Que soninho…
Quando o arco de Malcolm Black foi encerrado com tanta pressa, comentei sobre o quanto essa decisão era uma faca de dois gumes. Isso porque ver nosso elenco inteiro reunido em torno de um objetivo comum era, sim, algo delicioso de ver, e algo que nos proporcionou a união mais divônica dos últimos tempos em uma série. Mas, por outro lado, ficava a questão: para onde ia Revenge a partir daquele momento?
Ao decidir que Victoria se sacrificaria por Emily, Sunil Nayar posicionou-se de uma maneira muito clara: não havia mais a intenção de ter a personagem de Madeleine Stowe como protagonista. Victoria foi totalmente desvinculada da Revenge de Ems por razões muito simples, sendo a primeira delas o fato de a personagem ser uma maravilhosa e a segunda o fato de ela já estar na pior. O terceiro motivo tem a ver com o evidente estabelecimento de que o amor de Vicky por David Clarke era legítimo, ainda que a relação dos dois tenha sido doentia do início ao fim. Dessa forma, por compartilharem o amor (e amores distintos que não concorrem entre si) pelo mesmo homem, Ems e Vicky ficaram impedidas de se autodestruírem na guerra que até então travavam. Entramos, portanto, numa espécie de impasse dramatúrgico.
Para cobrir o vácuo deixado pela relação de antagonismo entre as duas principais personagens da série, Margô foi a escolhida para substituir Victoria no papel de atormentar nossa heroína. O problema é que Margô nunca será Victoria, e, portanto, nunca será páreo para Emily. Assim, seguimos céticos diante dessa nova guerra, e convenhamos: os três episódios que vilanizaram Margô não tiveram sucesso algum na tentativa de lhe dar alguma credibilidade aos nossos olhos.
Surpreendentemente, o episódio desta semana parece ter dado um ponto final – ou talvez um “ponto parcial”, se é que isso faz sentido – nesta péssima fase pela qual Revenge vem passando. De repente, um sem número de pontas soltas foram atadas bruscamente, e parece que jamais voltarão a ser importantes na série.
Tomemos como exemplo a aliança entre Lyman e Victoria, que já começou em Retaliation sendo desfeita para nunca mais voltar. Passamos o episódio passado inteiro sendo ludibriados em direção a um grande arco de disputa judicial e de união dos dois para destruir Natalie. Tudo em vão. Aparentemente, isso só serviu para Stowe divar em Bait, mesmo.
Falando em Natalie, essa foi outra que, depois de tanto prometer, foi destruída pela Rainha com a maior facilidade do mundo. Ok que Vicky é realeza, mas, se era pra acabar de maneira tão boba e simples, precisava mesmo ter dado tanto destaque a esse arco? Sério, que tipo de iniciante planeja uma armadilha tão tonta quanto aquela contra David? Como que a criatura me põe tudo a perder com um plano imbecil desses? E o MOTIVO de ela querer ferrar David? Que coisa horrivelmente forçada!!! Conrad certamente está se revirando no túmulo pra tentar sair e gritar “ESSA MULHER NÃO ME REPRESENTA!!!!”. E, enquanto isso, os deuses da vingança se desesperaram em seu Olimpo ao ver a série fazendo um movimento desses. Vai ver são eles os responsáveis pela atual crise de audiência.
De qualquer forma, não posso dizer que não avisei que Gina Torres não traria nada de interessante para a série e corria um sério risco de arruiná-la, e isso não tem nada a ver com o meu amor por Victoria. Sou #TeamVicky, mas ainda não estou gagá, não, amigos, e conheço Revenge bem demais pra me iludir com essa personagem. Mas fica o meu joinha pela menção à inquebrável Lydia Davis. Vai que ela ouve o chamado e volta à série para nos alegrar mais um pouco?
O que dizer, ainda, do arco mais desnecessário DA HISTÓRIA DAS SÉRIES? P-A-R-A Q-U-Ê sou obrigado a ver Jack fazendo órgão excretor doce para trabalhar com Nolan? Ah, me poupem!!! E, sim, tô em #modorevoltz , mesmo. Tem mais é que ir preso por dirigir bêbado, que agora você merece, seu inútil! Por sinal, acho seguro dizer que todos aqui somos a favor de dar o prêmio “Pai do Século” para Jack, que esbanjou química com a criança na cena em que ele diz ao filho duas vezes “Tenho que ir, ok? Tenho que ir!” e sai andando. Paizão, esse.
Acho que estou escrevendo tudo isso apenas para adiar ao máximo o momento de falar sobre a empreitada de Emily e Ben, o casal mais chato e sem sintonia de todos os tempos da última semana (muito por culpa do intérprete canastrão deste último, mas, canastrice por canastrice, Josh Bowman ao menos ainda tinha lá sua maneira torta de ser carismático). Imagino os roteiristas bolando esse arco e pensando em nós, assistindo, extasiados, gritando uns para os outros: “Uhuuuulllll Ben e Ems vão viajar atrás da ex-mulher avulsa pra protegê-la de um ex-condenado mais avulso ainda!!!! Que DEMAIS!!!!”
E Lyman procurando Louise depois de ter absolutamente todas as portas fechadas para si? Se eu pudesse, teria eu mesmo interditado aquela anta ruiva, porque não tem condições de uma pessoa que cai nessa ser mentalmente sã. Não sei se toda a crise no “casamento” que essa história toda desencadeou foi pensada para que começássemos a shippar Nolan e Louise (Nouise? Lolan?), mas, pra mim, não funcionou nadinha. A química entre os dois é maravilhosa, mas é uma química de BFFs, e torço de coração para que Nayar não esteja pensando em mudar isso (sdds, Patrick, que, esse sim, formava um casal interessante com nosso nerd). Por favor, Nolan, continue tirando a aliança e pegando os boy do iatismo tudo.
Apesar de tudo, a morte tosquíssima de Lyman (adeus, 437º parente avulso) acendeu em mim uma legítima centelha de esperança em Revenge. É claro que a única frente de ataque de Margô que não estava sendo prevista por ninguém acabou sendo eliminada ao acaso, porque Revenge é assim, esforçadíssima em termos de roteiro. Mas, ainda assim, adorei a decisão e o modo como ela foi executada. Eu havia identificado visualmente uma “Lindsay Lohização” de Louise, que parecia um tanto descabelada e descuidada nesse episódio (ou seja, ficou com mais jeito de doida) em comparação com vários visuais anteriores que eram pura delícia ou puro glamour. Ao fim do episódio, compreendi por quê, e já estou desesperado pra ver o que esse evento desencadeará no frágil cérebro de nossa querida maluquete, e quem ela trancará na sauna da próxima vez. Que ansiedade!
Além disso, agora que Victoria está rycah novamente, tomando seus bons drink, será que Ems voltará a pensar em se vingar dela? Afinal, a ideia era ver a rainha destronada, infeliz e miserável para o resto da vida. Talvez a rivalidade Ems vs Vicky volte, no fim das contas. E talvez David tenha que ficar no meio, fazendo malabarismo com as duas porque não quer que nenhuma saia mal dessa história. Certamente isso seria muito mais interessante de ver do que essas tramas chatas que tivemos recentemente.
Dessa forma, ainda não tenho certeza de como me sinto diante de todo esse desespero para fechar subtramas e tudo vai depender do que o futuro nos reserva, mas uma coisa é certa: Retaliation é um sério candidato a episódio mais entediante de Revenge. Esse foi o custo de dar tanta importância a tantos arcos inúteis ou sonolentos. Mas, se isso significar que a recente trinca de episódios que pode ser resumida pelos antagonismos Emily x Margô e Vicky x Natalie foi enterrada de vez e que Revenge está seguindo em frente (com um pouco de sorte, em direção ao seu final), então toda essa sonolência terá valido a pena. Assim, ainda que esteja duro querer seguir para o próximo episódio diante do baixo nível do material que este nos entregou, torçamos e tenhamos fé no nosso ex-novelão favorito, em nome de tudo de bom que ele, até há pouco tempo, conseguia nos proporcionar.
















