Uma semana maravilhosa para os fãs de Drag Race.

Olá, racers! Depois de duas semanas conturbadas, na qual eu não pude cobrir os episódios 06 e 07 – mas fui brilhantemente substituído pelo Carlos Müller -, cá estou eu, extasiado pelo melhor episódio da sétima temporada do nosso reality show favorito, que foi sucedido por um fantástico show da Adore Delano na última sexta-feira aqui em São Paulo. Foi uma semana pra fã nenhum botar defeito. O foco aqui não é o show da Adore, então não vou me delongar nesse assunto, mas isso não será problema porque há muito para dizer sobre esse oitavo episódio de RPDR.

Terminamos o episódio do Snatch Game com uma “confissão” de RuPaul: uma queen voltaria no episódio seguinte. Ok, muitos podem dizer que esse retorno era previsível, mas devemos nos lembrar que a temporada foi gravada meses atrás, e àquela altura, Ru e a produção poderiam até tentar prever quem o público abraçaria, mas não seria necessariamente um tiro certeiro. Além disso, em uma temporada em que as decisões de Ru estão mais questionáveis do que de costume, desde os resultados dos mini challenges até a eliminação de uma queen que já tinha dois desafios vencidos no bolso e um dos melhores trabalhos estéticos da temporada, eu estava preparado para tudo – até mesmo para ver Sasha Belle voltando!

O episódio começa, obviamente, com as 7 concorrentes restantes especulando quem é que volta, mas, claro, nenhuma delas quer um obstáculo que elas já derrubaram emergindo das cinzas novamente. RuPaul entra, faz aquele suspense, e quem volta para a competição é…

HAHAHAHAHAHA Olha, confesso que por alguns segundos eu fiquei vibrando porque, se Latrice voltasse, poderia quem sabe dar uma boa sacudida nessa temporada que anda tão morna. Mas, *FUÉN*, Latrice foi só fazer um biquinho no mini challenge, mais um para a galeria de referências maravilhosas em RPDR: “Orange Is the New Drag” (para você que estava em coma, o título brinca com o sucesso do Netflix sobre pegação sapatânica um presidiário feminino, “Orange Is the New Black”). O desafio é transformar uniformes de presidiária em fabulosos looks drag.

O desfile foi maravilhoso, os “nomes de prisão” e as historinhas de como elas foram parar lá estavam hilários, e aí veio o resultado. *FUÉN* de novo na nossa cara, porque NUNCA que aquele trapo da Kennedy (+ a barba por fazer + a peruca mal colocada) estava melhor que as delícias de Pearl, Fame, Violet e, principalmente, Katya e aquelas escovas de dente penduradas na roupa e a gengivite nojenta.

É hora de uma das queens voltarem. Pela porta entra Trixie. E Tempest. E a cambada toda. Sim, as 14 queens estão juntas novamente. *BOOM* O desafio principal é transformar uma das eliminadas em gêmea siamesa, e a dupla vencedora tem a sua eliminada de volta à competição. Kennedy, que venceu o mini challenge, é responsável por fazer os pareamentos.

Aqui é o momento de fazer uma observação. Eu já comentei sobre isso em uma review dessa temporada, mas vale a pena trazer de volta a questão da veracidade do que acontece não só em RuPaul’s Drag Race, mas em qualquer reality desse estilo. Isso porque alguns pareamentos que Kennedy fez não me pareceram muito espertos, e todos nós sabemos que Kennedy pode não ser uma favorita do público, mas é boa estrategista. Colocando-me no lugar dela, jamais escolheria para Ginger, que é a mais próxima de Kennedy entre as restantes, uma queen fraca como Sasha. E tampouco faria pareamentos potencialmente fortes como Trixie/Pearl e Max/Violet. Se a intenção é não só vencer o desafio, como também trazer de volta uma aliada – no caso, Jasmine – não seria nada desonesto, e faria todo o sentido, tentar sabotar as outras duplas. Exatamente por essa razão eu questiono a veracidade dessas decisões terem partido mesmo de Kennedy, até porque algumas duplas trazem consigo histórias dentro da própria narrativa da temporada (novamente Trixie/Pearl, e Kasha/Katya). Isso é interessante para a edição, não para Miss Davenport.

Mas ok, vamos mergulhar de cabeça no que a edição tenta nos vender, até mesmo porque eu já estava em ponto de ebulição a essa altura. A proposta do desafio era ótima, e impedia que desastres como os retornos de Carmen na S3 e Kenya na S4, que foram eliminadas no mesmo episódio em que voltaram, se repetissem. Além disso, minhas torcidas – Trixie e Max – estavam pareadas com queens talentosas e com um enorme potencial visual. E, honestamente, não tive o sentimento de “jogo ganho”, e a possível previsibilidade de um resultado foi ofuscada pela minha empolgação com o que estaria por vir.

Mais uma prova de que esse foi o melhor episódio da temporada até então é que ele trouxe, finalmente, um clamor dos fãs: um desafio de costura, para termos mais tempo de acompanhar o que se passa no workroom e menos ensaios desastrosos em grupo. Devo admitir que eu apenas desconfiava, mas nesse episódio a verdade foi jogada na minha cara como uma taça de vodka Balalaika Absolut: é nos desafios de costura que conhecemos mais das jogadoras e nos apegamos a elas, e por isso eles fizeram tanta falta nos episódios anteriores.

E foi aí que a edição começou a entregar os pontos para os mais atentos (e eu não estou me encaixando nesse grupo). Duas queens receberam uma atenção especial, um airtime maior para que suas histórias fossem compartilhadas com o espectador. Isso só ficou evidente para mim na segunda vez que eu assisti ao episódio, já sabendo o resultado final; mas estava ali, o tempo todo, e quem não estava roendo as unhas de ansiedade já devia ter matado a charada de quem venceria e quem iria para casa.

Mas não vamos com sede demais ao pote. Vamos analisar gêmeas por gêmeas, julgadas pelo trio Ru-Michelle-Ross, e também por Nelsan Ellis – que eu mal reconheci fora da fantasia de Lafayette – e LeAnn Rimes, minha eterna <3 bêbada do X Factor <3. E, claro, por nós. Essa semana, devido à dinâmica do desafio, não vou ranqueá-las pela minha ordem de preferência, e sim pela ordem de apresentação.

MISS FAME + KANDY HO’

Fame conseguiu melhorar o visual de Kandy em 696969% nesse desafio, hein? Elas estavam lindas e bastante parecidas, mas não era de se esperar menos, já que Fame manda muito bem na maquiagem – mesmo deixando aquele adesivo sempre visível. Inclusive, eu fiquei procurando o adesivo nas duas dessa vez, e parecia que elas tinham sido cuidadosas nesse ponto, até que eu chego no Untucked! e…

Miss Fame levou tão a sério a coisa das gêmeas que até a “marca de nascença” ela levou para Kandy Who.

Por falar nela – MF -, de uns episódios para cá a edição tem mostrado uma Miss Fame tagarela, chata e inconveniente, sempre falando nas horas erradas. Meu estranhamento é que isso surgiu um tanto quanto repentinamente, a tagarelice dela simplesmente desabrochou em algum ponto da temporada e acabou se tornando sua característica mais explorada. Não sei o quanto de veracidade e o quanto de sabotagem da edição estão inseridos nessa história, mas sei que isso só prejudica a imagem de Fame, já que o seu talento estético vai ficando ofuscado por esse seu ponto negativo. Resta saber se, depois de “matar a charada” de Ru (que eu tive que ir pesquisar nos Reddits e Tumblrs da vida para entender), ela vai reverter o jogo de volta a seu favor.

JAIDYNN DIORE FIERCE + TEMPEST DUJOUR

Jaidynn e Tempest se viraram bem, considerando a gigantesca diferença física entre as duas. Ficaram bonitas, o conceito era simples, porém divertido, e a ideia da “junção” entre elas era criativa, embora meio nojenta. O problema é que, quando comparado com os outros, o look ficou carecendo de um background mais explícito. A ideia que Tempest contou para Ru é bem inventiva, mas não refletia durante o desfile.

A volta de Dujour também me fez confirmar uma opinião. Muita gente diz que Tempest foi uma grande perda para a temporada, especialmente por ser first boot. Até concordo que eu preferiria ver mais dela do que de Kandy Ho’, que não acrescentou absolutamente nada até o episódio que permaneceu; contudo, mais uma vez Tempest não mostrou tanto serviço quanto eu esperaria de uma queen tão experiente. É fato que ela tem uma bagagem de vida enorme, e isso foi mostrado novamente quando ela contou a história sobre a terapia que sua mãe a obrigou a fazer para “se tornar heterossexual”. Mas, no segundo desafio de costura que enfrentou, Tempest não conseguiu ajudar Jaidynn a elevar o seu nível visual, e a parte de baixo da própria Dujour ficou esquisita, deixando seus movimentos totalmente desengonçados.

KENNEDY DAVENPORT + JASMINE MASTERS 

Really? Essa concepçãozinha mequetrefe e essa montação básica? E o vestido também não dava a ilusão da junção física entre elas, estava tudo claramente demarcado e separado. Que preguiça, hein gatas?

E a Kennedy falando que a Jasmine tem muito para oferecer para a competição? HAHAHAHAHHAHAHA Querida, não é desafio de comédia essa semana! Com aquela visão limitadíssima do que é drag, a única coisa que Jasmine poderia oferecer era menos dor de cabeça para Ru, que já teria quem eliminar no próximo episódio sem fazer muito esforço.

PEARL + TRIXIE MATTEL 

Juro que tive que segurar o grito quando eu vi Pearl e Trixie entrando na passarela com essa montação fantástica, serving “Toddlers and Tiaras” realness. Sabe aquela piada que você já viu e ouviu antes, mas vem alguém e a conta novamente de uma maneira tão boa que você “ri seu traseiro fora” do mesmo jeito? O conceito das gêmeas diferentes não é algo totalmente inédito, mas as duas souberam vendê-lo perfeitamente nos seus segundos de desfile. Trixie outshineou Pearl? Sim, de fato. Mas se o veredicto do desafio incluía o merecimento de qual das eliminadas merecia voltar, foi uma excelente estratégia dar o papel cômico e que chamaria mais atenção para quem tinha mais em jogo – até mesmo porque era justamente na comicidade que Trixie precisava se provar, e fazer uso desse artifício dentro de um desafio de costura seria definitivamente um ponto a seu favor.

E, para quem já era apegado a Trixie antes do “acidente de dublagem” – como a própria definiu, fazendo Ru e eu caírem na risada – do quarto episódio, conhecer a história que originou seu nome só aumentou esse carinho. O fato de ela ter transformado um nome que trazia tamanha carga negativa e traumática, em algo que se tornou sua segunda identidade, demonstra uma baita coragem (“nerve”).

Pearl e Trixie colocaram a mão na taça, já poderia soltar o grito de “É TETRA!” winner of this week’s challenge”… até que…

VIOLET CHACHKI + MAX 

Que figurino MA-RA-VI-LHO-SO! Tudo bem que Violet/Max talvez fosse uma das duplas com maior facilidade na questão da semelhança física, mas elas ficaram quase idênticas! Isso sem contar que o visual traduz perfeitamente uma mistura do estilo das duas: tem o glamour e a sensualidade de Violet, tem a excentricidade de Max, e soma-se tudo isso ao capricho e atenção aos detalhes de ambas. Assim como a dupla Jaidynn & Tempest, a concepção delas falhou em contar uma história por trás do look, mas em uma temporada em que gente venceu por muito menos, a perfeição da execução desse visual poderia muito bem dar a vitória para elas.

Permitam-me abrir um parêntese aqui para a Mrs Kasha Davis falando que Violet evoluiu como pessoa, que está mais gentil, menos shady… GENTE, SÉRIO, onde que Violet é shady? Se essa temporada não estivesse zzzZzz como está, eu tentaria até assistir tudo de novo pra achar de onde essa gata tirou isso. Ser difícil de trabalhar em grupo não é ser shady. Quer falar de ser venenosa? Que tal falar de Ginger Minj, que tem uma língua mais afiada que o nariz da Magnolia Crawford?

Bom, voltando a runway e para o look maravilhoso de Violet & Max… foi ali que a minha certeza de que Trixie voltaria se dissipou; isso sem contar duas gêmeas que estavam por vir.

GINGER MINJ + SASHA BELLE 

Obviamente eu não estava falando de Ginger e Sasha, afinal isso aí era fácil prever que era bottom material. Tá, a ideia é engraçadinha, mas a execução foi a mais porca entre todas as sete. Culpa da preguiça de Sasha, que pelo que foi mostrado se comportou de maneira inútil durante a preparação? Culpa de Ginger, que não gritou na fuça dela “VOCÊ QUER VOLTAR PARA A COMPETIÇÃO? ENTÃO ME AJUDA AQUI, VADIA!”? Bom, nunca saberemos. Só sei que isso aí ficou ó, uma bosta.

PS: tenho que admitir que teve uma coisa boa nesse trabalho – a maquiagem de Sasha. Ginger está de parabéns, conseguiu deixar ela bem bonita e eu particularmente achei ela até parecida com a deusa Manila. Alguém mais teve essa impressão?

KATYA + MRS KASHA DAVIS 

Bom, as outras duas queens que com certeza representaram grandes ameaças foram Katya e Kasha. O conceito era hilário, tanto que os jurados já caíram na gargalhada assim que elas entraram no palco. A execução também não deixou nada a desejar, e o visual estava asquerosamente glamoroso. Sem dúvidas um trabalho em conjunto entre elas para deixar o “Despy Awards” comendo poeira.

Durante a deliberação dos jurados, as gostosas se destrucam. No Untucked!, Kennedy tem as falas mais relevantes. Primeiro, ela se defende da crítica de Michelle Visage e, mesmo que a pageant queen não esteja lá no topo das minhas preferidas, tenho que concordar que ela tem ao menos mostrado bastante versatilidade. Ela não é como Roxxxy, Phi Phi, Tyra, entre outras que eram muito boas visualmente, mas sempre se embananavam nos desafios de comédia. O fato de Kennedy ter ganhado dois desafios cômicos (embora um deles não tenha sido lá muito justo) fala por si só.

O outro momento interessante é quando ela explica com quais critérios fez seu pareamento. Alguns motivos me pareceram convincentes, enquanto outros já soaram como inventados ali na hora. No último caso, o mais fake foi o Tempest/Jaidynn. Bicha, assume logo que elas foram as duas que sobraram e não tinha mais o que fazer! ¯\_(ツ)_/¯

Hora dos resultados. Pearl vence o desafio, e isso significa que Trixie Mattel está de volta à competição. Quem se lembra da review do quarto episódio sabe que, para mim, não existiria resultado melhor e mais justo. Max também merecia uma nova chance, mas a narrativa que envolvia a dupla formada pelas vencedoras era particularmente especial: Trixie saiu injustamente para Pearl, e agora a segunda ajudou a primeira no seu rumo de volta à corrida. Como a própria Pearl definiu, era o fim de um ciclo, e agora ambas estão prontas para trilharem seus caminhos individuais. A sétima temporada precisava de uma história assim, e esse foi um dos grandes trunfos desse oitavo episódio.

Ginger e Jaidynn enfrentam o bottom 2. Coincidência ou não, as duas big girls da temporada, e também as que foram pareadas com as duas primeiras eliminadas. Ao som de “I Think We’re Alone Now”, elas – e suas siamesas – fazem o que foi um dos lipsyncs mais hilários da história de Drag Race. A situação em que elas se encontravam já colaborava para algo engraçado, mas Ginger e Sasha fazendo uma “cirurgia de separação” ao vivo foram impagáveis. Enquanto Jaidynn fez o que já tinha feito nas duas dublagens anteriores, Ginger foi lá, deu seu jeito de se livrar da pedra no sapato que jogou ela no bottom e defendeu com humor – e louvor – a sua permanência. Não deu outra: Ginger, shantay you stay. Jaidynn, sashay away.

É uma pena dizer isso, considerando o quão altas minhas expectativas eram para a eliminada da semana com base no pré-show, mas Jaidynn vai embora hashtag merecidamente, e até hashtag um pouco tarde, já que ela poderia ter ido uma semana atrás no lugar de Max. Mas é isso, apesar de #carismática, a #gostosa não entregou comédia o suficiente, e muito menos estética, portanto, #It’sTimeToGoHome.

Do outro lado, Trixie toma seu lugar com uma responsabilidade enorme. Muito provavelmente, na época da gravação, Trixie não fazia ideia da repercussão que sua eliminação precoce causaria. Mas, de qualquer maneira, um possível fracasso (entendam por fracasso ser eliminada nos dois próximos episódios) será um tremendo balde de água fria na cabeça dos fãs, e nesse caso seria melhor até ter ficado em casa mesmo.

E assim encerro a review desse episódio que reacendeu meu ânimo com a sétima temporada. Como eu havia dito, os mais atentos já estavam vacinados; apenas duas eliminadas receberam um espaço considerável de airtime no episódio. Uma delas foi um dos destaques positivos, a outra dos não tão positivos assim. Estava ali, de bandeja. A primeira foi parte do time vencedor, e a segunda do time que mandou as companheiras para casa. Mas a expectativa de, pela primeira vez, estar torcendo ansiosamente por alguém; o fato de outras duplas apresentarem trabalhos dignos de serem considerados ameaças fortes; e, principalmente, a dinâmica do plot do retorno de uma participante, diferente e mais justa que as usadas nas temporadas 3 e 4; foram fatores que me prenderam e me permitiram acompanhar esse capítulo da maneira mais ingênua e despreparada possível.

E vocês, o que acharam? Previsível demais, ou capaz de entreter e gerar expectativa? Gostaram do resultado? Será que Trixie voltará com tudo, ou se juntará a Carmen e Kenya no Hall Of Shame? Será que agora a temporada engrena de vez? Ah, e para quem sentiu falta do tradicional ranking, deixo o meu abaixo e convido vocês a deixarem os seus também.

#1 Katya

#2 Trixie

#3 Pearl

#4 Violet

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#5 Miss Fame

#6 Ginger

#7 Kennedy

Fiquem com a sereia maravilhosa Adore Delano e seu rabo de fora – que eu vi de perto! <3 – e até a próxima semana!

Party!

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.