O brilhantismo de Vitorinha Figueroa.
Meus caros Revengers, me belisquem, porque eu só posso estar sonhando! Custei muito a acreditar no que Revenge nos entregou nesta última semana. Em pleno antepenúltimo episódio de toda a série, Sunil Nayar resolveu nos presentear 40 deliciosíssimos minutos de Amanda Clarke finalmente se dando mal? Finalmente um plano contra a intocável Emily Thorne deu certo? Não, não é possível!
Pois essa foi a realidade maravilhosa de Aftermath. Como esperado, Vicky resolveu fazer a Laurinha Figueroa de Rainha da Sucata (quem comentar “não é do meu tempo” entra na minha lista negra de carinhas para fazer um X vermelho num futuro bem próximo!) e bolar o plano extremo contra sua inimiga, destruindo a própria vida para garantir que a de Ems se torne um inferno. Vamos combinar que é um plano muito digno. Convenhamos, diante da grande probabilidade passar a vida inteira mergulhada na dor e sofrimento que Emily lhe causaria para sempre e depois de ver a rival destruindo sua família como destruiu, não dá pra julgar o fato de Victoria ter preferido morrer para dar seu golpe final – se é que morreu mesmo, porque em Revenge não é nem um pouco difícil trocar os registros da polícia para que a arcada dentária da defunta bata com os dados de Victoria. Mas, de uma forma ou de outra, se a criatura está preparada para pôr um fim à própria existência, não há maneira melhor de morrer do que essa: feliz, triunfante, sabendo que estaria ao mesmo tempo destruindo sua rival.
Fiquei um pouco chateado por Louise, pra ser bem sincero. Dá muita pena de alguém que, não importa de que lado esteja, é apenas usada como peão por seus aliados. Apesar de ter sido ludibriada por Ems e Nolan por um pequeno período de tempo, o sentimento da ruiva por Victoria é muito verdadeiro, e foi justamente ele o que a trouxe para o nosso universo e a fez ser amada pelo público dessa forma. Louise merecia um pouco mais do que ser usada pela rainha nesse plano, e já estou com o coração apertado imaginando a devastação que vai ser o momento em que ela descobrirá a verdade. Louise é uma das poucas personagens da nossa série legitimamente dignas de um final feliz.
Mas Victoria dificilmente conseguiria ser bem sucedida em seu plano se enganasse absolutamente todos, e acabou tendo direito até a um Renato Maia para chamar de seu, conseguindo o cúmplice perfeito para ajudá-la a executar sua cartada final: Mason Treadwell. Depois de Emily ter descumprido o acordo que havia feito com o jornalista, não podemos culpá-lo por ter corrido atrás da sua própria revenge. Esse foi inclusive um furo injustificável dos planos de Ems. Como é possível que nossa heroína tenha achado que Mason se resignaria depois de ter sido ludibriado por ela?
Não poderíamos ter testemunhado um plano mais perfeito. Emily realmente achou que estava lidando apenas com Mason, em vez de contar com a possibilidade dessa parceria extremamente sorrateira. Quem mandou Nolan incinerar a câmera-baleia? Victoria finalmente conseguiu planejar tudo furtivamente, e foi isso que fez a diferença para que, desta vez, todas as provas plantadas e todos os movimentos contra Emily tenham dado certo. Muito bem jogado, Vicky. Pela primeiríssima vez, a rainha branca está em xeque no nosso xadrez novelesco.
Só achei que, para tudo ficar completo mesmo, Vicky deveria ter tido alguma responsabilidade no fim do namoro de Nolan com seu boy novo. Já que a série fez tanta questão de dar atenção a esse arco e de fazer os dois terminarem, nada mais justo do que nossa majestade reinar também sobre seu inimigo mais velado.
Até porque o motivo do rompimento foi extremamente forçado. Ninguém termina com alguém que gosta porque vai ter um filho. Ainda se Revenge fosse um novelão brasileiro, essa história teria feito mais sentido, visto que aqui as forças conservadoras (ou seja, a ignorância) têm voz demais, e um homem solteiro que foi aprovado para adotar uma criança pode temer perder o filho caso se envolva com alguém do mesmo sexo e queira formar uma família de dois pais. Lá, o conservadorismo não é muito mais do que uma voz que ecoa ao longe, famílias formadas por pais homoafetivos já estão mais bem incorporadas à cultura norte-americana. Por isso, esse draminha acabou sendo difícil de engolir. Não que eu me importe muito, porque prefiro o Patrick, mas, por ser o personagem que melhor representa a voz e o perfil do público de Revenge, Nolan bem que merecia terminar essa série feliz, independente e desfrutando do brilho próprio que sempre teve, mas nunca enxergou em si.
Sunil Nayar já prometeu, em todas as entrevistas, não nos decepcionar neste finalzinho de Revenge e entregar um series finale espetacular. Logo avaliaremos se ele terá conseguido cumprir essa promessa, mas, por enquanto, minha fé está gigantesca. É claro que Emily conseguirá se livrar da cadeia, seja provando a própria inocência (vamos combinar que a coisa mais fácil para alguém como Nolan deveria ser recuperar o vídeo de Victoria), seja desaparecendo de alguma forma, mas torçamos para que a situação seja resolvida de maneira satisfatória e para que Revenge fuja ao máximo do clichê do final feliz.
Já ouvi muitos fãs da série dizendo que decidiram considerar o season finale da temporada passada como o último episódio em razão da perspectiva de um happy ending para Emily na ocasião. Pois, inspirado por essa turma, fiquei extremamente feliz ao perceber que, caso eu não goste da nossa finalização no próximo dia 10, já tenho um series finale alternativo crocantíssimo para chamar de meu, e ele atende pelo nome de Aftermath! Porque nenhum happy ending conseguiria anular a alegria que foi ver Ems sendo finalmente pega de surpresa, sendo obrigada a engolir uma Vicky virtual triunfante divando completamente e sambando naquela carinha loira. Tudo para ser em seguida presa pelo próprio ex-namorado recalcado e arrastada aos berros para aquele carro de polícia, pulsando de ódio daquela que, quer ela queira, quer não, apenas espelhou-se na pessoa destrutiva que a própria Emily escolheu se tornar antes de finalmente provar uma dose cavalar do próprio remédio. Muito obrigado, Revenge!















