Chega a ser engraçada a cautela que eu tive com Haven, antes de começar a comentar sobre a série. Já tinha lido a sinopse há algum tempo, e não tinha me empolgado. Claro que saber que ela é inspirada em uma das obras de Stephen King (The Colorado Kid) chamou minha atenção, mas quem conhece sabe: são raríssimas as adaptações dos livros deste autor que conseguem fazer jus a qualidade do material. O que só piorou quando descobri que a história da série é bem diferente da presente no livro. Contudo, o lado engraçado, é que após dois episódios, eu ainda não sei dizer se a série vale a pena.

Spoilers Abaixo:

Uma série sobre eventos paranormais (pelo menos o livro é assim) que é produzida pelo canal SyFy, me autoriza a aguardar dela uma qualidade no mínimo boa no que tange aos efeitos especiais. Não foi o caso de Haven. Os efeitos não chegam a ser iguais aos da “Turma do Didi”, mas se aproximam bastante. Uma falha grave, no meu modo de ver, já que o foco da série é justamente tratar sobre as situações e pessoas estranhas que habitam na pequena cidade.

Mas guardando as críticas para mais adiante, uma sinopse sobre a história da série: uma agente especial do FBI, Audrey Parker (Emily Rose), que costuma enxergar as cenas dos crimes além do que todos consideram ser racional, é enviada pelo seu chefe para capturar um criminoso que havia escapado da prisão. As pistas até aquele momento indicavam que ele estava fugindo em direção a sua cidade natal, Haven. Logo ao chegar a cidade, a agente quase voa em direção a morte quando seu carro perde o controle, parando a beira de um precipício. É aqui que somos apresentados a um dos policiais da cidade, Nathan Wuorcos (Lucas Bryant) que termina por se tornar parceiro “de fato” da nossa agente durante sua estadia. Ele a resgata e também já nos revela sem querer que ele, ao que parece, é incapaz de sentir dor. A partir daí, eles começam a interrogar pessoas suspeitas pela cidade, acabam se deparando com gente com poderes e a agente ainda encontra uma possível pista de quem seria sua mãe verdadeira, já que ela foi criada em um orfanato durante toda a sua vida.

Voltando as críticas a série: os dois personagens principais não são carismáticos. Na verdade, são bem apáticos. Acho que a beleza da atriz Emily Rose foi o único elemento atrativo na dupla de oficiais. Outro ponto importante é o modo de agir do delegado, que parece em alguns momentos não apreciar a presença da agente na cidade e em outros age como se ela precisasse permanecer lá por algum motivo. Este último aspecto foi deixado bem claro quando, ao fim do piloto, o chefe da agente aparece na estrada da saída de Haven, ao telefone, dizendo que ela ficaria na cidade e que ela poderia ajudá-los com os problemas que eles vêm tendo. Quais problemas e quem são eles, não sabemos. E, realmente, isso não chegou a provocar minha curiosidade.

Fato é que Haven poderia ser melhor, mas não é. Só que também não chega a ser péssima. E retorno aqui ao que afirmei no primeiro parágrafo: realmente não sei dizer se a série vale ou não a pena. Sei, entretanto, que o modo de conduzi-la até o momento não é o ideal. Especialmente por ser no estilo “caso da semana”. Uma série dessas não pode funcionar neste tipo de modelo se não houver personagens fortes e interessantes ao público e, particularmente, se não existir uma mitologia bem trabalhada e apresentada.

Sinceramente, espero que Haven melhore. Lembro que também não cheguei a me empolgar muito com Fringe (para ficar numa comparação) logo no início de sua primeira temporada, mas no fim a série cresceu e nos deu uma ótima segunda temporada. Quem sabe, com o incremento de personagens mais atraentes e de histórias interessantes (e desdobramentos menos previsíveis), Haven consiga ao menos se aproximar da qualidade da obra original nos dada pelo mestre do terror, “Mr”. King.

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