Do cinema para a tv.
Não tão corriqueira quanto adaptações literárias, o filme Bad Teacher, lançado em 2011, chega a tv a partir de uma adaptação direta dos cinemas. A série já começa perdendo força em sua popularidade ao ganhar vida sem o seu principal atrativo, Cameron Diaz, que desta vez ficou apenas como produtora do projeto.
O inevitável de uma adaptação é fazer comparações entre as duas obras. A série Bad Teacher lança como protagonista Ari Graynor (Fringe /Qual é o seu número?), uma atriz já conhecida em comédias nos EUA, e também traz outros rostos familiares como Kristin Davis (Sex and the City) e Sara Gilbert (The Big Bang Theory). Assim como no filme, o roteiro se baseia no fato da protagonista ser uma mulher interesseira, com princípios duvidosos atrás de um marido rico em uma escola. A divergência fica na falta da obsessão em pôr silicone e pelo fato da personagem no filme ser realmente uma professora que odeia seu trabalho, e na série ser uma impostora. O personagem de Justin Timberlake, um professor culto que representava o primeiro interesse amoroso da mulher, foi aparentemente deixado de lado na série, mas o professor de educação física, antes vivido por Jason Segel (How I Met Your Mother), continua presente na história, dessa vez, representado por Ryan Hansen (Veronica Mars).
Na série, Meredith Davis é traída por seu marido, um milionário, e não aceita a possibilidade de viver sem o luxo que estava habituada, então ao conhecer a filha de um casal de amigos, resolve se candidatar ao cargo de professora de Sociologia da escola, conseguindo o cargo através de um falso currículo e manipulando o frágil e carente diretor da escola, também recém divorciado. Claro que para encararmos uma história como essa devemos automaticamente abrir mão do nosso senso crítico de realidade e apenas aceitar a história, pois seria muito improvável levar em consideração um êxito como esse.
Superando este ocorrido, Meredith entra para o corpo docente da escola sem nenhum padrão de comportamento ou habilidades didáticas para se passar por uma professora, e, com sua conduta antiética e um arsenal de roupas provocantes, logo desperta diferentes atenções. O desejo do professor de educação física e diretor, a suspeita de Ginny, a antagonista de Meredith na série e no filme, e a louca vontade de fazer amigos de Irene, uma professora julgada como estranha e sozinha. Como já deveríamos esperar, Ginny é aquela professora que tenta seguir todos os protocolos, dedica-se totalmente a escola, mas não tem qualquer apelo carismático, além de apresentar indícios de um desequilíbrio emocional. Meredith, com seu apelo sexual, consegue inibir todas as evidencias e sua farsa aos olhos dos outros, o que faz Ginny se tornar cada vez mais paranoica e perseguidora.
O diferencial de Meredith ter um casal de amigos e não dividir um apartamento com um desconhecido, a aproxima de Lily, uma menina cheia de interesses políticos na escola, mas que, como uma jovem insegura de sua idade, não sabe como reagir aos conflitos com outras meninas, que acabam intimidando o seu grupo de amigas ativistas. A relação das duas foi a melhor pontuação do episódio, que conseguiu balancear o futuro que esperamos ver para Meredith: ficar entre interesse e a vontade de fazer algo por aquelas garotas. As rivais de Lily são apenas meninas com ares de superioridade baseadas na eterna questão da beleza que assombra a adolescência americana, e Meredith, que esbanja confiança e se acha a mulher mais maravilhosa do mundo, tenta ajudar aquelas meninas passando o que acha ideal para combater aqueles desaforos. Claro que, embora ela possa agir com algum tipo de boa intenção, os métodos da personagem passam longe do habitual, e principalmente, desafiam a moralidade de Ginny, que deve fazer de tudo para derrubar a novata, inclusive tentando expor sua falsa carreira como professora a todos.
A história poderia terminar com o primeiro alvo de Meredith, um pai divorciado e aparentemente bem sucedido, mas o instinto de justiça com as meninas leva a agora professora a desistir de seu plano, mesmo que ela diga que o motivo seria o carro dois anos ultrapassado da vítima. Para completar, Meredith se envolve logo no primeiro episódio com o professor de educação física que vem a ser o seu par no filme. Se a história vai seguir este rumo, teremos que aguardar, mas imagino que não estaremos livres de muitos clichês ao desenrolar da série e aquele velho dilema entre fazer a coisa certa e se dar bem.
O roteiro em si não é muito sedutor e a história não é do tipo que nos faz rir por minutos enquanto assistimos, mas é possível se divertir se levarmos em consideração as limitações de uma trama não muito original, mas que pode oferecer alguns minutos de distração. A série estreia com uma demo de 2.1, em um slot as 21h30, entre Two and a Half Man, em ascensão de audiência, e Elementary. O horário não é ruim, vamos esperar novidades de interesse do público americano para sabermos mais sobre o futuro da série.






















