E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:32)

Um novo agente chega ao quartel general da CIA, e seu nome é Rick Martinez. Seu primeiro dia no serviço traz grandes aventuras, segredos por cima de segredos e um grupo de colegas pseudotraiçoeiros. Assim começa a nova comédia da CBS, Chaos.

Spoilers abaixo!

Chaos é uma série concentrada no dia-a-dia de Rick Martinez como agente da CIA. Mesmo antes de entrar pelos portões da instituição, Rick já foi rendido pelos guardas – ele tinha sido erroneamente incluído na watchlist de terroristas procurados pelo Governo americano. Depois de chegar ao lobby e ver o versículo estampado na parede, Rick foi levado ao CHAOS (Clandestine Administration and Oversight Services, o que dá CAOS, mas tudo bem). Lá ele encontra o simpático Higgins (RED!), que lhe informa sobre o corte da área para a qual o novo agente havia sido designado. Ele tinha sido dispensado antes mesmo de entrar.

Todavia, depois de um pequeno discurso sobre a sua dedicação para ser um agente da CIA, Rick Martinez arranca de Higgins uma proposta bem indecente: ele trabalharia como um espião, mas um espião dos seus próprios colegas num setor chamado ODS (Office of Disruptive Services). Vendo aquela como sua única oportunidade, Rick decide aceitar. Em instantes, é apresentado aos três membros da área: Billy é o James Bond do grupo, Casey tem o apelido de human weapon e o líder se chama Michael Dorset. Minutos depois das apresentações, os três montam uma armadilha para o novato, e ele cai fácil. É fotografado entregando documentos confidenciais para um agente russo, ainda que pensasse inocentemente que o homem para quem estava passando as informações fosse um oficial da homeland security.

Depois do ocorrido, os três contam ao novato que sabem que ele é um espião enviado por Higgins. Qualquer passo em falso de Rick, e os três mandam as fotos para a imprensa. É assim que o recém-chegado se envolve com a primeira missão de verdade da equipe, qual seja o resgate de um cidadão franco-americano capturado por guerrilheiros árabes. Higgins não autoriza a missão, mas o novato e o pessoal da ODS vão de qualquer jeito. A empreitada acaba dando certo – não sem antes o rapaz comer um escorpião vivo – e, com a ajuda de alguns golpes de karatê e dumas palavras em árabe, não apenas um, mas todos os reféns são libertados.

Higgins não consegue mandar Rick embora, graças à publicidade que foi dada à libertação dos reféns por seu braço direito, a misteriosa Fay. Durante todo o episódio, um simpático homem (interpretado pelo ator Rick Overton, o Rufus da série Bill & Ted) perambula pelos corredores da CIA. E é isso.

Dizer que ceticismo foi a marca registrada da recepção a Chaos é um understatement. A sexta-feira é conhecida como o cemitério das séries de televisão, mas ainda assim, a CBS não costuma errar a mão com comédias. A estréia de Chaos, contudo, veio com 6.5 milhões de telespectadores, mas as ratings na faixa dos 18-49 anos ficaram em 1.1. Isso é bem ruim. Para vocês terem idéia, Fringe – que é Fringe – tem 1.3. Se, em seu primeiro episódio, Chaos consegue ser pior que Fringe, a situação é periclitante para o futuro.

Como esse post trata das primeiras impressões, deixa eu registrar as minhas: Chaos foi uma das piores coisas que eu vi em muito tempo. Série pequena, unidimensional, irrelevante para a grade de qualquer emissora. Além disso, como comédia, é tremendamente desengraçada. Não sorri uma vez sequer, e fiquei perplexo com a audácia da CBS de permitir a exibição em sua grade de uma versão paraguaia do amálgama entre Chuck e… Rubicon? Não, não Rubicon. Quem sabe The District. Não, também não. Com qualquer série de gente engravatada resolvendo crimes sob a alcunha de “agentes secretos”.

Além disso, é meio infantil imaginar que a ingenuidade do protagonista (hence the similarity to Chuck) possa levar a série adiante. Nem mesmo a aparição da minha burocrata favorita, interpretada pela atriz Margo Martindale, conseguiu me animar para ver o episódio seguinte. É simplesmente mais do mesmo. Talvez essa expressão seja o rótulo apropriado pra Chaos. Mais do mesmo. A série me empolgou pouco ou quase nada, e casos batidos (um refém num acampamento no Sudão? Puxa, matou minha saudade de The Philantropist) ou essa constante insegurança no personagem do Freddy Rodriguez não acenam para novas temporadas.

Ah. E uma última consideração. Harry’s Law, exibida às segundas-feiras, atinge de 9 a 10 milhões de telespectadores (1.6 entre 18-49) e JAMAIS seria renovada para uma segunda temporada se estivesse na CBS. Que chances então… Teria um “caos” como Chaos? É pra amassar bem, fazer cesta na lixeira e esquecer. Mesmo.

P.S.: Para quem não sabe, a série é dirigida por ninguém menos que Brett Ratner, o homem por trás de sucessos de bilheteria como A Hora do Rush e X-Men 3. No mundo das séries, seu trabalho de maior destaque ainda é a produção de Prison Break. Essa catástrofe chamada Chaos, entretanto, servirá de estímulo para que ele largue a direção ou se volte exclusivamente para o cinema, perhaps.

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