
Revolution não melhorou, foi tudo só uma alucinação.
Spoilers Abaixo:
Nem em mil anos, alguém vai conseguir me convencer que o criador de Revolution apresentou esse projeto do jeitinho que estamos vendo ele no ar. Nenhum showrunner do planeta ficaria confortável em entregar um projeto que não tivesse nem um pingo de identidade e fosse uma colagem descarada de outros sucessos da TV. O que o querido Eric (que tem sua própria voz em Supernatural) fez foi adaptar-se ao que o mercado parece querer consumir.
Essas adaptações são complicadas… Conseguiram só descaracterizar o projeto, condenando-o, possivelmente, ao destino fracassado de Alcatraz. No entanto, com uma pequena diferença que parecia promissora: Revolution acertou em alguns momentos, por menor que tenha sido esse acerto, e com algum esforço poderia ressurgir das cinzas.
Mas não. Essa semana deram três passos pra trás e entregaram um episódio sem importância nenhuma, que foi tão irrelevante que minhas anotações sobre ele couberam em quatro linhas. E isso assusta, porque logo depois de uma semana com até mesmo algum norteamento psicológico, vimos tudo isso cair por terra e perder completamente o foco.
Dividiram a narrativa entre a jornada de Charlie e o trabalho de Rachel. Fico com a jornada de Charlie, por pior que tenha sido, uma vez que o trabalho de Rachel faz parte de um setor do programa que merecia ser implodido. Chega me deu uma coceira ver a personagem trabalhando numa “máquina amplificadora” de energia, que com louvor, ajudaria Monroe a “dominar o mundo”. Parabéns para os roteiristas, que foram gênios nesse argumento que meu sobrinho de 8 anos também usa para criar suas histórias de super-heróis. Volto a dizer, não vejo o menor sentido em Monroe querer estabelecer a energia que uma vez extinta, foi o que proporcionou a ascenção dele ao poder. E não vou nem falar daquele papo de “caças” e “tanques” porque é de dar azia. A Disney faz um trabalho de motivação do vilão mil vezes melhor do que esse… Mal posso esperar pra ver Monroe com seus tanques de guerra destruindo uma civilização que já está destruída…
A parte em que continuamos a acompanhar Charlie também foi de dar nos nervos. Eu gosto MUITO dessa coisa de alguns personagens saírem numa jornada em direção a um clímax, mas no caso de Revolution, é difícil me importar com gente que fala e faz tanta besteira. E quanto mais eles choram e dramatizam o ridículo, mas ridículos eles parecem.
Entraram numa linha de transporte subterrâneo. Aí Charlie pisou numa mina… Super-Nora entra em ação e salva o dia. Uma parede desaba e tranca-os lá dentro. Então eles seguem de boa, sem cansaço aparente, sem respiração ofegante, apenas tendo uma visão estranha aqui ou ali. O suficiente para Aaron vir com essa pérola do diálogo absurdo: “As visões… Tudo faz sentido…”. E magicamente, todos descobrem que o ar do canal está acabando. E pra um canal grande como aquele, acabou bem rápido. E o melhor de tudo é que Aaron diz também que as alucinações são “o último estágio” da falta de oxigênio. Beleza… Nem passamos pelo primeiro, fomos direto para o último.
E aí começa o show de visões, que no fim das contas, só serve pra comer tempo. Alguns tiros, alguém quase morre (como em toda semana), tem aquela cena em que os que não foram feridos imploram pela vida do atingido (como em toda semana) e o atingido acorda para alegria dos espectadores. Eba! Nada mudou e tá tudo tranquilo…
Eu adoraria, de verdade, que os objetivos dos roteiristas pudessem transpassar esses problemas, mas é difícil. Eu quero embarcar na luta dos personagens para lidarem com seus fantasmas pessoas, eu quero torcer por Miles atormentado pelo passado sangrento, eu quero torcer pelo encontro de Charlie com o irmão, mas não é fácil… As histórias tomam liberdades tão absurdas às vezes, que tiram a concentração e enfraquecem a verdade dos eventos. Enfim…
No final, ficou a promessa de que semana que vem as coisas esquentem um pouco. Com todo aquele absurdo no QG de Monroe, começo a torcer pra que Miles e Charlie nunca cheguem por lá. Acho que uma Revolution focada no presente da civilização seria muito mais interessante do que passar tanto tempo tentando configurar um futuro.














