
Esse capítulo final conseguiu fechar o arco da minissérie formidavelmente.
Spoilers Abaixo:
Antes de fazer uma análise, cabe elogiar o conjunto dos sete episódios que compuseram a trama. Todos com um propósito de existir e revelando mais detalhes e mistérios sobre a trama, com cada enquadramento possuindo um significado, belíssima direção de arte, tudo feito com mão-de-ferro por Hugo Blick, que consegue a proeza de centralizar tudo em si e ter um resultado mais do que satisfatório. Se na temporada de premiações inglesas não houver menção ou lembrança a Shadow Line, com certeza será uma das maiores injustiças já feitas na terra da rainha.
Além disto, a trama não se prende a ser apenas uma série policial e passando a ser uma análise minuciosa dos rumos que a sociedade moderna tomou. Onde a corrupção tomou conta do governo e existe uma simbiose entre as forças da lei, que em tese deveriam proteger a população, e o crime organizado.
No topo de tudo isto, vemos a figura de Gatehouse. Composto de maneira soberba por Rea, que com sua voz ao mesmo tempo calma e ameaçadora e o porte, dá uma sensação de invulnerabilidade ao personagem. Servindo como uma metáfora para o próprio lado mais sombrio da natureza humana, que desencadeia todos os atos de perversidade que vemos no mundo e que, por mais que as pessoas tentem, parece eliminar todos os que tentam se opor a ele.
Sobre o capítulo, ele conseguiu em menos de uma hora fechar todas as tramas, que poderiam ser consideradas extensas para uma minissérie, o que por si só já é um grande mérito. Não parando por aí, o roteiro ainda justifica o porquê de ter que investir em tantos personagens, já que estávamos durante os sete episódios vendo um período de substituição entre os líderes dessa facção criminosa.
Os enquadramentos são eficientes, sempre procurando achar o posicionamento certo na tela para cada personagem em cada situação. Como na cena que começa com um Gabriel pequeno e em um ponto no centro da tela e, conforme a conversa vai progredindo, ocorre aos poucos um zoom e um traveling para a direita, dando um sinal de crescimento e fortalecimento do personagem para o espectador, porém a câmera nunca deixa englobar Gabriel usando um ângulo alto, mostrando que ele ainda está em posição de ameaçado.
A iluminação também surge correta ao sempre englobar o rosto dos personagens cobertos pelas sombras. E se, a princípio, Gabriel era o único a não aparecer desta maneira, ao tomar uma decisão ambígua ele logo passa a também aparecer da mesma forma que os demais.
A maior parte do episódio focou em Gabriel, mas mesmo assim tivemos Eccleston em um dos melhores momentos dramáticos da série, chorando nas sombras após os eventos que acabam por separá-lo da sua esposa. Falando nele, a última cena em que ele encarna o personagem Joseph Bede é bem construída, desde o momento que ele abre a porta para o seu algoz, até o ápice onde eles entra no carro branco. A escolha dessa cor foi, como toda a direção de arte da série, primorosa , já que remete a uma ideia de puro e sacro, funcionando como um julgamento de valor sobre os atos do personagem.
Entretanto, nada é mais poético do que o final de Jonah Gabriel que acabou percebendo estar lutando contra algo muito maior do que imaginava e teve que escolher entre lutar contra isto e arriscar sua vida ou entrar no sistema e conseguir sobreviver. Morto justamente pela única pessoa que ele ainda confiava, o que já podia ser previsto pela primeira cena do capítulo em que vemos Honey atirando e a câmera a engloba com um ângulo alto, dando a ideia de ameaça por parte da personagem.
Finalizando com uma conversa entre dois personagens, que remete levemente à primeira cena da minissérie, Shadow Line se mostra um estudo curioso sobre as ambiguidades humanas e suas implicações. Servindo desta forma não apenas àqueles que gostam de séries policiais, mas a todos aqueles que se considerarem Série Maníacos.











