Um episódio que veio para testar a nossa fé na terceira temporada.
Há algumas semanas, a tendência geral entre os Revengers era comentar o quanto nosso novelão favorito havia voltado bem, trazendo de volta tudo o que amamos e incorporando novidades extremamente bem-vindas (oi, Patrick!). Infelizmente, o preguiçoso Control veio para pôr à prova nossa capacidade de seguir em frente acreditando nisso – e nada poderia ilustrar melhor um episódio, não diria ruim, mas ao menos dispensável, do que nossa querida Charlotte, não é mesmo?
É importante entender que, quando chamo Control de episódio preguiçoso, não refiro-me ao texto, que continua nos entregando inspiradíssimas alfinetadas e tapas de luva pra ninguém botar defeito – Vicky, por exemplo, finalmente decidiu reagir e rebater à altura as provocações de sua querida norinha, com seu delicioso “Espero que nossas compras de vestidos para o casamento não se revelem um exercício em vão… de novo.” Mas, com exceção dessa preocupação bacana com os detalhes que Revenge sempre teve, o que vimos foi um retrocesso em praticamente todas as tramas da série.
A primeira delas, que não podemos deixar de comentar, foi Daniel nos enchendo de orgulho e mostrando que ainda é o banana número um do mundo das séries. Foi só Emily dar uma choradinha que ele voltou todo pimpão para o lado dela. O fato de a trama do casamento ter voltado à estaca zero não chega a ser um problema, porque, como já havíamos estabelecido antes, isso precisava acontecer para chegarmos ao fatídico dia dos tiros em Emily vestida de noiva. Sabíamos que a esperteza de Daniel era algo temporário, um raro período de sinapses de seus neurônios comumente adormecidos.
O que incomoda aqui é a tal “ideia brilhante” que Emily usou para convencer o noivo: contar a própria história, fingindo ser a história da verdadeira Emily Thorne (RIP). Foi uma verdadeira novela (no mau sentido, desta vez), com direito a conselho de Nolan de que “Daniel quer a única coisa que você não pode dar: você mesma” seguido de inspiração para um novo plano. Mas será mesmo que precisava tudo isso pra dar uma choradinha e enganar o rapaz? Ora, esse suposto novo passo dado por Emily não tem nada de “ser ela mesma”. O que Nolan quis dizer tem muito mais a ver com espontaneidade do que com chororô, e só o fato de a história de Emily ter sido minuciosamente planejada (com direito a roubo de fotos pessoais de Amanda) já tira seu comportamento do espectro dos possíveis atos que representariam “ser ela mesma”. Emily não fez nada de realmente diferente, e mesmo assim Daniel caiu como um patinho – o que, convenhamos, também não chega a ser nada diferente, e não deixa de ser divertido vê-lo sendo manipulado por Victoria de um lado e por Emily do outro novamente, mas então, pra quê essa fase espertão? Fica parecendo as famosas “barrigas” de novelas brasileiras que precisam preencher 200 capítulos – com a diferença de que Revenge ainda não tem nem 50.
O curioso dessa história foi que ela me fez questionar os planos de Emily: por que, afinal, casar-se com Daniel ainda é tão importante? Curiosamente, recebi essa mesma pergunta do leitor Fernando Galacine um ou dois dias depois de ela também ter passado pela minha cabeça. E a resposta não é tão óbvia quanto pode parecer.
A série estabeleceu, em um diálogo entre Emily e Jack na première, que a ideia de se casar vem do fato de que Emily “pretende derrubá-los no casamento”. Portanto, há algum plano do qual ainda não temos muito conhecimento sendo traçado aos poucos por Emily. Mas, mais do que isso, acredito que, assim como aconteceu na primeira temporada, Daniel era o caminho mais fácil de Emily para a mansão dos Graysons, para a descoberta dos podres da família e eventuais envenenamentos quando fosse necessário – principalmente agora, com Charlotte com os dois pés atrás com a irmã.
Falando em Charlotte, outra história que rodou, rodou e não chegou a lugar nenhum foi a da sabotagem do carro de Conrad. Em primeiro lugar, assim que Aiden revelou que o culpado era um dos filhos, quem veio à minha mente (e provavelmente na de todos vocês) foi Patrick. Charlotte nunca foi carta dentro desse baralho, e isso não mudou nem mesmo com seu surgimento na mansão dos Graysons para assumir a culpa. Sim, amigos, digo com orgulho que, se minha fé em Revenge tem lá seus altos e baixos, minha fé na irrelevância de Charlotte é completamente inabalável, e, em nome dessa fé, não demorei a desconfiar de que era tudo um plano da nossa Rainha para que Patrick saísse ileso dessa história. E vamos valorizar quem merece, porque foi um plano genial, não é verdade? O problema é que voltamos para onde a temporada começou: Charlotte e Conrad em relativa paz, Jack inocentado e sem inimigos, Aiden sendo a mesma mistura estranha de insosso e mala sem alça ao lado de Emily e ninguém sendo acusado de crime algum. Houve um progresso de Charlotte, que parece ter compreendido a causa da mãe e está em sintonia com ela para proteger Daniel, mas Revenge tem muito trabalho a fazer se quiser que eu comece a acreditar nessa menina.
A única coisa interessante é saber que Patrick realmente pode ser capaz de atrocidades como essa (embora eu duvide de que alguém tenha coragem de dizer que livrar o mundo de Conrad Grayson possa realmente ser considerado uma atrocidade). Mas ainda não é suficiente pra mim. Até prova em contrário, Patrick continua sem motivos escusos para estar nos Hamptons além da mãe. Na verdade, a sabotagem do carro apenas reforça a minha teoria de que há um Édipo gigantesco dentro de Patrick, uma necessidade absurda de conquistar em definitivo o amor da mulher que o gerou apenas para abandoná-lo em seguida.
Patrick tem dificuldades de ver Vicky demonstrando amor por seus dois irmãos e de vê-la presa sob o domínio de Conrad. Por ele, o mundo poderia se resumir a apenas Patrick, Vicky e um boy de vez em quando pra aliviar a tensão (porque vamos combinar que ser filho dessa mulher e precisar tanto do amor dela é uma situação difícil em todos os sentidos possíveis). Aliás, Patrick revelou que Vicky, como toda diva que se dê ao respeito, é pró-gay. Três vivas para nossa rainha não homofóbica!
Mas Patrick, mesmo, esse nem sequer precisou lidar com o arco da sabotagem do carro nesse episódio e, em sua trama principal, foi outro que rodou em círculos. O namorico com Nolan (que, agora todo virtuoso de paixão, segue demonstrando cada vez mais sua intenção de se distanciar das maldades de Emily) já começou enfrentando uma crise, e aqui precisamos respeitar um personagem que, em cinco episódios, conseguiu bolar dois planos mirabolantes, bater a porta na cara de Emily e ainda desmascarar nosso nerd favorito tão rápido. Ninguém em Revenge pode se vangloriar de ter tão eficiente quanto Patrick!
A quem ainda tinha alguma dúvida de qual foi a informação fornecida pela ex-mulher de Patrick, o episódio fez questão de deixar claro que seu único “podre” foi a homossexualidade, e o ressentimento da personagem, podemos deduzir, tinha a ver apenas com ter sido enganada quanto a isso. Fiquei curioso quanto à rapidez com que o rapaz descobriu a investigação de Nolan, e isso pode ser atribuído a uma boa relação com a ex-mulher (o que incomoda um pouco diante do comportamento da moça, mas não chega a ser inaceitável caso o único problema no casamento tenha sido a homossexualidade do marido). No fim, tivemos um piti aqui, uma declaração fofinha ali, mas Patrick e Nolan acabaram o episódio da MESMÍSSIMA maneira como terminaram o anterior: sexo nos arredores da piscina. E Vicky que se cuide, porque Nolan pode ser o Freud de que o rapaz precisava pra curar seu complexo de Édipo e seu desespero pela atenção da mãe!
Dessa forma, Control fez com que todos os personagens (Conrad, Vicky, Aiden, Charlotte, Daniel, Emily, Nolan, Patrick, Jack) andassem em círculos em seus respectivos arcos, muitos deles parando no mesmo lugar de onde saíram há um ou até mesmo vários episódios. Sunil Nayar pode ter sido gênio em fazer com que a segunda temporada desaparecesse sem deixar rastros, mas espero que ele não comece a transformar isso em hábito!
P.S. – Desculpem-me, mas não consigo me importar minimamente com a francesa que só apareceu pra disputar homens com Emily e só serviu até agora para tirar de Vicky um conselho digno de diva que gera título de episódio: “Você pode passar sua vida sendo controlada por homens poderosos… ou pode aprender a controlá-los.” Ainda assim, europeia inútil por europeia inútil, sou mais Ashley, que ao menos era inescrupulosa. Fica a esperança de que Vicky a adote como pupila para ensiná-la a ser do jeito que a gente gosta.















