Se você é um leitor nosso de muito tempo e acompanha algumas críticas daqui, ou mesmo se você é um leitor de críticas em geral, deve esbarrar muito na palavra potencial. Tal série tinha ou tem potencial — para desenvolver, perdido ou demonstrado durante sua temporada. Algo fácil de se perceber e que retorna na nossa conclusão sobre a experiência com tal produção, principalmente quando não gostamos. O famoso tinha tudo para ser bom, sabe? Falando sobre segundas temporadas, foco do nosso papo por aqui, fica complicado analisarmos aquelas séries com histórico intacto. Nós, basicamente, aplaudimos e nos sentimos agradecidos com tudo o que é feito. Talvez nosso tempo se ocupe das imperfeitas, das que tinham espaço para crescer e aquilo que fizeram com isso.
Para dar um exemplo não fugindo muito da casa, Santa Clarita Diet fez algo parecido. De uma primeira temporada razoável, a série retornou com energia e seu segundo ano foi marcado por um entusiasmo que atingiu mesmo aqueles que não estavam lá tão ansiosos pelos novos episódios. A série estrelada por Drew Barrymore tinha a missão de cativar aqueles que não se sentiram encantados anteriormente ou manter o interesse daqueles que aguardavam ansiosos. Com isso, dá para puxar um gancho para falar sobre os desafios enfrentados por cada série do serviço: House of Cards, em seu segundo ano, tomou decisões surpreendentes logo no começo; Stranger Things recebeu muitas críticas (dos telespectadores) pelo desenvolvimento de seu segundo volume; The OA, que demorou certo tempo para nos reencontrar, expandiu seu universo; Orange, então, abriu espaço para ir deixando sua protagonista de lado.

O que teria feito a divertida série estrelada por Emanuelle Araújo e Douglas Silva que se tornou um marco como a primeira comédia produzida pela Netflix no Brasil? Potencial, ela tinha. Além de bons atores, o roteiro tinha momentos inventivos e um elenco carismático para sustentar as situações mais desajeitadas. Dava para apontar falhas aqui e ali, principalmente no final, quando a saga da protagonista esbarra em um destino estranho, parecido com o que vemos na comédia nacional dos cinemas. Ainda assim divertida, ficamos felizes pela confirmação de outra temporada e mais ainda quando esta chegou cedo, já neste semestre. Com sete episódios novamente, a conclusão, após esta nova maratona, é de que a produção brasileira deu uma aula sobre exploração de potencial.
Como fazer uma série de humor: uma receita familiar
Se a imersão em tantas séries acaba nos confundindo sobre onde estávamos quando nos despedimos, o resumo disponibilizado pelo serviço nos lembra de que a primeira temporada foi uma divertida saga de redenção e de descoberta. Samantha tentou abraçar o mundo (pelo menos o seu mundo) e tornar-se sua capitã, sua rainha, o grande foco. Vimos diversas tentativas para alcançar esta posição que ela sempre creditou a si como condizente de sua trajetória. Ela tentou ser júri de um programa de calouros, tentou participar de um reality show, conseguir um papel em uma novela, virar celebridade da internet e, por último, reviver o programa que lhe deu a fama quando menor — todas essas tentativas envolvendo aspectos muito presentes na nossa televisão, o que me permitiu concluir que a primeira temporada revisitava a história da nossa indústria através de uma jornada cujo destino era nosso presente, o que nossa telinha mostra hoje em dia.

Para que a continuação se mostre necessária é preciso que haja bons argumentos para sustentar outra trajetória e que os acontecimentos passados tenham peso e ajudem na composição dos protagonistas. Sobre a saga anterior e relacionando com essa necessidade, dá para destacar o primeiro grande feito dos novos episódios: não temos a mesma Samantha de antes. Não mais lidamos com a mesma saga obsessiva que coloca seus objetivos acima de tudo. Seu desejo por reconhecimento continua, afinal, estamos falando de sua profissão e de suas conquistas pessoais, mas não há aquela ânsia que quase colocou a felicidade da família em risco. Aqui, temos nossa personagem voltada para questões familiares. Isso se reflete na própria série, que tem um ano íntimo, quase introspectivo, mesmo quando se relaciona com fatores externos. A família parece importar: a casa, a construção de seu lar, não mais o mundo e a velha necessidade de abraçar tudo.
As referências ao primeiro ano não estão somente nessa forma de justificar o agora através do que fora mostrado antes, mas ao investir em personagens já mostradas ou retomar sequências que antes nos situaram no mundo da ex-estrela mirim. É de uma dessas sequências que partimos, no Episódio 1, na qual encontramos uma Samantha adolescente, crescendo nos bastidores de um programa famoso, mas sempre no risco (como tudo na televisão) de decair a qualquer instante. Ao longo da temporada, este acaba se tornando um dos temas que os roteiristas decidem explorar. Conhecemos mais o passado da protagonista, suas decisões equivocadas e o que motivou seu constante embate com o mundo. Não estávamos apenas lidando com uma criança mimada, acostumada com o conforto do destaque, percebemos. Havia uma explicação para sua personalidade difícil. Assim, falamos sobre os diversos abandonos pelos quais ela passou e como eles podem voltar em forma de ciclo caso não dê a devida atenção aos filhos e ao casamento.

Os novos episódios também batem muito em uma palavra que se torna outra questão recorrente por aqui: imagem. Quem é dono de nossa imagem? Como a perdemos e quando a perdemos? E não falo só de pessoas famosas, não. Vivemos na era da internet, na qual muitas coisas se tornam virais em horas — e, junto com essas coisas, as pessoas por trás. Vídeos provocativos, posts de superação ou covers de músicas famosas que chegam a seus respectivos artistas ou tantos outros exemplos são provas dessa imagem que deixa de pertencer ao indivíduo em sua rotina particular para se tornar pública. Em Samantha!, lidamos com isso através dos dois protagonistas no arco inicial da temporada.
Dodói está famoso, mas de um jeito estranho de se estar famoso. A sua imagem é veiculada daquela mesma forma depreciativa que eu pontuei no texto do ano passado. As pessoas debocham da visão do homem negro bêbado, bagunçado, do qual apenas se ri. É um extremo diante do racismo existente na publicidade, mas, de certa forma, a série volta ao tópico para quase se desculpar pelo retrato que fez da personagem de Douglas Silva. Dodói aqui é retrabalhado como alguém em busca de se firmar nesse mundo pós-prisão: ambicioso, determinado e inteligente.

Isso me leva a reconhecer outro fator positivo na série: a construção da família de Samantha e Dodói como crível. Uma forma de nos importarmos com essa família fictícia é comprá-la como real, e isso é feito de diversas formas na produção. Uma delas é mostrando como o comportamento de cada membro influencia o outro. O sinal mais evidente é como todos se tornam ambiciosos porque a matriarca tem isso no sangue: Brandon quer muito ser um escritor publicado e reconhecido, mesmo ainda sendo uma criança; Cindy tem uma certa paixão (escondida) pelo estrelato e se colocou em situações de protagonismo/foco, nem que no caso dela isso esteja relacionado a leitura de seus discurso;. Dodói, como dito no último parágrafo, exibe sinais disso o tempo todo. O mais acentuado é quando ele se deixa seduzir pela ideia de seduzir outra pessoa — o que, aliás, é um dos momentos mais provocativos da série, e por isso tão bem-vindo. Essa mesma influência pode ser pensada no quanto a filha leva assuntos sérios à família, mesmo quando eles são tratados de maneira debochada pelo roteiro.
Com Samantha, no primeiro episódio, percebemos que a discussão sobre imagem está relacionada aos antigos colegas mirins. Ela virou livro, e o livro virará filme num retrato exagerado dos defeitos que nós meio que reconhecemos que estão lá, afinal, na ex-plimplom. É meio estranha sua luta contra a divulgação oferecida gratuitamente em cima do livro, já que nada mais vende e é celebrado neste país do que figuras polêmicas. Como Gretchen diz em episódios seguintes, ela deveria aproveitar esse momento.

Talvez, então, sua luta não seja exatamente contra a difamação, mas para assumir controle de si, de suas decisões, do quanto cede de si, do quanto mostra e de como é mostrado. Ela é como muitos de nós e precisa estar no controle. É possível, ainda, pensarmos no quanto seu compromisso em ser uma boa mãe está investido na guerra que trava com os colegas mirins. A mulher trabalhadora e figura independente, que trabalhou muito enquanto o marido esteve preso, não se deixa abater pelo ataque público feito a sua figura e revida como pode.
Esta saga pelo amadurecimento não é firme, linear, progressiva, porque, sejamos honestos, na vida real, não é. Cobrar amadurecimentos repentinos de personagens da ficção é ignorar que nós teimamos e vemos por aí outros teimarem nos mesmos erros, no mesmo comportamento muitas vezes tóxicos e que somente com anos (e muitas vezes com acompanhamento) são mudados. Esse esforço aproxima Samantha do público e fortalece nossa empatia por suas investidas na vida profissional e pessoal.

No Episódio 2, somos apresentados a uma das melhores surpresas dessa temporada: Socorro, interpretada por Zezeh Barbosa. A nova integrante do elenco ajuda o restante dele a encontrar o timing perfeito para esse texto mais ágil do segundo ano, sem parecer em nenhum momento para trás ou prejudicada por só integrar a história agora. Como a absurda e autoritária mãe de Dodói, Zezeh entrega falas absurdas sem que elas pareçam absurdas, forrando as cenas com uma naturalidade alcançada somente por boas comédias. O relacionamento entre eles, este filho que perdeu o direito sobre a própria imagem e a mãe que nunca o viu se tornar aquilo que lhe imaginava como destino, volta à conversa sobre amadurecimento, o que mostra uma série cobrindo todas as personagens com as mesmas questões.
Além de rostos novos, temos retornos, e estes são ótimos. Gretchen aparece em diversos momentos e é sempre bem-vinda. Sua estranha amizade com Samantha aponta as relações esquisitas que vemos entre as celebridades. Não só isso, ela traz em si uma piada que talvez nem todos percebam: Gretchen fala o tempo todo o quão as duas são parecidas. A graça está no fato de que Emanuelle Araújo a interpretou no filme Bingo: O Rei das Manhãs (Daniel Rezende) em 2017. Outro bom retorno é de Laila (Lorena Comparato), a influencer com sérios problemas de carência, explorados em episódios a frente. Ela tem uma personalidade submissa aos caprichos da protagonista, mas que faz sentido dentro do contexto de suas interações; tem momentos engraçados quando exagera em seu comportamento e sua relação com os filhos de Samantha é ótima.

O Episódio 3 sublinha a ideia de que estamos em uma temporada sobre relação familiar. O foco, aqui, é em como Samantha lida com a filha e as questões que lhe são importantes. Falamos sobre feminismo na abordagem constrangedora e atrapalhada da série, recurso que pode deixar muitas pessoas desconfortáveis. O roteiro, no entanto, sabe da importância do tema e coloca falas que fazem o público mais desatento rir de si mesmo, deixando uma mensagem ali no fundo para ser explorada. Exemplo temos na cena em que Samantha diz que um debate que vê na televisão não é pauta do feminismo, porque se trata apenas de diversos homens falando mal de uma mulher — uma cutucada em muita gente.
Talvez o mais divertido dos sete, este terceiro seguimento tem momentos hilários: Douglas Silva aproveita o talento para humor que ele exibe desde a infância para interpretar sua versão da mãe e traumatizar, possivelmente para sempre, sua terapeuta; Socorro tenta encontrar o grande talento de Brandon para criar um laço com o neto branco — e mesmo o ator Cauã Gonçalves consegue dar conta do humor desengonçado da série; por fim, temos Cindy se desentendendo com sua mãe e gerando dezenas de falas memoráveis, como a citação ao fim trágico de Joana D’Arc, que a cabeça imaginativa de Samantha reinventa.

O Episódio 4 não deixa por menos e continua constrangendo o telespectador ao colocar suas personagens nas situações mais vergonhosas que consegue. De um lado, temos Laila, como mencionado antes, interagindo com os filhos de Samantha e tentando dar conselhos amorosos a Cindy, o que, obviamente, não dá muito certo. Do outro, o casal protagonista invade uma festa de pessoas do teatro para tentar chamar a atenção de uma importante diretora da área. O roteiro aproveita essa deixa para trabalhar com a lenda que se tem sobre esse ramo, explorando como o teatro é visto em nossa sociedade brasileira, numa espécie de mito que data de muito tempo. A mencionada ousada cena com Dodói volta à questão da objetificação do corpo negro e da imagem que a sociedade tem dele, outra prova de um roteiro coeso e que não deixa de lado, no decorrer da temporada, os tópicos que decidiu discutir.
Se você já devorou a temporada, sabe que eu pulei um nome quando apresentei os rostos novos e os que retornam. Deixei para falar por aqui, ao conversarmos sobre o quarto episódio. Alessandra Maestrini (Toma Lá Dá Cá) interpreta uma diretora de teatro o mais clichê possível — e longe de ser falsa, porque mesmo suas falas são reconhecíveis às pessoas que trabalham no ramo ou se aventuraram por algumas aulas. Carmem Vecino, sua personagem, é exagerada, mas engraçada, na mesma medida que dita o tom do resto da turma. Empenhada em encontrar a atriz dentro de Samantha, ela se utiliza de um jogo de cativação e desprezo no intuito de conquistá-la. A construção da personagem é feita com a ajuda da experiência que Alessandra, uma atriz com muitos trabalhos no teatro, pode utilizar para zombar de si e de seu meio.

O quinto episódio nos pega desprevenidos ao tornar a série ainda mais íntima e chegar à raiz dos problemas da nossa cantora. Usando a edição para versar entre o passado e o presente, descobrimos uma palavra capaz de amedrontá-la e torná-la a pessoa frágil que ela se mostrou algumas vezes. Nas divertidas técnicas de teatro que ainda incluem uma nova participação de Laila, vemos Samantha lutando para interpretar um texto que se aproxima mais de si do que ela gostaria. Nesses momentos, vemos Emanuelle Araújo, que é cantora e atriz, interpretando uma cantora que quer ser atriz, mas ainda não sabe o meio para isso. Essas camadas todas precisam ser destacadas para valorizar seu ótimo desempenho — não só ela se diverte fazendo, mas faz uma Samantha que não conseguiríamos imaginar em outras mãos, por mais que atrizes competentes não nos faltem.
O sexto episódio faz um encontro inusitado, mas que rende excelentes cenas. A Samantha do passado e a do presente estão se comunicando enquanto a segunda está em uma sessão de hipnose. Esta é a desculpa para visitarmos os bastidores da televisão, algo visualizado brevemente em outros momentos, mas que aqui toma o foco. A série, então, investiga o que está por trás das câmeras assim como o que está atrás das cortinas do teatro. Se no teatro há um deboche total para fazer o público se corresponder com seus preconceitos, a televisão aqui mostrada traz um saudosismo sobre como ela costumava ser incorreta e aquilo que o telespectador tem de apego com a época retratada.

Enquanto dorme e as outras personagens lidam com sua ausência, percebemos a força do elenco e das personagens secundárias da série. Daniel Furlan é outro destaque nessa temporada. Juntando-se ao ótimo desempenho dos colegas, ele tem seu Marcinho com as melhores falas do episódio, assumindo, muitas vezes, a canalhice necessária para se sobreviver em sua profissão ou as clandestinidades de lidar com arte no Brasil. Diferente do primeiro ano, Marcinho tem um relacionamento mais afetivo com a protagonista e sua família, e isso o justifica dentro das situações mais bizarras.
Um dos meus grandes problemas com a primeira temporada é seu final. Isso de juntar todos eles, Samantha e seus ex-colegas, em uma viagem e lá encontrar alguém procurando vingança não funcionou para mim. O final desta temporada, no entanto, não só me convenceu, como foi o mais próximo de si que a série poderia encontrar. Diante de um sequestro feito por uma fã, o que se esperar do roteiro e da própria cantora e agora atriz? Com seu jeito autoritário e carismático ao mesmo tempo (o que é meio bizarro, mas é crível), Samantha começa a comandar o próprio sequestro e a assistir à transmissão do “evento” pela televisão. Quando a cobertura se intensifica, em vez de amarrada, na verdade, ela está mandando sua sequestradora lhe preparar um lanche.

O que acontece quando uma pessoa traumatizada pelo abandono, que sequer consegue pronunciar a palavra “órfã” quando adulta, alcança novamente a atenção de outras pessoas e se vê acolhida pela população? Ela se perde no delírio dessa fama regressa? O último episódio responde essa questão da sua forma, através da racionalidade de sua heroína. Suas atitudes reprováveis são justificáveis se lembrarmos o caminho percorrido até aqui. No foco do noticiário, Samantha consegue a imagem de volta — ou pelo menos a imagem que gostaria que as outras pessoas tivessem de si, não aquela veiculada no filme que tentou boicotar. Seu final tem consequências graves, mas que a deixam satisfeita por ter retomado o amor de seu público, uma população invisível que nunca se mostrou por perto. No coro que a acompanha, ainda ouso dizer, pode ser que o telespectador decida fazer parte.
> GAME OF THRONES: Ataque Surpresa!
Muitas séries pouco nos surpreendem positivamente em seu segundo ano, porque já eram excelentes e esperamos o excelente no retorno e ele está lá — ou porque, pelo contrário, encontramos uma produção empobrecida pela tentativa de se continuar a história. Dava para fazer um texto sobre segundas temporadas por aqui e estudar, um por um, os seriados da Netflix que retornaram e quais deles se deram bem em sua segunda jornada. Para Samantha!, a conclusão é clara: voltou irretocável, apontando desde seus primeiros minutos o caminho mais saudável e interessante para a comédia nacional. Não somente focado em situações, este gênero pode se engrandecer com um roteiro estudado, firme, ligeiro, que exija dos atores não somente um jeito carismático de pronunciar as palavras e construírem suas personagens, mas um timing ágil e que se apoia nos colegas de cena para acontecer.

A série se permite o ridículo com o qual estamos acostumados, mas não deixa de ser sofisticada, e este aspecto vem desse estudo de nossa cultura, nossos costumes, nossos debates e nossa população para criar um humor que não parece isolado aos moradores de uma zona do país. É o futuro da comédia quando a comédia ousar trilhar um futuro em nosso país — um futuro de fato, porque muitos produtores, roteiristas e comediantes parecem viver no passado. Com tal desempenho e tal crescimento, tal evolução de um ano para o outro, Samantha! é aquilo que sua protagonista nunca conseguirá ser: impecável. Talvez estejamos, portanto, diante do melhor retorno da história da Netflix.
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Quotes / diálogos favoritos:
[Carmem] — Talvez você dê uma ótima atriz.
[Samantha] — Nossa? Eu tava falando sobre isso. Hoje minha filha me falou sobre isso.
[Carmem] — Muito prazer, Carmem, diretora de teatro…
[Samantha] — Ah, teatro? Que legal! Boa noite. Muito obrigado pelo carinho, hein?
[Socorro] — É pela família! Político precisa de assessor. Pensa na tia Clair!
[Dodói] — Ela tá morta!
[Socorro] — Exatamente! Sabe como é difícil arrumar trabalho na condição dela?
[Samantha para Cindy] — Isso não tem nada a ver com feminismo, é só um monte de homem falando mal de uma mulher, só isso.
[Cindy] — Mãe, você só foi um ser humano decente.
[Samantha] — Nossa, filha, ser humano decente. Ninguém nunca me chamou assim, meu amor.
(Essas foram as passagens salvas em imagens no computador. Mas provavelmente a lista é bem maior.)














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