Estamos nos aproximando da reta final, mas o show de criatividade não para!
É perceptível a mudança no formato dos desafios impostos às participantes de RuPaul’s Drag Race com o passar dos anos. Nessa sexta temporada, estamos vivenciando um foco quase 100% voltado para habilidades artísticas como atuação, canto e postura nas mais diversas formas de mídia, como videoclipes e programas de TV, e menos desafios de costura e beleza. Isso, claro, não é uma mudança que agrada a gregos e troianos.
Ainda assim, em alguns casos, é possível que o nível da montagem para a passarela acabe ofuscando o desafio principal. Foi o que aconteceu em “Queens Of Talk”. O desempenho geral no main challenge acabou sendo relativamente fraco, e o que acalorou os corações e as discussões entre fãs, foram looks que deixaram muita gente boquiaberta, mesmo depois de seis temporadas e uma edição All Stars. Courtney (estampando a capa da review), que colocou o que talvez tenha sido a mais volumosa fantasia da história de RPDR, afirmou que não queria que seu look fosse esquecido. E não irá mesmo, pelo menos por um bom tempo.
Começamos o episódio com as queens conversando sobre a saída de Laganja e o recado deixado por ela no espelho, que deve ter sido um dos mais secos da história de Drag Race: “XOXO, Laganja”. Fim, nada mais e nada menos. É claro que não dava para esperar um depoimento de Orkut vindo dela depois de tudo que aconteceu no desafio que resultou na sua eliminação, mas as participantes pareciam estar realmente indagando se elas questionaram Estranja sobre sua personalidade da maneira certa. O fato é que a competição segue e todas vão ter muitas oportunidades para se acertarem lá fora (BBB feelings), e a melhor coisa a se fazer é colocar a bola pra frente sem arrependimentos. Depois de um pouco de conversa, é hora do “Uuuuhh gürl, you got she-mai…” OPS! Não, esperem. Algo está diferente.
Para quem estava meio por fora e não entendeu por que não houve a pronúncia do clássico “You got she-mail”, que é uma brincadeira com a palavra “shemale”, que por si só já brinca com a ambiguidade de gêneros (she = ela; male = masculino), a história é mais ou menos assim: já há algum tempo existe uma discussão sobre o uso desse termo no programa, mas esse debate se acalorou depois do mini challenge do episódio 4, lembram?

A comunidade transgênero tem reclamado do uso dessas expressões, pois, segundo ela, soa ofensiva às pessoas que vivem essa realidade. Pois bem, nos últimos dias a Logo TV, emissora que transmite o reality, se pronunciou e disse que retiraria essa fala do show e não usaria mais esse clássico do momento do ateliê.
Por uma parte, é realmente estranho que tal questão tenha ganhado tanta repercussão somente agora, a ponto de não só ser ouvida como também atendida pela produção do programa. Outro fator que gerou polêmica sobre a decisão é o fato de RuPaul’s Drag Race sempre ter sido uma atração que abriu um espaço gigantesco para a população LGBT como um todo. Inclusive, em 2013, Monica Beverly Hillz assumiu ser transgênero, em um dos momentos mais emocionantes (ou que tentaram ser) da temporada passada, recebendo apoio das concorrentes e da própria RuPaul.
Mas, partindo desse mesmo princípio, acredito que haja uma preocupação em não ofender, de maneira alguma, qualquer integrante desse grande universo LGBT, mesmo que seja óbvio que a intenção do “she-mail” nunca foi ofender ninguém. Se por um lado perdemos uma coisa que já tinha virado uma tradição no programa, por outro percebemos uma profunda consideração por parte da Logo e de RuPaul’s Drag Race para com o seu público, a nível de sacrificar um pedacinho de seu universo construído ao longo dos anos para que uma parcela de seus espectadores não se sinta incomodada. Vendo por esse lado, não consigo julgar negativamente a escolha. Mas vamos adiante com o episódio.
O mini desafio é um merchan safadíssimo do aplicativo Scruff, mas claro que ninguém está reclamando quando ele envolve uma pit crew multiplicada, com 10 rapazotes para satisfazer todo tipo de gosto. Mas como eu sou cri cri mesmo, já digo que não superou o desafio semelhante da season 5, aquele jogo da memória maravilhoso com modelos de cueca da Andrew Christian.
Daí passamos para o desafio principal, onde as moças deverão ser Oprah’s por um dia e entrevistar a família real. Ou quase isso. Na verdade estamos falando do filho de Cher, Chaz Bono – que, ora pois, também é transgênero!!! – e a mãe da diva gay, Georgia Holt. Além deles, Paula Abdul se juntou ao painel de jurados do episódio. Detalhe para RuPaul falando que Paula era a artista mais dublada na história de Drag Race, o que não é novidade para ninguém, afinal parece que a cada temporada temos no mínimo duas músicas dela sendo usadas.
Vamos ver como as concorrentes se saíram nesse episódio, utulizando o usual ranking na corrida pelo título de America’s Next Drag Superstar.
7) DARIENNE LAKE

Chegamos no Top 7 e Darienne é tão necessária quanto os quadros do Interior Illusions Lounge. Até determinado momento a presença dela nem me incomodava, mas depois de Gia e Laganja saírem, que, embora não fossem lá muito talentosas, pelo menos rendiam babado e confusão no Untucked! por irritarem todo mundo, agora o posto sobrou para Darienne e ela simplesmente não tem competência para carregar essa responsabilidade.
O grande problema é que Darienne é sempre a mesma coisa, com os mesmos looks na runway e nos challenges também está sempre no “razoável” – tirando uma ou duas exceções. Até se vestindo de elefanta ela consegue ser basic, e como disse Khloe Kardashian no segundo episódio da temporada, “basic bitches not wanted!”. Pra piorar, a única coisa que ela tem na sua manga nos bastidores é uma rixa com DeLa que só ela comprou e ninguém ali entende de onde surgiu ou onde vai chegar. Sendo assim, Lake é a mais insignificante das drags que sobraram e já pode sashear away que ninguém vai sentir muita falta.
6) TRINITY K. BONET

Poxa Trinity, depois de uma subida meteórica no seu desempenho nos últimos dois desafios, eu esperava um pouquinho mais. A parte dela no Talk Show me lembrou até de um momento constrangedor que aconteceu comigo – e aqui, peço licença aos leitores para relatar rapidamente uma experiência particular.
No ano passado fiz uma entrevista com o Rafael Queiroga para o SérieManíacos, e, no início da entrevista, chamei ele de “Rodrigo”. Era a primeira vez que eu fazia um trabalho do tipo, estava super nervoso (tremendo que nem vara verde) e acho que na hora meu cérebro embaralhou os ex-comediantes da MTV e eu acabei confundindo ele com o (Rodrigo) Capela. Por sorte, ele me corrigiu, mas rindo, e dali eu fiquei esperto para não cometer a gafe de novo.
Infelizmente, Trinity não teve a mesma sorte e Chad, digo, Chaz deixou que ela persistisse no erro e acabasse pagando o maior mico na entrevista.
Em contrapartida, TKB trouxe um dos mais belos e trabalhados visuais, servindo carnaval carioca realness. Sério, tem muita rainha de bateria por aí matando e morrendo por uma fantasia dessas. Se joga na Sapucaí, Trinity!
5) JOSLYN FOX

Joslyn engatou o que poderia ser o seu melhor desempenho até então, começando de uma maneira divertida, arrancando alguns risinhos… até ela meter o pé pelas mãos com a pergunta sobre aborto. É claro que esse foi um assunto já abordado por Georgia em outra ocasião, mas para o clima do talk show, foi realmente pesado e desconfortável.
Para piorar um pouco mais, Miss Foxy segue errando feio nos looks, e mais uma vez foi usando um figurino bastante pobre, mal acabado e de gosto duvidoso. Essa coisa tampando a perseguida de Joslyn, que eu ainda não se identificar se é um cavalo, um gato ou uma borboleta, se saiu muito melhor na imaginação dela do que na realidade. Assim fica difícil defender a teoria de que existe algum senso fashion dentro de você, Fox!
4) COURTNEY ACT

Courtney mandou muito bem na entrevista e realmente pareceu uma professional no assunto, tamanha foi sua competência. Muita naturalidade, empatia com o convidado, todas as características típicas de uma talk show host estavam ali. O flertezinho com Chaz também caiu muito bem para destacar a parte dela das demais.
Agora, se eu achava que o melhor de Courtney tinha ficado no main challenge, fui pego de surpresa quando vi aquele look maravilhoso com o qual ela subiu na passarela. A australiana conseguiu vender não só o corpaço que tem, mas deu um show de criatividade e elegância com as suas gigantescas asas. Certamente uma das ideias mais certeiras a serem levadas para a runway. E é isso que difere Courtney Act de outras “pretty queens” como Carmen Carrera, Vivienne Pinay, etc: não é APENAS o corpo e o visual fishy, mas ela também consegue trazer genialidade para a passarela.
3) BEN DE LA CREME

Ben De La Creme também matou a pau na sua entrevista e parecia fazer aquilo com a facilidade que nós, meros mortais, tiramos a remela do olho quando acordamos. O visual não me agradou muito (Michelle então, hater assumida da cor verde, odiou), mas em compensação DeLa foi pura simpatia e me fez ter vontade de sentar naquele sofá para ser entrevistado por ela.
E o look de mosquito, Brasil? Que coisa FAN-TÁS-TI-CA! A precisão dos movimentos dela ao entrar na passarela simulando um inseto, a perfeição da construção de cores da fantasia combinada com uma faceta diferente do personagem da drag, tudo funcionou maravilhosamente bem para DeLa nesse episódio.
2) ADORE DELANO

Ai Adore… você é realmente [pausa para eu tentar achar uma palavra que não seja “adorável” e cair no trocadilho ridículo] muito carismática, mas eu sinto mesmo essa dificuldade vindo dela quando o desafio exige algo ao qual ela não está acostumada. Foi mais ou menos um repeat do que foi o stand up, com aquela coisa de “Ai, sou nova nisso”, “Ai, estou nervosa RSSSSSSSS *risos forçados*”.
Eu até gostei da roupa dela essa semana, mas não para esse tema. Não acho que a máscara combinou, nem que o look no geral correspondia fielmente ao tema. Adore mirou em “pantera + personagem de Mortal Kombat” e acertou no homem de látex de American Horror Story + proteção contra gripe suína.
Delano só não cai no ranking porque meu coração bate com mais alegria toda vez que a palavra “party” sai da boca dela. Sério, estou exercitando meu auto controle para não incorporar essa palavra no meu cotidiano e meus amigos não me olharem com aquela cara de “o que essa pessoa está falando e por que só ela entende a graça disso?”, mas está bem difícil. Party!
1) BIANCA DEL RIO
Bianca sofreu de um mal que nem ela, nem ninguém, esperava: o excesso de confiança. Bianca estava agindo tão naturalmente, tão confortável – e, detalhe: lindíssima naquele look vermelho -, que nem se preocupou com um fator primordial: o tempo. O resultado desse pequeno desleixo foi que ela acabou tendo um ótimo desempenho entrevistando Chaz, mas acabou ignorando completamente Georgia, o que é um erro gravíssimo. Pelo menos, aparentemente, a mãe de Cher viu que não foi algo intencional e até riu quando Bianca soltou um “shit” ao perceber sua mancada.
Mas ela compensou na runway com um look fantástico, inspirado pela eterna musa do X Factor USA, Cece Frey.

Separadas apenas pelo talento vocal, afinal Bianca canta muito melhor que Cece.
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Os judges deliberam e eu tenho duas observações sobre essa parte:
1) Alguém aí entendeu por que Georgia ficou praticamente muda e só Chaz fazia os comentários?
2) Alguém aí estava esperando um pouco mais do reencontro entre Paula e Adore? Sei que na época, ainda como Danny Noriega, ela nem durou tanto na competição, mas eu jurava que a edição ia dar um jeito de tirar água de pedra e extrair algo desse plot.
Enfim, a disputa pela vitória desse challenge era obviamente entre as duas únicas queens que foram bem: Courtney e Ben. A primeira acaba levando, mas do jeito que RuPaul anda ultimamente, não duvido nada que semana que vem ele diga de novo que Courtney está se apoiando apenas na beleza.
Entre as Low’s da semana: Adore Delano, Joslyn Fox e Trinity K. Bonet. A primeira era uma presença certeira e super merecida no bottom 2. Não houve acerto nem no talk show, e nem na runway. Já as outras duas cometeram erros gravíssimos em sua entrevista – abordar um assunto constrangedor e errar o nome do convidado, respectivamente -, mas pelo menos Trinity conseguiu levar, como sempre, um look fantástico para a passarela; e nesse aspecto Joslyn fez totalmente o contrário. Eu apostava todas as minhas fichas em Adore vs Joslyn, principalmente depois de emocionadíssimo discurso de Ru da semana passada sobre a melhora de Trinity, mas foi essa a escolhida para enfrentar a ex American Idol no lipsync.
Obviamente minhas pernas até tremeram e eu já estava roendo meus dedos de ansiedade (porque unha é pouco). Trinity é uma verdadeira destruidora no lipsync e já a vimos mandar duas pra casa, e, embora ela tenha apresentado uma leve melhora nos últimos episódios, o programa não poderia perder Adore nessa altura do campeonato. Mas estava nas mãos dela garantir sua sobrevivência, afinal sabemos que, se Ru quiser ignorar toda a trajetória e julgar apenas pelo lipsync, ele o fará sem dó nem piedade.
Por sorte, logo no começo da música percebi que Adore não faria a decisão ser tão fácil e se lançou em uma performance cheia de caras e bocas hilárias, e depois daquela pirueta perfeita eu senti até um certo alívio. Trinity, claro, fez o que faz de melhor com muita sensualidade e competência, e teve até um grande trunfo a seu favor, que foi buscar a interação com Adore durante a dublagem. Eu A-M-O quando essa colação de velcro acontece no palco e, embora seja muito difícil alguém superar a apresentação histórica de Raja e Carmen na season 3, Adore e Trinity também entregaram uma parceria super divertida de se assistir.
O veredito final é que Adore continua, e é o fim da sexta temporada para TKB. Há algumas semanas eu jamais imaginava que diria isso, mas achei lamentável a saída dela, pelo menos antes de Darienne, que segue sendo maçante e pouco acrescentando ao fator entretenimento de RPDR. O lado bom é que acredito que Trinity tenha saído em sua melhor fase, depois de uma leve melhora em sua popularidade e uma visível tentativa de evolução, o que me anima até com uma possível participação no próximo All Stars. Se ela voltar e aplicar essa garra com a qual foi eliminada, mas a partir do início de uma possível nova participação, Trinity pode acabar surpreendendo no futuro.
E assim é formado o Top 6, e cada vez chegamos mais perto da grande final. Alguém aí já arrisca um palpite de Top 3? Semana que vem tem <3 Neil Patrick Harris <3 como guest judge, hein? Eu já estou ansiosíssimo, e vocês? Deixem suas opiniões nos comentários e nos vemos na semana que vem!















