Os problemas de Ray são bem maiores do que ele imagina.

Spoilers Abaixo:

Depois de quatro episódios, não é difícil afirmar que Mickey é de longe meu personagem favorito do seriado. Jon Voight vem fazendo um trabalho sensacional e rouba todas as cenas em que aparece, inclusive deixando o protagonista Liev Schreiber sob sua sombra. Emmy e Globo de Ouro prestem atenção, pois ele merece no mínimo uma indicação ano que vem. Sendo assim, sempre que Mickey aparece em tela é uma glória para mim. Desde a perseguição psicológica que tem feito com Ezra, até seu momento impagável na biblioteca, ele sempre salva o episódio e isso se tornou ainda mais claro pra mim nestes últimos dois. A visita a sua antiga amante Claudette foi um dos meus momentos favoritos. Mostrou o quanto o patriarca dos Donovan é um personagem complexo. A princípio, Mickey pode parecer alguém bruto, tosco e sem sentimentos, mas a maneira como ele compreendeu que Claudette estava em outro momento, momento esse do qual ele não fazia parte, mostrou uma enorme maturidade nele, que pode passar como imperceptível.

E foi uma grata surpresa ver que a trama que mais promete na temporada é exatamente aquela que o envolve. O policial que o ajudou na sua saída prisão em troca de favores quer mais um servicinho do pai de Angelina. Em troca de se livrar de um retorno à cadeia por conta do assassinato do padre no primeiro episódio, Mickey terá que entregar Ray e seus parceiros Ezra e Lee ao policial. E é aí que vemos mais uma demonstração de consciência nele, sutilmente representada por Jon Voight. Em conflito por ter a ingrata missão de entregar seu próprio filho à polícia, Mickey foi afogar as mágoas dançando como se não houvesse amanhã em um bar gay. Pode parecer sem sentido, mas foi uma simples fuga das complicadas direções que sua vida tinha acabado de tomar. Isso me pegou de surpresa, pois realmente achava que ele não gostasse do filho, entretanto essa primeira impressão estava bem errada.

Passando para os coadjuvantes, vimos que não existe casamento mais tenso do que o de Ray e Abby. Ambos com uma personalidade forte e em constante rota de colisão. Me irrita o constante silêncio de Ray frente às perguntas de sua esposa. Agora, se isso me irrita, imagina a ela? E há a promessa de que mais combustível vai ser posto nessa briga, ainda mais com a chegada do novo vizinho rapper Marvin que promete dividir opiniões devido a um já claro envolvimento com Britney. Fora que Ray não tem sido um bom exemplo pro filho, já que Conor apelou pra violência após ter sido provocado pelo filho mala do Stu. A família vai se desestruturando, o que vai abrir espaço para vovô Mickey ganhar mais espaço na vida dos netos. E, sinceramente, acho que seria uma boa troca.

Todavia acho que meu maior incômodo no momento é a falta de relação dos casos do emprego de Ray com o resto do seriado. Parecem pequenas pausas que a narrativa toma para mostrar o seu protagonista fazendo algum jogo sujo ou batendo em alguém que sequer conhecemos. Isso ficou bem claro no caso do casal que estava sendo investigado por sua equipe. Bem, ao menos vimos que isso traz uma vida ingrata para Ray, já que um cara de quem ele sequer lembrava o agrediu verbalmente na visita de seus filhos à provável nova escola. É a grande prova de que, quando você faz muitos inimigos, você acaba esquecendo-se dos rostos dele. Tome cuidado, Ray, pois o carma é uma merda e um dia ele volta pra te atingir, como um bumerangue em sua nuca.

Em Tempo de Perda de Tempo: Existe plot mais chato que o de Terry tentando arranjar uma namorada? Não, não existe.

Em Tempo de Melhor Frase dos Episódios: “Grandes filhos vêm de grandes fodas” – Mickey Donovan.

Em Tempo de Picuinha: E o que foi Daryll e Bunchy brigando e se tornando mais amigos como duas crianças de 10 anos? Momento fofurinha em família.

Em Tempo de Audiência e Renovação: Três episódios foram o suficiente para o Showtime encomendar a renovação de seu novo seriado. E aí? Felizes com a novidade?

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