Numa corrida quem fica para trás se transforma em retardo.
Vou começar esse texto, antes de qualquer coisa, me desculpando pelos atrasos. Minha vida tem sido muito corrido com relação a textos para entregar e a Drag Race acabou precisando ficar em standby durante uma semana, para que outros projetos saíssem do papel mais rápido. Além de ter atrasado o do episódio 3 eu ainda estou entregando o 4 no mesmo dia da exibição do 5. Mas, enfim, as coisas vão se ajeitar, eu prometo. Agora, vamos ao que interessa:
Duas coisas ficaram muito marcantes no episódio 3. Uma delas foi a desistência de Ongina, que mesmo que não tenha dito “Sim, eu desisto”, votou em si mesma na hora de escolher quem iria embora. Eu disse na review anterior que era preciso ter muita coragem para admitir que errou na decisão de voltar para a corrida. Mas, ao mesmo tempo, fico pensando no quanto Derrick teria dado tudo para continuar. É um sentimento ambíguo realmente. É claro que Ongina só percebeu que as coisas não eram como ela imaginava depois de ter chegado. Mas, se tivesse saído na primeira semana, Derrick poderia ter ficado e ido melhor no episódio seguinte.
O outro fator muito marcante foi o comportamento de Alexis. Foi Mayhem quem disse na cara de Cracker que ela estava dissimulando, mas quem conduziu a estratégia foi Alexis. Ela não só trouxe o assunto de volta como fez seu discuso de “tudo tem que ser real” para que os radares das colegas fossem afetados. Jujube percebeu e ficou ligada. O movimento de “nós odiamos Cracker” continua crescendo, mas apesar do episódio com Ongina, algo para mim parece estar faltando e o entendimento desse ataque ainda não está tão claro. Não sabemos se ela já tinha essa fama antes dessa temporada ou se isso tudo é simplesmente motivado – como Shea bem apontou – pelo medo.

Aliás, a postura de Shea com relação ao ataque gratuito de Alexis contra Cracker no dia do desafio me fez torcer muito pelo grupo dela. Shea, Mariah e Jujube são as únicas que não se deixam levar pela correnteza de comentários sobre a colega e por isso, faz todo sentido que Cracker tenha eleito as três como aquelas que merecem seu respeito. Alexis – determinada a abrir uma narrativa – foi completamente inconveniente e desnecessária (tanto quanto Cracker foi com Ongina naquela manhã). Mas, bons momentos em realities são formados por falta de conveniência. Menos 1 ponto para Alexis, 1 ponto a mais para o programa. Buscar algozes é uma tarefa perigosa e que pode se virar contra você. Vejam o caso de Manila, que perdeu todo o prestígio que conquistou quando foi injustiçada por Naomi após fazer declarações de apoio à polícia. Resultado: agora Naomi se tornou o mito justamente por tê-la eliminado. Alexis chegou no epicentro do egocentrismo ao dizer que “poderia estar como todo mundo falando mal de Cracker”, mas é um ser humano tão nobre que não faria isso. Cracker, com medo de ser a vilã da edição, não retrucou, não reagiu. Talvez tenha sido a melhor estratégia.
O desafio dos quartos repetia a fórmula do episódio das boates, na temporada 4. Eu torcia para o quarto do grupo de Shea, porque Alexis estava no da Selva e Mayhem estava no dourado. Mas, foi justamente o dourado que agradou Ru, sabe-se lá porque raios. Por sorte, quem ganhou foi Jujube (pela primeira vez). O desfile com os três looks em um não funcionou. A maioria não fez o que a categoria pedia e as que fizeram não fizeram bem. O bottom com Mariah (que só tirou uma jaqueta), India (que usou os mesmos tecidos nos três looks) e Shea (que realmente tinha uma boa ideia mal executada) foi justo, mas a saída de India teria feito mais sentido nesse momento do que a saída de Mariah, que também nunca brilha tanto, mas que tinha sido um pouco melhor essa semana.
A tensão acabou sendo reajustada na escolha dos batons, porque Mayhem e Alexis votaram em Shea, o que para ela acabaria sendo uma completa surpresa. Mariah ter sido a escolhida também foi uma surpresa. O que não foi uma surpresa foi Monet não ter deixado a peteca cair e colocado Jujube no segundo lugar. É muito ajustável à personalidade de Monet querer preservar sua reputação de Lipsync Assassin. A dublagem não foi excelente com nenhuma das duas, mas Monet estava claramente melhor. A saída de Mariah – ainda que anterior a de India – era esperada. E ver mais alguém das antigas indo embora é sempre triste. Não queremos um All Stars dominado por jogadoras recentes. Não é rico para ninguém.

Retardatárias
No episódio seguinte, a notícia de que Shea havia sido votada por Alexis e Mayhem apareceu com certa estranheza, sobretudo porque apesar de tantas críticas a respeito de resultados como os que eliminaram Manila ou desclassificaram Shangela para a vítória, as meninas continuam indo para o All Stars com um pensamento de que relações pessoais contam mais que um trabalho bem feito. Mayhem e Alexis não estavam votando em Shea por nenhuma outra razão que não fosse um interesse direto em vê-la fora, para que as possibilidades de vitórias de outros fossem mais efetivas. Além disso, votar em alguém que tem chances de não sair pode ser a maior roubada de todas, porque se a pessoa não sai, o alvo está em você.
Alexis continou sua jornada de enfrentamento com Shea. A agressividade passiva entre elas resultou num trabalho decente. Mas, esse foi um daqueles desafios “não-roteirizados” que eu realmente não gosto. Esse, junto com as paródias, sempre dá uma caída no nível das coisas, não só porque parece desorganizado, mas porque os roteiros (ou não-roteiros) são sempre muito ruins – e não no bom sentido. A vontade que tenho é sempre de adiantar o episódio, o que acabo não fazendo, porque, enfim, que tipo de crítico eu seria? Contudo, essa paródia do TMZ não me causou nada mais que puro desconforto.
Acho que bem por isso, o episódio acabou não sendo dos meus preferidos. Todo o bloco de passarela e resultados sempre é ótimo (não importa o que aconteça antes), mas um desafio roteirizado sem graça nenhuma atrapalha bastante a nossa experiência. De todos eles, o de Cracker, Blair e Jujube foi o mais fluído. Admito de boa que India realmente tem se esforçado muito e que, nesse caso especificamente, ela não merecia ir para o bottom. Eu teria colocado Blair em seu lugar, mas a passarela dela era forte. India acabou não indo tão bem porque Mayhem não é “reality-material” e já estava na hora de admitirmos isso. Mayhem é uma retardatária, uma daquelas meninas que sabemos que vai ficar pelo caminho enquanto as outras correm em alta velocidade pelo circuito. India também é esse tipo de queen, mas nesse All Stars ela tem demonstrado melhoras.
A cara feia de Mayhem não ajudou-a em nada. Contudo, em retrospectiva, sua agressividade com os jurados talvez tenha sido seu momento de maior relevância em toda sua história com o programa. A roupa de Mayhem não era mesmo nenhum primor e foi engraçado ver que as outras meninas achavam que ela e India estariam entre as melhores. Mais engraçado ainda foi ver Mayhem reclamando que teria que defender-se para Cracker, depois de tudo que falou dela nos bastidores. Era um destino traçado. Mas, não só por Cracker. Todos veem como India cresceu e como India está lutando para ficar. India não quer mais ser uma retardatária. Mayhem ainda não corre por essa pista como deveria.

Por mais triste que fosse, as meninas e também Cracker, mandaram Mayhem para o limbo da competição (isso se houver Ruvenge nessa temporada). Quase como numa simbiose, tanto Cracker quanto Morgan apareceram com uma paleta de cores muito parecida e a dublagem foi realmente boa para ambas. Em todos esses anos, Ru nunca deu uma vitória dupla no All Stars em que o resultado eliminasse duas meninas. É claro que ela é avisada pela produção que os batons são iguais e por isso, uma vitória dupla não representa uma eliminação dupla. O recurso está ficando velho e se for usado novamente, uma eliminação dupla precisa mesmo acontecer.
Mayhem foi embora votando em si mesma, assim como fez Ongina. A diferença é que dessa vez o voto funcionou como uma espécie de protesto, como uma forma de reforçar que ela discordava do julgamento dos jurados. Só que, do outro lado, mesmo discordando muito dos jurados, India estava decidida a encontrar uma brecha na própria indignação e isso incluia jogar Mayhem “debaixo do ônibus” só um pouquinho. Está tão certa quanto Mayhem estava no próprio protesto. Para vencer a temporada regular é preciso ter muita garra. Para vencer o All Stars é preciso ter o dobro, além de uma extrema e imponderável sociabilidade.
No momento, torço por duas coisas: um Ruvenge que faça alguém voltar (torço para Derrick ou Mariah) e uma temporada com 10 episódios ao invés de 8. Essa noite o Snatch Game nos aguarda e e aí que saberemos se India é ou não uma competidora que deixou as retardatárias para trás.















