela através de programas matutinos, quer que os passeios com as crianças e os chás beneficentes com as associações feministas sejam fotografados e filmados para a população norte-americana. Mellie quer mostrar para o mundo que a relação dela e do Fitz não há intrusos. Quer mostrar fazer parte de um casal “normal” que briga, que desabafa sobre a conduta do outro na relação na TV, mas que está ali junto sendo o exemplo (da) para a nação. E de quebra, mostrar que é um exemplo de mulher. Ela acaba sendo mais política que a Sally em certo sentido.

Só que no meio desta brincadeira, há algumas pessoas em jogo. Há Olivia Pope, a nossa gladiadora-mor de terno que não hesita em ajudar alguém. Às vezes, ingênua, ela é uma mulher forte, especialista em resolver casos midiáticos e saber bem o que a imprensa e/ou a população querem diante deles. O único problema de Liv, e citando aqui o pai dela, Eli, foi ter aberto as pernas para o homem mais poderoso do mundo. Melhor dizendo: o único defeito de Liv é que ela é apaixonada pelo presidente dos Estados Unidos e É CORRESPONDIDA. Pronto, isso é o bastante para que céus e terra queiram a sua cabeça. Começando por Mellie e seu pai.

O outro jogador bastante atuante atrapalhando a Primeira-Dama é Cyrus Beene. O assessor e amigo de Grant não tem medo de usar os seus próprios meios para conseguir o que quer. Ele cogita até em destruir Liv através de um dossiê feito por sua equipe para acalmar o escândalo político que envolve Olivia e o presidente. Ele não usou. Ok, mas vale lembrar-se do que ele já fez na segunda temporada para manter a boa imagem do seu amigo, usando inclusive o seu marido jornalista, James Novak. Foi por isso que Mellie Kennedy foi correndo pedir ajuda ao velho para derrubar a ideia de contar a verdade do caso amoroso do marido ao mundo e ser humilhada diante das câmeras. Se ela continuar assim, terá um bom aliado.

Do outro lado, temos o presidente Fitz. Que a meu ver deixou de ser um cordeirinho e fazer tudo o que os outros mandavam. Ele começou a executar a sua personalidade própria. Digo isso aqui, pois, desde o começo da série, eu via o personagem unilateral. Ele só servia para mostrar que era apaixonado por Pope e comandar a nação. Sua esperteza em usar Tom e Hal como fontes de vazar a informação do nome de sua amante misteriosa me cativou, sinceramente. Agora, passei a esperar que o personagem cresça e vá finalmente ser o homem que todos esperam que ele seja até então (a cena dele com Sally bebendo uísque foi perfeita). Ele agora vai mostrar quem manda naquela bagaça! Faz muito bem, Fitz!

A trama da sede de poder de Mellie e do renascimento de Fitz caminharão juntas até o final da temporada. No entanto, isso não é tudo. Como Scandal não dorme no ponto, ela já deu espaço para desenvolver as outras tramas pequenas que vão caminhar ao lado das citadas acima. A briga interna e familiar que Olivia tem com seu pai, Eli. Ela não sabe que Jake Ballard está preso em algum lugar da CIA e seu B613, todavia, com o tom de voz da discussão que ela teve com ele no hangar do avião e na garagem de seu próprio prédio, vem mais chumbo-grosso por aí.  Eli acha que a filha está só fazendo besteira e quer vê-la bem longe com uma nova identidade, contas na Suíça para sobreviver e novo passaporte. Aliás, estava na cara que ele pouco se importava para o romance da filha estar nos tabloides. Ele provavelmente sabe de alguma coisa a mais que queria ver a filha longe daquela história toda. Mesmo sendo um turrão, um cabeça-dura, Eli está preocupado com a filha e a ama do seu jeito.

Outra trama também que já vimos que vai continuar é o rolo-desenrolo de David Rosen e Abby Whelan. Agora que Rosen voltou ao cargo da Procuradoria, será que os dois vão voltar ao amor? Estou na torcida para que sim.

Escandalosamente…

…Fenomenal: a cena do bunker entre Mellie, Pope e Fitz. Se o episódio acabasse ali, eu já ficaria feliz.

…Bela: o cabelo de Abby Whelan. Abby conseguiu ficar mais bonita que a Quinn.

…Curioso: adoraria saber o que estava escrito naquele documento que Cyrus leu no fim.

…Engraçado: James “dormindo” de boca aberta foi para descontrair a tensão do episódio.

3×02: Guess Who´s Coming to Dinner

Parando para pensar um pouco fora da caixa, é tão engraçado viver acreditando naquilo no que “se vê”. Milhares de pessoas mundo afora o fizeram e o fazem todos os dias.

A crença neste conteúdo imagético acontece a todo instante, principalmente com as pessoas que vivem em sociedade como nós. Amigos da escola, colegas de trabalho, vizinhos e membros familiares dizem saber tudo sobre você, ou pelo menos, uma parte de como você age. Mas podem não saber nada, ou pensam que sabem. Somos perfeitos para nomear: o mauricinho, a piranha, o quietinho, o nerd, o que fala alto, o gordo, o magro, o que come muito, o gay… São tantas as nomenclaturas utilizadas que achamos que uma dessas define de imediato a pessoa que convive conosco, certo? Errado! Na verdade, o correto seria nomear todas as pessoas de todas as nomenclaturas. Afinal, podemos ser várias personalidades em uma só. Eu posso ser o magro, o louco, o quieto, o mauricinho… Desta forma, teríamos uma melhor qualidade de vida e não nos espantaríamos com uma pessoa que sempre comeu hambúrguer e passasse a comer, de uma hora para a outra, comida vegetariana.

Viajei nesta história toda para exemplificar a relação conturbada que existe entre Olivia e seu pai Eli. Após a morte da Sra. Pope, os dois cometeram erros que machucaram a ambos. Acabou que a relação familiar ficou só no superficial. Olivia acreditava que ele era bom na descoberta de fósseis e dos jantares regados a um bom vinho no mesmo bate-canal e bate-horário. Já Eli achava que sua filha era uma adolescente que estava começando a carreira profissional que envolvia o futuro presidente dos Estados Unidos. Não era nada disso. Pelo menos até agora, foi só o que deu para conhecer os motivos desta relação tão frágil. Antes da ruptura “definitiva”, em 2009, Eli exportava uma imagem de um pai comum e que esta imagem era aceita por sua filha.

Mas tudo mudou quando Liv descobriu que através de uma simples caneta, o seu pai não era quem parecia ser e quem ela parecia acreditar até então.  O “Acme Limited” escrito na caneta de David e de seu pai mostrou a ela que seu pai estava envolvido de alguma forma no B613 e que afetava Huck. Explica-se a grande briga e os atos de raiva da season premiere.  O brilhante vai-e-volta no túnel do tempo mostrada neste episódio foi a maneira encontrada por Shonda para revelar segredos ainda obscuros da família Pope. Portanto, sentimos que esta trama vai tomar bastante o tempo de nossa atenção durante esta terceira temporada.

A viagem lá de cima também cabe para Huck. O personagem que mais adoro neste seriado sofreu uma queda brusca no conceito de sua amiga/mentora/salvadora anos depois, mesmo esta ter deixado de falar com o principal causador de suas torturas psicológicas. Estou na expectativa para saber como ele, que considerava Liv como uma irmã (ou mais que isso), vai agir agora após ter descoberto a ligação de toda a sua história de vida com a família Pope.

Agora chega aquele momento que você pode pular estas linhas a seguir e passar para o próximo parágrafo. Farei só uma observação: é por isso que o personagem de Olivia Pope é apaixonante e cada vez mais eu a entendo ela ter escolhido a Quinn Perkins lá no primeiro episódio da primeira temporada. Como podemos deduzir agora com Huck, Pope acaba sendo uma mentora, um anjo da guarda para as pessoas que trabalham com ela. Ela age assim para tentar sanar a dívida que ela mal ou bem se sente responsável em ter afetado suas vidas. Vamos ver quais serão as histórias dos próximos.

Vamos falar de burrice? Não de roteiro, mas de personagem. Scandal trouxe uma característica inédita para si, coisa que já cansamos de ver em outros seriados. Que raio foi aquilo da personagem de Jeaninne Locke? Quando eu vi que ela ia aceitar aqueles 2 milhões de dólares pensando no futuro oferecido por Mellie Kennedy, juro que falei aquilo que a Liv disse no episódio anterior para seus Associados: “WHAT DID YOU DO?”(Aliás, já virou até gif). Vamos relembrar os fatos: a garota é inocente, não fez nada com o presidente dos Estados Unidos. Apenas vazaram para ela um vídeo em que ela estava chapada dizendo que achava o presidente gostoso. Aí, ela pede desculpas a seus patrões e contrata a melhor solucionadora de escândalos políticos no planeta para voltar à vida normal. Mas aí, um telefone toca no meio da madruga e ela vai se encontrar na limusine presidencial com a Primeira Dama para falar de grana e futuro? Locke foi muita burra. Ela tinha que imaginar duas coisas: 1) Por que a mulher do meu chefe-mor, a traída, me liga para me oferecer dinheiro caso confesse tudo? Eu deveria ser a última pessoa no planeta que ela quisesse encontrar. 2) Se ela, a principal envolvida e humilhada publicamente, está me oferecendo dinheiro, o que ela afinal vai ganhar com isso tudo?

Antes mesmo de ser salva pelo Todo Poderoso Fitz, Locke mostrou mais ingenuidade que a própria Amanda Tanner da primeira temporada. Amanda foi levada na história por forças maiores que ela. Locke estava consciente, jogando no time oposto de Mellie. Quando sempre aparecerem estes personagens que não são inteligentes o suficiente para sua sobrevivência no meio em que vivem, vou sempre me lembrar de Liv, claro.

Escandalosamente…

…Alucicrazy: De onde saiu aquela personagem que pedia ajuda de David cinco anos atrás? Pé na Cova?

…Saudoso: Finalmente reapareceram as cenas que os gladiadores preparam seu cliente antes de uma entrevista ao vivo.

…Macho Alfa: “Quão presidenciáveis são as minhas bolas agora, Cy?”, Fitzgerald Grant.

…Emocionante: Quem aí não chorou com Huck no final ao descobrir que Eli é o comandante do B613?

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