Suits é mais uma série jurídica seguindo o velho formato do caso semanal. No entanto, o diferencial da nova produção do canal USA fica por conta da dupla de advogados mais interessante desde os fantásticos Alan Shore e Denny Crane*. A série é, dessa forma, uma produção jurídica em que o lado jurídico não é o mais importante. Nos dias de hoje, isso é digno de nota.

Spoilers Abaixo:

Eu gostei de Suits logo quando terminei de ler a sua sinopse. Vi ali um potencial excelente para uma série jurídica, e foi com toda essa expectativa recém-adquirida que fui conferir o seu piloto (que foi longo, mas nada que comprometesse).

A série gira em torno de dois homens brilhantes e completamente diferentes. De um lado temos Harvey Specter (Gabriel Macht), advogado bem sucedido, arrogante, trapaceiro, ambicioso, mentiroso e insensível; do outro lado, Mike Ross (Patrick J. Adams), um jovem sem grandes expectativas, mas genial, portador de uma memória fotográfica, gentil, esforçado e amoroso. É da união da personalidade desses dois personagens tão distintos que Suits retira toda a sua força, tornando o que poderia ter sido um episódio maçante, em uma história que vale realmente a pena acompanhar. A apresentação dos dois mesmo, logo no começo do episódio, foi muito boa, mostrando de cara como ambos são bons e determinados no que fazem para sobreviver.

Harvey joga sujo para ganhar, não se importando com as consequências dos seus atos e nem com quem se machucará com eles. Como ele fez questão de frisar durante o episódio, a única pessoa com quem ele se importa é com ele mesmo. Tudo bem que nós sabemos que não é bem assim, e a série com certeza deixará isso mais claro adiante, contudo esse estilo canastrão do personagem não era para ser de fato convincente, mas um embuste, tanto para o público como para os personagens. Harvey é um homem complicado que tenta se afastar dos outros para camuflar quem ele é de verdade por trás de toda aquela imagem que ele construiu para si. Essa faceta ficou evidente no curto diálogo entre ele e a sua chefe, a quem ele aparentemente deve muitos favores. Acredito que alguns segredos sujos do passado do personagem irão emergir na trama, o que pode ser tanto algo bom como ruim. Aguardemos.

Mike é simplesmente surpreendente. Admito que Sean Jablonski (Nip/Tuck) e Aaron Korsh (Everybody Loves Raymond) talvez tenham exagerado um tanto nas características do personagem, transformando-o quase em um super-homem. O mais interessante, contudo, é que Mike lembra bastante, tanto em carisma como em suas atitudes, outro personagem mais famoso do canal USA: Neal Caffrey, da série White Collar. Claro que fisicamente, como você pode notar na imagem acima, ele é quase que um irmão gêmeo do Barney Stinson de How I Met Your Mother. De qualquer forma, o personagem tem personalidade própria e isso é importantíssimo em uma série estreante. Todo o drama envolvendo a sua avó, que foi quem o criou após o falecimento dos seus pais, a relação conturbada com o seu melhor amigo e a óbvia atração que Mike sente pela namorada dele, além das dificuldades de se adaptar a um mundo não só completamente diferente, mas o qual ele não pertence, tem tudo para conquistar a audiência no decorrer dos próximos episódios.

Quanto ao elenco de apoio da série, ele não chega a atrapalhar o andamento da carruagem, o que para uma estréia é o mínimo que se pode esperar. Jessica Pearson (Gina Torres) é a chefe do escritório, mulher de personalidade forte e que possui uma relação não só especial, mas obscura com Harvey; Louis Litt é o advogado que tem por papel tornar a vida de Harvey e de Mike um inferno na firma (curiosamente parece ser esse o único tipo de personagem que o Rick Hoffman sabe interpretar); e, por fim, Rachel Zane (Meghan Markle), que é a investigadora da firma e responsável pelo gerenciamento do trabalho realizado pelos associados, incluindo aí o próprio Mike, com quem certamente ela terminará se envolvendo em algum momento no futuro.

Por fim, resta comentar sobre o caso da semana, que não chegou a ser algo grandioso, mas serviu ao seu propósito, que foi mostrar como os personagens principais agem para resolver os obstáculos que surgem no caminho. Casos de assédio sexual são geralmente complicados e difíceis de serem provados, por isso mesmo considerei um belo primeiro desafio a dupla. Misturando um pouco dos atos ilegais do Harvey com o brilhantismo da mente do Mike, ambos conseguiram montar um caso complicado e vencê-lo sem precisar ir a julgamento, o que aliviou a barra do advogado com a sua chefe e satisfez o esforço de Mike em ajudar a cliente. Espero que os próximos casos jurídicos sejam melhores, pois só assim eu poderei começar a dizer que a saudosa Boston Legal finalmente encontrou uma substituta a altura na TV americana.

E vocês acharam o quê da nova série do canal USA? Comentem.

*Sim, eu disse isso Lucas. Blasfêmia.

A série estreou marcando 4.6 milhões em audiência, o que é ótimo considerando o canal.

P.S: Eu tenho que comprar ternos mais decentes. Terminei ficando com inveja dos ternos dos personagens. Cada um melhor que o outro.

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