Artes marciais, atores competentes, sangue, fantasia e intrigas.

Pouco tempo atrás, me perguntei por que os roteiristas e produtores de Hollywood quase nunca se interessam por um enredo ou uma adaptação de mangá, ou então na adaptação de contos orientais. Apesar do relativismo cultural e a necessidade de se considerar alguns pormenores da história, sempre acreditei que um show assim agradaria uma grande gama de fãs. Histórias da cultura oriental são recheadas de ensinamentos sobre honra, ética, lealdade, além de atribuir ao personagem principal características positivas que motivam sua jornada e é claro, artes marciais.

Assim que comecei a assistir Into the Badlands, senti como se minha pergunta houvesse sido respondida. Não espero que o show se atenha a elementos psicológicos e motivacionais como os mangás, mas a série se baseia no romance mitológico chinês a “Jornada ao Oeste” e isto pode dizer muito coisa sobre o que encontraremos a frente. Não bastasse a referência a obra oriental, a série ainda traz um competente e experiente ator em filmes de artes marciais como protagonista: Daniel Wu, que atuou em diversos filmes do gênero e agora da vida a Sunny, um Clipper, uma espécie de soldado assassino altamente treinado e leal a seu Barão, o senhor feudal a qual pertence. O futuro distópico mostrado em ITB, é resultado de uma sequência de guerras e destruição, que forçou a humanidade a se organizar em feudos dominados pelos Barões, que por sua vez baniram a tecnologia, armas de fogo e religiões. Não tivemos maiores explicações sobre isso, porém não senti nenhuma falta, já que existem outros elementos fantasiosos no show e a proposta do enredo é facilmente absorvida.

Tecnicamente falando, as coreografias são muito bem executadas e a utilização de cabos nos movimentos dá a mesma impressão dos filmes tradicionais chineses. Particularmente isso não me agrada, já que sou do tipo que gosta de coreografias de luta semelhantes às reais – estilo Bourne onde o cara parece foda sem ter que voar -, mas a atmosfera da série, criada através do cenário e da caracterização dos personagens, embasa esse exagero. Somamos isso aos closes em slowmotion visando destacar os detalhes das lutas e o resultado final acaba sendo um misto entre movimentos “possíveis” e bem executado com voos irreais. Espero que com o tempo a coreografia possa apresentar certa diluição do irreal e deixar mais sutil e menos mecânico os efeitos de apoio. De qualquer forma, a qualidade das cenas de ação não perdem em nada para filmes do gênero.

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Todo aspecto apresentado na introdução da história, nos ambientou entre as características do personagem principal, o cenário e suas motivações que o levarão a inevitável jornada que lhe aguarda. É claro que temos clichês, como o filho que tem ciúmes do Clipper preferido do pai, a mãe que procura a todo custo à ascensão do herdeiro (aposto que ela é a responsável pela situação de saúde do Barão Quinn), o mito do “paraíso além das fronteiras” e por aí vai. Porém, em uma era de remakes e seca criativa, não é o clichê que importa, é o que farão com ele.

Into the Badlands é uma boa aposta para quem se interessa pelo gênero de artes marciais com um toque de fantasia. O cenário, que só consigo classificar como o misto entre a china antiga e os Estados Unidos antes da guerra civil, dá personalidade ao show. Será interessante conhecer as particularidades de cada Barão e seus exércitos, a ambição de cada um deles. Descobrir o segredo de M.K. ou como a viúva soube da existência do garoto. E ainda, saber se Sunny trairá seu Barão e partirá para a terra de Azra a fim de garantir sua segurança e a de seu filho e o que acontece com M.K quando ele sangra (podiam ter escolhido melhor o efeito da transformação, os olhos negros já ficaram batidos). O uso de sequências de luta com bastante sangue não atrapalha o desenvolvimento do enredo e esse é um ponto bastante positivo. Teremos seis episódios nessa temporada, ao que parecem, seis episódios de diversão garantida.

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