Carlton Cuse, Josh Holloway e intrigantes invasores. Déjà Vu? Sim. O que estes velhos conhecidos querem fazer conosco desta vez?

Talvez por conta da baixa expectativa e também da flopada monstruosa de Intelligence (CBS) – que trazia Holloway no papel principal –  muita gente tirou os olhos da nova atração do canal USA. Um roteiro misterioso, um bom elenco e mais uma séries de perguntas feitas no piloto são alguns dos fatores que chamam atenção para nova atração da grade americana que estreia em janeiro.

Em Colony muita coisa lembra LOST; as tomadas de câmera distantes, com foco no cenário, a presença canina inseparável de Katie e o visual desleixado de Sawyer Will; além dos textos que não dão nomes aos visitantes ocultos. Cuse parece querer se redimir de uma proposta não mais facilmente aceita pelo público americano, hoje adeptos de realidade fantástica, séries originadas de quadrinhos ou terror apocalíptico. Ninguém tem mais paciência para uma saraivada de perguntas acompanhada de respostas insatisfatórias.

Uma das boas notícias fica por conta que Nova Iorque (ao menos por enquanto) foi deixada em paz e Los Angeles / Santa Mônica (Califórnia) são as bolas da vez. Sob um céu azul, vigilância urbana, toque de recolher e vida de subsistência intensa, que a família Bowman tenta levar sua rotina. Na reclusão de um sistema colonial – onde ainda são desconhecidos os colonizadores – os Bowman ainda sofrem com a dor da separação de um dos filhos.

A figura do procurador Alan Snyder – vivido pelo ator Peter Jacobson – me pareceu caricata e sem a austeridade e poder necessários a um personagem cuja a responsabilidade é administrar uma população que finge viver bem. O fingimento é passivo, embora em seu seio uma Resistência cometa atentados para chamar atenção daqueles que o subjugam.

O estado de sítio poderia normalmente ser retratado dentro de bases humanas, mas ficou bem claro que um grupo “extra-terrestre” é o responsável pela interferência política e territorial de algumas cidades americanas. Um grupo tão poderoso, que foi capaz de criar uma grande muralha separando Los Angeles de outras cidades.

Embora mereça atenção pela competência e correção no episódio piloto, os elementos descritos nesta review apresentam duas maneiras de ver uma mesma proposta: 1) estamos diante de um fracasso anunciado por conta das inúmeras tentativas de “hypar” um seriado sci-fi misturado ao suspense nosso de cada dia. 2) Cuse enfim se redime, aponta o dedo para cada crítico da última temporada de LOST e finalmente diz como se faz uma série com ingredientes, que numa primeira análise, não poderiam formar um produto de qualidade, pelo menos sob sua gerência.

Se Jacobson não é bem o vilão que se espera, Holloway e Sarah Wayne Callies estão muito bem, obrigado. Ele, por não ser exigido o suficiente, pois seu personagem galã “posso todas as coisas” mocinho está no seu combo. Ela por fazer um bom retrato de uma personagem que está entre a criação dos filhos, a convivência com o marido heroi camuflado e a insurgência contra o status quo.

Não obstante um elenco de boa qualidade, as qualidades de um texto sublinhado pelas cenas de muito silêncio e intenções, Colony deixa a gente com a velha sensação que uma chance é tudo que o canal precisa. Afinal de contas, inicialmente teremos apenas 10 episódios para primeira temporada.

Se fomos surpreendidos positivamente por Mr. Robot – também oferecido pelo canal – onde a publicidade sobre o show sequer foi bem trabalhada, o USA acaba nos “forçando” a embarcar numa aventura sci-fi através do olhar de Carlton Cuse, este senhor que está envolvido em vários projetos (The Strain é um deles) e que talvez busque sua redenção junto ao exigente público americano.

Muito mais do que vermos quem são os “inimigos” ou mesmo tentar descobrir as razões pelas quais Los Angeles está sitiada, é tentar entender como que Will executará seus objetivos, mesmo sendo monitorado pela própria esposa!

Uma chance, 10 episódios e uma história. É pegar ou largar. Mesmo.

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