Sempre há uma testemunha perigosa de nossas maldades.
Yes, we have um novo mistério! Um dos meus medos com relação à primeira temporada de ‘Devious Maids’ era de que a série caísse no problemático esquema de um grande arco a ser desenvolvido em todas as suas temporadas, independentemente de quantas viessem a ser. O “Quem matou?” passa longe de ser uma novidade, ainda mais para nós, brasileiros, acostumados a ter que desvendar essa charada, novela sim, novela não, em pleno horário nobre global. Mas o diferencial da série é que ao invés de fazer uma mera repetição preguiçosa de clichês e arquétipos da teledramaturgia latina, ela os celebra. Diversos elementos da latinidade, as cores, a beleza, o temperamento, o exagero e a música são eficientemente amarrados para a construção de sua linguagem.
Com relação ao mistério, trata-se de um recurso eficiente para manter o interesse do telespectador nos episódios seguintes. Além disso, a certeza de que os arcos centrais serão resolvidos ainda nesta temporada garante fôlego para a produção. Esta é uma combinação satisfatória para que uma série se mantenha no ar, mas que possui o grande risco de não conseguir alcançar o seu objetivo de intrigar o público. Assim, Devious Maids inicia sua temporada apresentando seu mistério e cabe a você escollher se fica na poltrona para ver o final ou não.
Marisol, a acadêmica, que na temporada passada se passou por empregada doméstica para provar a inocência de seu filho, novamente está ligada ao arco central. Afinal, Anna Ortiz tem contrato de protagonista. Desta vez, ela está noiva e se muda para a casa de Nicholas, um viúvo ainda apaixonado por Dahlia, sua antiga esposa, que morreu em 1999 após supostamente se jogar de uma ponte. A questão é que circunstâncias providencialmente não mostradas pela câmera escondem o que realmente se passou e as únicas testemunhas são Opal, a governanta – que eu carinhosamente chamarei apenas de O Pau-, e seu filho Ethan, um limpador de piscinas que mais tarde foi se assanhar com Cavalentina, mas por hora isso não é relevante – e não foi mesmo.
Dahlia morreu após uma discussão com o marido, quando mostrou ter descoberto algum segredo de seu passado. Desde então, Nicholas virou gay, se mudou para o Texas, onde casou com a Cricket – GCB, lembra? – mas aí tomou a cura do Feliciano, Jesus agiu e ele voltou a ser heterossexual. Em seguida, conheceu Marisol num sebo (o que um multimilionário fazia num sebo eu jamais saberei) e rapidamente a pediu em casamento. Agora, nossa ex-maid tem que lidar com o amor platônico de Nicholas e uma governanta que demonstrou certa indisposição em recebê-la na mansão. Segundo consta, esse plot vai ser inspirado em “Rebecca, a Mulher Invisível”, filme de 1940, dirigido por Alfred Hitchcock. Você viu? Você se importa? Então conta pra gente!
Logo de cara, O Pau criou uma situação constrangedora entre seu patrão e a nova patroa, induzindo-a a utilizar um dos antigos brincos de Dahlia durante o primeiro jantar. Ao ser confrontada sobre suas intenções, ainda aproveitou para revelar a Marisol que Dahlia havia se matado. É muito cedo para fazer qualquer tipo de previsão, mas minha cabeça começou a pipocar com as possibilidades para essa história. Fiquei intrigado com a reação de Nicholas ao saber que O Pau foi responsável por contar a Marisol sobre o suicídio. Ele parece não ter gostado de saber disso. Este seria um plot twist possível para a história, se descobríssemos que O Pau na verdade tenta ajudar Marisol, ao tentar expulsá-la da casa, caso ela não concorde com as atitudes do patrão e mantenha seu emprego por algum outro tipo de ligação. Será a força metafísica de Aristóteles ou o impulso selvagem de Mr. Catra? Ou será algum bapho?
BTW, bapho é o que se transformou a vida de Carmen, a cantora, após aceitar ser a namorada de fachada de Alejandro. Aos poucos ela está entrando no meio dos ricos e famosos, o que sempre desejou. O problema é que em casa, Odessa não gostou de ser relegada a segundo plano e perder a atenção da amiga. Aqui, temos um problema. Se por um lado, Carmem é a mais carismática das domésticas, ela e Zoila possuem as histórias que, a princípio, estão mais estagnadas em relação à temporada passada. Certamente, as picuinhas entre Odessa e Carmen podem render momentos divertidos, mas é preciso apresentar logo qual será o arco da personagem este ano. Sam voltará? Ela finalmente gravará seu disco e será uma cantora de sucesso? Qual caminhos seguirão? Não há necessidade de demorar a fazer isso em uma série de apenas 13 episódios.
Valentina, a burra, retornou da África solteira. De cara a gente perde logo o respeito por alguém que é capaz de terminar com Remipegapelamordedeus! Ela bem que tentou morar na mansão, onde conheceu o novo poolman, mas foi sumariamene proibida por Zoila, a verdadeira dona da casa dos Delatour, já que Genevieve não é capaz de contrariar uma ordem sua. Determinada a não voltar a morar com os pais, ela foi pedir emprego na casa dos Powel. Sim, Evelyn Powell continua entre nós!
Um dos meus maiores medos para essa segunda temporada era de que o casal Powell não retornasse esse ano, já que sua história estava diretamente ligada à de Marisol e a comprovação da inocência de seu filho – tão amado que não foi morar na casa nova da mamãe! Mas Evelyn e Adrian seguem fortes e bem mais firmes que no ano passado. É como diria a mãe de Rachel Green: “uma vez traidor, sempre traidor”. Por isso, Evelyn aceitou a redenção de seu marido mas, por via das dúvidas, prefere não dar bom dia a bandido e evitar empregadas gostosas em sua residência. É claro que, num viés do destino, seu jantar foi invadido por uma gangue que levou as joias de todas as suas convidadas, o que a fez contratar um segurança magya, Tony, que faz o trabalho, salva a sua vida e ainda desfila sem camisa. Rolou uma tensão sexual entre os dois, potencializada pelo desapontamento de Evelyn com a fraqueza de Adrian em virtude do assunto. Talvez por isso é que ela aceite contratar Cavalentina, não só seu marido está em má fase, como agora também pode dar o troco. Aliás, essa gangue que rouba dos ricos para dar aos pobres e a identidade de seus integrantes será outro arco que nos acompanhará durante essa segunda temporada.
Por fim, Rosie saiu da cadeia após ser denunciada à imigração por sua antiga patroa, Peri Westmore, depois que a relação extraconjugal entre a empregada e o padrão, Spence, foi descoberta pela esposa. Eles ainda não sabem disso, o que garante tempo para a criadora de Bill tramar seus planos para manter seu casamento. Já que é para apelar para clichê, que tal fingir que estamos grávidos? Um bayjo para Emily e para Luiz Gustavo Cristino!
Rosie é uma empregada que divide opiniões. Enquanto uns odeiam, outros toleram. Eu fico na restrita turma dos que amam, apesar de ainda sentir asco toda vez que me lembro de seu passado choroso em ‘Heroes’. Acho que Rosie consegue trafegar com eficiência entre os diversos gêneros que fazem parte da brincadeira que é Devious Maids. Ela está nos momentos dramáticos, em que fala sobre seu filho, mas também sabe ser divertida quando rouba o marido da patroa. Me convence. E sempre sinto falta dela nos episódios em que pouco aparece. Não, eu juro que não como cocô!
Observação de Luiz Gustavo Cristino: me incomodou um pouco o cliffhanger de Rosie na temporada passada ter sido resolvido tão facilmente, sem a mínima percepção nossa de que manter a empregada nos EUA deu algum trabalho. Mas, se esse é o caminho que decidimos tomar, que a série não fique dando voltas em torno dessa deportação no futuro!
Nesta temporada, eu e Luiz Gustavo Cristino dividiremos e/ou revezaremos a autoria das reviews. Aliás, no próximo Podmaníacos, o #119, falaremos um pouco sobre este season premiere. A gente se vê.
APRENDI COM GENEVIEVE
Semana após semana, somos presenteados com a sabedoria de Genevieve Delatour. Neste S02E01, aprendemos três coisas:
– Prolongue seu luto. Preto emagrece e você quer, pelo menos, parecer magro;
– Fazer compras nada mais é do que um ato de altruísmo em momentos de crise. Ajude você também a movimentar a economia do seu país!
– Moda é tão importante quanto salvar vidas. Afinal, se você não tem coisas bonitas para vestir, por que viver?
E você, o que aprendeu com Genevieve?






















