
Sorriam! Ou não…
Spoilers Abaixo:
A viúva golpista, o sobrinho ganancioso, o advogado corrupto e o primo honesto. Juntos, esses personagens disputavam uma herança milionária deixada por um magnata excêntrico. O que fazer para ganhar? Simples! Bastava decifrar enigmas pra lá de cabeludos, que os levariam a embarcar em uma grande aventura. Calma, ainda não estou falando de The Goodwin Games. A sinopse descrita é do livro “Corrida Pela Herança” (1994), de Sidney Sheldon, uma das primeiras obras do autor com as quais tive contato nos primórdios da minha pré-adolescência.
Mas o que diabos esse livro tem a ver com a história? Bem, não consegui evitar a associação assim que assisti às primeiras cenas de The Goodwin Games, série da FOX criada pelos produtores de How I Met Your Mother, Carter Bays, Craig Thomas e Chris Harris. A série estreia na próxima segunda-feira, praticamente um ano depois de ser anunciada. Após uma série de indefinições, adiamentos e substituições bastante significativas no elenco, finalmente o produto está pronto para ser apreciado pelos série maníacos, carentes que ficamos nesta época de finales.
“E haja carência pra acompanhar uma série dessas, mas Becki Newton é muito linda e merece”, pensei antes de começar a assistir. Pelo promo, a pergunta que não queria calar era: como aguentar ficar assistindo ao elenco jogando um jogo de tabuleiro durante uma série inteira? Não sei, mas como sou fã de jogos de tabuleiro – e acho a Becki Newton muito linda! –, achei que valia a pena tentar matar a curiosidade. No fim das contas, até que foi legalzinho.
A história começa com a divertida cena da morte de Benjamin Goodwin (Beau Bridges na interpretação mais caricata possível de um ricaço maluco), um estranhíssimo professor de matemática milionário (sim, sabemos que isso não existe e os personagens da série também, mas ele era secretamente um milionário e precisamos aceitar isso para continuar, ok?), fã de jogos e enigmas, que grava uma série de instruções para que seus três filhos quebrem a cabeça, queimem fosfato e identifiquem mensagens escondidas até que o vencedor torne-se seu legítimo herdeiro.
O mais velho, Henry Goodwin (interpretado por um correto Scott Foley), é um médico aparentemente bem sucedido, mas sem vida pessoal, que perdeu um grande amor no passado, Lucinda (Kat Foster) e está para se casar com uma mulher também bem sucedida, mas que os irmãos não aprovam. Dentro do que a família tem a oferecer, é o filho que deu certo.
Chloe Goodwin, a filha linda – sim, se você escala Becki Newton (Ugly Betty, How I Met Your Mother) para interpretar sua personagem, a característica que quer ressaltar certamente é “linda” –, é uma atriz fracassada ainda tentando deslanchar na carreira. A primeira briga dos irmãos no episódio começa com acusações de que Chloe foi a primeira abandonar o pai, o que teria feito com que o falecido desistisse dos outros dois. Esse foi o único segredo aparente que algum personagem vivo pode ter a revelar, o que me fez me interessar bastante por Chloe – o fato de ela ser a mais competitiva dos irmãos também ajuda. Por ser a mais linda dos três, é a única que compreende código morse (sim, essa foi a explicação mais “plausível” que consegui encontrar).
O filho ladrão, Jimmy Goodwin, interpretado por um chato e sem graça TJ Miller, e é o personagem mais caricatural e desinteressante de toda a série. O rapaz acaba de ser solto da prisão, em liberdade condicional, mas não perdeu sua compulsão pelo roubo. Quem tenta pô-lo na linha é a filha, a pequena Piper (a fofíssima Kaitlyn Maher), que o obriga a levar a nota fiscal de todos os presentes que leva.
Assim que o trio (e um estranho) começa o jogo de tabuleiro proposto, fica clara a intenção do pai: fazer com que os irmãos rememorassem suas histórias de família e, com isso, se aproximassem. Eu seguia assistindo aquilo sem imaginar como seria possível que essa série rendesse. Até que Bays & Thomas resolveram sambar na minha cara e acabar com o jogo de maneira inesperada, e com uma resolução que até me divertiu. Incapazes de se unirem, os Goodwins precisam seguir na busca pela herança e, felizes ou não, precisarão voltar a morar juntos para executar a tarefa.
De uma maneira geral, as piadas são bastante fracas. Exemplos são o personagem de TJ Miller tentando explicar que não estava sendo sarcástico ou a de Becki Newton cantando para a advogada do pai (Melissa Tang). Não sei exatamente por quanto tempo esses três vão ter paciência para ficar seguindo as brincadeirinhas propostas pelo pai, e também não sei se acompanhar um grupo de personagens caricatos e sem lá muito carisma ou profundidade será interessante pra nós. Mas Beau Bridges é tão competente interpretando as maluquices do pai nos videotapes post mortem que acaba me conquistando um pouco. Além disso, acabei ficando curioso para saber qual dos irmãos vencerá esse jogo, partindo do pressuposto de que haverá apenas um vencedor. Isso porque piloto deixa a dúvida: será que eles competirão ou precisarão cooperar para vencer? Como boa parte dos destaques do episódio ficam com os momentos competitivos, não tenho interesse nenhum em vez a paz reinando na família Goodwin, embora esse pareça ser o caminho mais provável. No fim das contas, o que espero da série, que já nasceu morta, é um final planejado nesses sete episódios, ao invés de um season finale aberto. Joguinhos e enigmas são bacanas, mas não por anos a fio.
Assim, com a agenda mais tranquila após o fim das temporadas que estrearam na última fall season, decidi que, diante do legado de How I Met Your Mother, Bays & Thomas merecem uma chance com The Goodwin Games. Eu já mencionei que Becki Newton é muito linda?



















