
Sangue fresco, porém não o suficiente.
Spoilers Abaixo:
Felizmente, está sendo uma boa temporada para os fãs do terror, pelo menos no quesito de variedade. Além de vilões consagrados do cinema adentrando o mundo das séries, têm-se novos produtos no que se diz respeito ao gênero, inclusive também trazendo inspirações cinematográficas para as produções destes. Isto, combinado com a nova empreitada da Netflix na produção de séries originais para o site que já lançou House of Cards e ainda exibirá muito mais material inédito, acaba criando novas experiências entre cinema e TV (que agora se combina à internet).
Hemlock Grove faz parte dessa leva que visa saciar este público que adora tramas sobrenaturais, porém procura por novas aventuras. A história da série se passa na cidade de mesmo nome onde Roman Godfrey (Bill Skarsgård) vive com sua mãe, Olivia (Famke Janssen), e sua irmã-gigante, Shelley. Também moram os ciganos recém-chegados à cidade, Peter Rumancek (Landon Liboiron) e sua mãe, Lynda (Lili Taylor). Ambas as famílias parecem transpirar segredos e após o assassinato de uma jovem estudante, tais segredos podem vir à tona a fim de que se revele o verdadeiro culpado, que pode ser qualquer pessoa da cidade.
A série traz a produção executiva de Eli Roth, que também dirigirá alguns episódios, que já trabalhou em algumas sangrentas obras como O Albergue e Bastardos Inglórios. Infelizmente tais obras não demonstram influência, pelo menos neste episódio, o que se vê claramente é apenas a experiência do diretor neste gênero, porém sem grandes esforços em entregar um material singular.
A primeira expectativa que Hemlock Grove gerou foi a de ser um bom terror jovial, algo como um novo clássico de lobisomem surgindo para um novo público, principalmente depois da conclusão da cena de abertura. Desde seu elenco jovem, até as falas de roteiro tentam expressar o quanto “cool” a história pretende ser. Contudo, o piloto não se sustenta sozinho (ainda bem que a Netflix lança toda a temporada de uma vez), já que o produto final torna difícil gerar conclusões generalizadas sobre a trama que ainda se expõe timidamente. Também há o fato de que muito dos elementos de terror ou suspense que as previews demonstraram, não estavam presentes neste primeiro episódio, logo apenas acompanhando sua continuação poderemos ver como tais cenas funcionam no decorrer dos episódios.
O tempo em que os personagens e os ambientes de Hemlock Grove demoram em serem expostos acaba também consumindo parte de outro tempo que poderia ser muito bem usado para atender as expectativas geradas sobre a trama. Um ponto positivo é que personagens e ambientes, bonitos e bizarros, existem em abundância nesta série, então por mais que não haja muita ação, sempre há beleza ou mistério sendo captado pelas cenas, porém mesmo o terror psicológico nem sempre está presente.
A cena em que Brooke é assassinada lembra tantas outras séries ou filmes que já fizeram algo de forma semelhante, com a ressalva de que foi bem executada, funcionando bem para o início da história. Após as devidas introduções aos personagens, até então, não fica claro porque as histórias de Roman e Peter são importantes uma para a outra, fazendo com que não haja choque ou tensão no encontro dos dois ao final do episódio, pois não sabemos o nível de rivalidade entre eles (se é que há alguma rivalidade). Pelo que foi informado pela produção da série, esse tom introdutório se estende até os dois episódios seguintes, o que pode trazer alguma superação ao que foi apresentado anteriormente e pode definir de vez a abordagem que os produtores usaram durante toda esta temporada.
Ainda não há definição clara, tendo como referência apenas este episódio, do que há entre os dois protagonistas, mas é inegável que há uma enorme química e até certa eletricidade decorrente das cenas que seus olhares se cruzam, ou quando um está espionando o outro. Quando Roman ou Peter estão conversando com alguma das meninas que aparecem durante o episódio também se extrai, em menor escala, um clima típico de séries da CW combinado com algo mais sombrio.
Uma boa parte do episódio dedicou-se a falar de como surgiu a atual estrutura familiar de Roman, que foi o que contribuiu em maior parte para que o enredo demorasse a sair do lugar e, por mais que houvesse a necessidade em explicar tais relações familiares, pouco foi, de fato, explicado. Nas cenas em que Olivia aparece, a personagem não se destaca tanto em cena quanto a atriz que a interpreta, por mais que a história sugira sua grande importância, porém seu papel pode se tornar mais interessante e pode render melhores momentos adiante.
Um dos grandes questionamentos que me surgem em relação à série é sobre o tipo de terror que é utilizado par contar a história. As previews sugerem uma série com terror físico, com uma tendência ao trash ou ao gore, porém os produtores avisaram que a série se baseará mais no terror psicológico. Eu acredito que, para que isso aconteça, a trama precisa nos conectar mais a ela, nos tirando de uma zona de indiferença a fim de que possamos odiá-la ou amá-la. Infelizmente, nenhuma destas duas características ainda foi alcançada com êxito.
Por mais que a trama pareça interessante, a ponto de fazer uma pessoa que se sinta indiferente a ela lhe dar mais uma chance, é preciso delimitar bem o seu estilo visual e narrativo para que o produto final assistido não seja igual a tantas outras séries. Relevo este episódio por seu grande caráter introdutório, mas fica claro que a série precisa dar um pouco mais de seu sangue.














