A batalha entre gerações e o duelo das Idols.
Depois das duas partes das premieres nos apresentarem às 14 novas drag queens aspirantes ao título de Next Drag Superstar, era hora de deixar os dois grupos nos quais foram separadas colidirem e ver como seria a interação entre ambos. Assim nasceu o terceiro episódio da temporada, “Scream Queens”.
No fim das contas, o encontro não teve tantas “giletadas” quanto alguns poderiam esperar. Ainda assim, houve uma quantidade considerável de deboche jogado, especialmente vindo de Gia e Bianca, as línguas afiadas de seus respectivos grupos. O choque das personalidades dessas duas é tão promissor que eu não duvido que gere uma verdadeira explosão de dimensões gigantescas dentro daquele loft.
Ok, apresentações feitas, shade distribuído, é hora de mini challenge, onde RuPaul mais uma vez aproveita para divulgar alguma de suas novas músicas disponíveis no iTunes. Dessa vez as gatas têm que colocar seu look Praia Grande Realness e fazer uma combinação de corpos no estilo truque da mágica da serra. O desafio foi hilário, mas o que me assustou foi o resultado, que premiou Adore e Milk, sendo que a última nem sequer fez o tucking direito. Em respeito à classificação etária do horário não vou colocar uma imagem apontando direto para esse deslize de Milk, mas ele estava gritantemente perceptível.
Seguindo adiante, as vencedoras precisaram montar suas próprias equipes para estrelar uma nova franquia de terror, passadas nos anos 60 e 80. Sem nenhuma surpresa, cada uma escolhe as companheiras de seus “grupos originais”, afinal, elas não haviam sequer tido a chance de ver alguma das outras em ação para tentar qualquer escolha estratégica. Melhor lidar com as hot messes do seu grupo, as quais você já conhece ligeiramente, do que arriscar pegar uma Jiggly Caliente da vida na metade alheia.
O interessante desse desafio foi como os resultados finais saíram tão divergentes entre si em questão de qualidade, e mesmo no grupo onde várias performances deixaram a desejar, uma delas foi determinante para afundar de vez um navio que já não ia bem, sendo merecidamente castigada com a terceira eliminação do ano.
Já no quarto episódio, o mini challenge de descobrir se os trechos de fotos mostrados pertenciam a mulheres ou drags foi também divertido de se assistir, porém serviu mais como uma mera plataforma para a segunda divisão entre times, que dessa vez fugiu do óbvio. Ben De La Creme e Adore são membros do primeiro grupo e foram as vencedoras, e dessa vez puderam escolher suas parceiras de acordo com o que já conheciam de cada uma.
O desafio da vez? Um musical que conta a história de uma drag queen que busca e alcança o estrelato, colocando as concorrentes para interpretar os mais conhecidos estereótipos de drag queens através de canto, dança e atuação. Além dos musicais muito me encantarem, os challenges que envolvem música sempre tem aquele motivinho extra pelo qual esperamos sempre que eles cheguem logo – um motivinho conhecido como <3 Lucian Piane <3 (dessa vez acompanhado pela também lindíssima irmã Denise e a pianista Our Lady J).
Espero que não tenha sido excesso de bom humor da minha parte ao assistir o episódio, mas ambos os atos entregues no dia da runway me pareceram formidáveis. Pequenas falhas aqui e ali, porém que passaram longe de tirar o brilho da produção no geral, que conseguiu dramatizar o nascimento, a ascensão e a queda de uma drag star de uma maneira engraçada, fabulosa e que ainda terminou com uma mensagem ao melhor estilo “fim de ano da Globo” versão drag. “Shade: The Rusical” entraria facilmente em um Top 20 melhores desafios de RuPaul’s Drag Race. Palmas aqui para a composição de Piane e, claro, o bom trabalho e química no palco entre as garotas.
Com o bom desempenho geral das 11 participantes, o julgamento de RuPaul teve que ser extremamente minucioso e, assim, mesmo nenhuma delas tendo sido um completo desastre no musical, imperfeições não tão gritantes como algumas do terceiro desafio foram penalizadas dessa vez.
Ok, agora que já refrescamos a memória com os insanos desafios propostos pelo host, vamos avaliar como foi cada uma das drag queens nesses dois episódios. Para tornar as coisas mais interessantes, vamos fazer isso em forma de um ranking, criado a partir das minhas preferências conforme o que cada uma apresentou no programa até aqui.
Preparados? Start your engines, and may the best woman WIN!
12) VI VACIOUS

Depois de passar por um bottom, um candidato desse tipo de competição tem a obrigação, mais do que nunca, de provar sua competência e o porquê de merecer continuar ali. Mas o desempenho de Vi em “Drag Me To Hell 5” foi, para dizer o mínimo, medíocre.
Li comentários sobre uma possível manipulação por parte da edição para a atuação de Vi como “cabeça na caixa” ser tão ruim, afinal normalmente usam-se os melhores takes de cada uma para criar um produto final da melhor qualidade possível. Apesar de não descartar completamente essa possibilidade, afinal o mundo do entretenimento por trás das câmeras é cheio de segredos que às vezes nunca chegam aos nossos ouvidos, não duvido nada que aquela tenha sido mesmo a “melhor” performance de Vi nas gravações.
Admiro o respeito de Vi pelas origens e sua decisão de não deixar de se montar como uma club kid na sua mais pura essência. Contudo, a melhor maneira de impor um estilo tão diferente das demais era através de bons desempenhos e uma personalidade capaz de afrontar as outras… e não foi isso que ela fez. No Untucked!, quando perguntadas quem deveria ser mandada de volta para sua terra, todas as suas parceiras de time deram o seu nome. Fiquei como uma daquelas crianças dos filmes que gritam freneticamente “Briga! Briga!” toda vez que há pancadaria na escola, esperando por qualquer tipo de defesa ou reação, o que não aconteceu.
RuPaul’s Drag Race é como uma selva, e se você joga acuada demais, acaba sendo devorada.
11) TRINITY K. BONNET

O que Trinity fez nesses dois episódios foi transbordar preguiça por cada poro de seu corpo. Está sempre incrivelmente bela na runway, porém fora dela às vezes passa a impressão de que nem quer estar ali, me fazendo tremer as estruturas de medo dela ser uma nova Tyra (já pensou, “the other-other Tyra”?).
Nos ensaios, foi a que mais deu trabalho, chegando até a fazer Ru levantar do seu banquinho e sair de mansinho pra ensinar a gata a como se portar diante de uma câmera. Se no curta de terror Trinity saiu ilesa pela existência de atuações piores, no musical ela fez dupla com Bianca – com quem teve atritos em ambos os episódios – e foi completamente ofuscada por ela.
10) DARIENNE LAKE

Darienne Lake faz seu início de jornada – e acredito que esse início vai acabar virando reta final em breve – oscilando entre os extremos do bom e do ruim. Em “Drag Me To Hell”, Darienne realmente surpreendeu ao fazer de um papel potencialmente tosco e que poderia derrubar facilmente alguém – tanto que derrubou Vi -, uma interpretação que brilhou dentro de seu grupo.
No entanto, na semana seguinte já estava Lake de novo entre as piores da semana. Como dito anteriormente, as mais sutis das falhas foram cruciais nesse challenge, e em alguns momentos Darienne pareceu um pouco perdida, com olhares desviados e fora de sincronia com a parceira de comedy queens Gia, bem como com o restante do grupo. E ainda acho que ela está jogando safe demais com os looks, sempre básicos e sem nada memorável.
09) APRIL CARRIÓN

O carisma de April e suas visíveis tentativas de melhora me fazem desejar colocá-la um pouco acima nesse ranking, mas não foi possível depois de ver o que ela entregou em ambas as semanas. Ao interpretar a drag “machona”, April forçou tanto, mas tanto, que até Laganja pareceu natural perto dela – o que eu não imaginava ser possível. Já no musical, seus momentos eram divididos entre ela, Laganja e Joslyn e, além de April não se destacar no meio delas, pecou ao sair da melodia em alguns momentos. Deixar a desejar tanto por duas semanas seguidas é uma fatalidade quase certa, e assim nem o ótimo look com o guarda-chuva poderia salvá-la de ir ao bottom.
08) LAGANJA ESTRANJA

Laganja Estranja, que eu sinceramente considerava a maior promessa do pré-show, está ficando só na promessa mesmo. Ela é tão desesperada pelo spotlight que acaba tropeçando frequentemente no próprio exagero. Se cinco das dezenas de palavras que saíram da sua boca nessas duas últimas semanas pareceram naturais, foi muito. E toda essa percepção de que Laganja força a barra se exponencializou no último Untucked!
Tenho uma aversão declarada a dramas exagerados em reality shows, mas também não sou coração de pedra e confesso que me derreti levemente com a mensagem deixada pelos pais da drag. Estava tudo indo muito bem, um momento emocionante, que talvez até ajudasse os fãs a se apegarem a ela um pouco mais ou odiarem um pouco menos… até que Estranja estraga tudo com aquele drama exageradíssimo e totalmente forçado sobre aquele ser o momento dela e as outras tentarem roubá-lo. Please, bitch, menos, muito menos. Se você ainda não conseguiu ficar entre as melhores da semana uma vez sequer, corra atrás do prejuízo ao invés de choramingar por airtime no Interior Illusions Lounge.
07) JOSLYN FOX

Talvez minha maior surpresa até esse momento, Joslyn continua me irritando com sua voz e risada anasaladas, mas não há como negar que fiquei boquiaberto com sua performance em “Drag Me To Hell”. Sua maneira de exclamar “Gasp!” nas cenas pós-suspense foi muito bem escolhida e utilizada e ajudou muito no quesito humorístico do grupo vencedor. Já no musical, conseguiu fazer o que era possível com um papel de não tanto destaque e ser a melhor de seu trio. No Untucked! do episódio 4, também gostei da forma como ela se colocou na defesa de Milk quando atacada por Gia, embora seu repetitivo argumento de “você é ignorante, você pode não ser ignorante mas está sendo ignorante agora, sua ignorante…” fosse um pouco raso.
06) MILK

Acredito que Milk tenha sido a participante mais difícil de encaixar nesse ranking, mas depois de muito pensar, descobri que na verdade a solução para esse enigma era bastante simples. Milk está precisamente na metade dele porque esse também é o seu status dentro do programa. Se formos dividi-la para avaliação em três quesitos, veremos que em um ela é muito boa, em outro razoável, e, em outro, muito fraca.
Quando o assunto é trazer algo de novidade para a runway, Milk sai disparada na frente de qualquer outra desse Top 12. Em três semanas, a girafona já apareceu com barba, fantasiada de Pinóquio e G-R-Á-V-I-D-A. Isso mesmo, prenha. Já cheguei num ponto em que fico ansiosíssimo para ver a entrada dela na passarela, só para ver qual vai ser a bizarrice da vez que ela trará, algo que só me lembro de ter sentido com algumas de minhas favoritas das temporadas anteriores (Ongina, Manila, Raja etc.) Mas por que então não consigo colocar Milk no mínimo no Top 3 desse grupo atual?
Descendo levemente, Milk entregou nesses desafios algo que foi do bastante aceitável ao bom. Foi convincente no papel da mãe da “cabeça na caixa” e pareceu ter trabalhado bem a afinação e a atuação dramática para o musical, fazendo valer o recebimento do papel que introduzia o gran finale.
Agora, quando se trata do que se passa por trás do palco principal, a coisa já não é satisfatória assim. A garota tem a personalidade de uma xícara de chá de erva cidreira, e nem quando foi questionada de maneira hostil por alguém tão “atacável” como Gia Gunn ela conseguiu tirar alguma coisa de sua manga e teve que contar com a ajuda de Joslyn Fucking Fox para construir algo em sua defesa. Milk tem que tomar muito cuidado para não virar uma Vi Vacious e se omitir tanto a ponto de ser engolida pela competição.
05) GIA GUNN

Tenho ciência de que muitos podem discordar de Gia no Top 5, mas não consigo desconsiderar que a japonesa causa, para o bem ou para o mal, um bom reboliço no meio das dondocas. Gia é boa para o programa, seja para odiá-la, ou odiar a voz de Pato Donalds depois de puxar gás hélio para os pulmões, ou para rir das patadas frequentes que leva de Bianca e de seus ataques delusionais. Juro que prefiro acreditar que era brincadeira com a nossa cara quando ela soltou um mitológico “Não” ao ser perguntada se achava que o curta do grupo rival era em preto e branco porque se passava nos anos 60. “Psicose” mandou um beijão, Gia!
04) ADORE DELANO

Simpatizei com Adore desde o momento de sua entrada, que foi a primeira da temporada, mas a piranha testou minha paciência, tolerância e nervos até “Scream Queens”. O grupo do qual era líder chegou ao set de filmagens bastante despreparado – incluindo a própria Adore -, erro que merecia muito um bottom na fuça. Talvez isso não tenha acontecido por ela ter se virado e conseguido entregar uma performance até levemente engraçada, mas quando se está a frente de uma equipe, esse tipo de erro não deveria ser deixado de lado.
A chance de Adore se redimir era, obviamente, o musical. Adore já tinha alguma experiência em performances ao vivo devido à sua participação no American Idol em 2008. Felizmente, Adore não decepcionou e fez uma ótima interpretação. O problema é justamente o fato de que o êxito de Delano já era esperado, e agora virão outros desafios nos quais ser uma boa cantora não será mais suficiente para mantê-la viva na competição. É bom que ela eleve o nível e não faça lambanças como nos dois primeiros desafios dos quais participou.
03) BEN DE LA CRÈME

Logo no primeiro episódio, Michelle Visage cantou a bola de que a personalidade de Ben era facilmente enjoável, opinião da qual eu compartilhei e imaginei que a essa altura do campeonato já se concretizaria. Felizmente, estava enganado.
Ben sabe utilizar com maestria seu personagem exagerado ao extremo e aplicar isso aos desafios de atuação, colocando-a sempre em positiva evidência. Sua performance como a “Shady Queen” foi a mais surpreendente, sendo que até os vocais estavam no ponto certo. Além disso, já mostrou versatilidade nos looks e dedicação aos challenges, e para mim é uma aposta quase certa de Top 5 da temporada.
02) COURTNEY ACT

Courtney é outra que me fez pagar a língua por ser muito mais do que uma simples fishy queen. Engraçada e carismática, Courtney agarrou com unhas e dentes a maior oportunidade que tinha para brilhar e entregou Marilyn Monroe Recém-Chegada em New York Realness com seu papel de Penny boazinha, esbanjando humor e seus talentos vocais (rolou uma desafinada muito feia no “I’ll make you love me” antes de beber a fishy oil, mas isso não é The Voice então dá para perdoar). E eu conheço mulheres que matariam para ter essa carinha e esse corpinho de boneca.
01) BIANCA DEL RIO

Não consegui sequer cogitar qualquer outra queen para estar no posto mais alto desse pódio a não ser a rainha do shade da temporada. É incrível como essa piranha é afiada e tem uma piada na manga sobre absolutamente tudo, e como mesmo assim eu ainda não me cansei do humor dela, que é fugaz e eficiente.
Mas shade não ganha esse programa por si só e Bianca sabe disso. E por isso mesmo ela não fez feio em nenhum desafio até agora, extraindo o máximo de seu curto papel no curta de “terror” e provando versatilidade ao incorporar, no musical, o oposto de seu estilo de drag, uma pageant queen, e ainda engolir a gata com a qual estava fazendo dupla, quando essa estava em sua zona de conforto.
Dito isso, não imagino, nem nos mais remotos dos meus pensamentos, um Final 3 sem Bianca. É ilógico nesse momento. E vê-la destilando veneno da melhor maneira até lá será uma delícia.
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No terceiro episódio, o bottom é formado por April e Vi Vacious. A música selecionada é alguma coisa aleatória da Selena Gomez – que aparentemente foi escolhida apenas por egocentrismo de Ru, que pelo jeito adora a música -, o que obviamente gerava uma vantagem natural para April, afinal ver uma drag como Vi dublando a voz juvenil e estridente de Selena ficou estranho. Sem muitas surpresas, VV recebe o terceiro sashay away da temporada.
Já depois do musical, April enfrenta novamente o risco de eliminação, dessa vez ao lado de Trinity. Ao som de “I’m Every Woman” (Chaka Khan), ambas quase se rasgaram por dentro na dublagem, mas, seja ou não pelo fato de ser sua segunda vez no bottom, April foi mandada embora.
E vocês, o que acharam das eliminações? Justas? E quais são as suas favoritas? Alguém aí com um ranking parecido? Deixem suas opiniões nos comentários e nos vemos na semana que vem!















