Será mesmo o endereço mais sedutor de NY?

Spoilers Abaixo:

666 Park Avenue é a aposta de drama com toque de sobrenatural e suspense do canal ABC. Criada e produzida por David Wilcox (Law & Order, Fringe) e baseada no livro de mesmo nome escrito por Gabriella Pierce.

A premissa é simples: um jovem casal, Jane Van Veen (Rachael Taylor – Grey’s Anatomy, sim escolhi ignorar o remake de Charlie’s Angels) e Henry Martin (Dave Annable – Brothers & Sisters), aceitam, o que parece ser o emprego do sonhos de muitos: “síndicos” do luxuoso edifício residencial, The Drake, situado na 999 Park Avenue, Upper East Side em Manhattan, aquele pedaço bem gostoso e quase nada caro de se morar em NY. E em meio a essa vida luxuosa proporcionada pelo dono do edifício, Gavin Doran (Terry O’Quinn – Lost) e sua esposa Olivia Doran (Vanessa Williams – Ugly Betty), eles se deparam com eventos sobrenaturais, que os levam a acreditar que o edíficio tem a influência de forças sobrenaturais/demoníacas.

A grande pergunta da série é: até onde estamos dispostos a chegar para atingirmos nossos objetivos e realizarmos nossos desejos?

E  com isso vem, de novo, a exploração do tema do pacto com o diabo. E cá para nós, esse personagem não poderia ser interpretado por ninguém melhor além do Terry “John Locke” O’Quinn. Ponto positivo aqui. E a sempre charmosa Vanessa Williams trás o balanço e o charme necessário a toda ilusão da atração e pecado presentes nesse casal poderoso.

Antes de mais nada, quero deixar bem claro, que assisti esse piloto de 666 Park Avenue sem nenhuma expectativa, acho que exatamente por isso acabei gostando e me vi envolvida e querendo saber as respostas para minhas perguntas, que não são poucas. Gostei também que alguns elementos do suspense sobrenatural estão ali, como os sussurros e as aparições fantasmagóricas, e desde já espero o desenvolvimento desses elementos dentro da trama. E temos presente, também, o melhor elemento demoníaco, o contrato de 10 anos e a venda da alma, muitas vezes inconsciente, como no caso de Jane e Henry. E bem diz a minha mãe “Fernanda, leia qualquer coisa antes de assinar!” Graças a ela, nunca assinarei inconscientemente (oi?) um pacto/venda da minha alma para o diabo!

Como a maioria dos pilotos hoje em dia, esse episódio nos serviu mais como apresentação dos personagens, moradores do edifício ou não. Essa apresentação nos deixou com a sensação de um episódio enrolado, mas ao mesmo tempo achei necessário e justo.

 Conhecemos desde os personagens já mencionados, como também o jovem autor de peças teatrais Brian (Robert Buckley – One Tree Hill), sua esposa Louise (Mercedes Masöhn – The Finder), a misteriosa Alexis (Helena Mattsson – Nikita) e a jovem Nona (Samantha Logan). Sem falar no estranho recepcionista/porteiro Tony (Erik Palladino – ER).

Da história ficamos com poucas informações. Claro que Jane e Henry foram deliberadamente atraídos para o edíficio, mas ao contrário do que eu pensava, o interesse de Gavin não é na Jane e sim no Henry.  Não acho que o motivo desse interesse seja somente porque o Henry é advogado do setor de planejamento da cidade na prefeitura de NY e está disputando legalmente a propriedade que o Gavin quer comprar. Mas teremos que esperar para ver.

Outro aspecto que despertou minha curiosidade foi a jovem gatuna Nona, ok, ela é uma espécie de vidente, mas ela está ali roubando os objetos dos inquilinos para protegê-los ou para facilitar o trabalho do Gavin?

E aonde aquela bizarra situação da janela indiscreta entre Brian e Alexis nos levará? Será que ela faz parte do contrato de 10 anos dele? Não o culpo, já que o pobre coitado tem que aturar a mulher extremamente ambiciosa e egoísta.

E claro que Jane, como boa arquiteta, com especialidade em preservação histórica, mas antes de tudo curiosa, após achar no porão um mosaico de dragão (drake significa dragão), começa a investigar a história do prédio que foi construído em 1923. Nessa investigação ela encontra uma foto da sociedade chamada Ordem do Dragão (oi Harry Potter, que saudades), onde os membros estão posicionados em cima do mosaico do dragão em frente a uma porta que no presente está lacrada. E pronto, está estabelecido o mistério da série. Mistério esse que a Jane não deixará passar e obviamente lhe custará tudo, desde sua relação com Henry até, principalmente, sua sanidade.

Estava preparada para uma série que iria explorar ao extremo o luxo que acompanha o endereço em questão. E fiquei imaginando como seriam abordados os assuntos demoníacos. Mas então lembrei que riqueza, vaidade, luxo, sexo e poder é tudo muito ligado com o demoníaco na cabeça desse pessoal hollywoodiano. E nada melhor que o uso do 666 que é o número da besta (obrigada Iron Maiden) para salientar essa visão. E aviso que sim, a relação em construção entre Gavin e Henry é uma patética tentativa da série em reverenciar produções como O Advogado do Diabo.

O elenco da série, com exceção da Rachael Taylor (nossa, como não gosto dela), foi bem competente e possuem o sexy appeal necessário para o que é o objetivo da série. E quero deixar avisado aqui que eu sinto coisas pelo Dave Annable desde Reunion e aquela delícia crocante que era Brothers & Sisters (Walkers sempre serão), então não me responsabilizo pelo nível de adjetivos lindos que usarei para descrevê-lo nessas reviews de 666 Park Avenue, quando necessário. Obrigada a todos pela compreensão.

E quero lançar uma desafio, vamos soltar nossa imaginação e tentar adivinhar o que realmente aconteceu com a filha da Olivia e do Gavin. Porque não acreditei em nenhum momento que a menina/filha do demo Sasha morreu em um acidente de carro. Na realidade nem sei se acredito que ela realmente existou.

A audiência desse piloto não foi nada boa, inclusive, conseguiu ser pior que a do piloto de Pan Am (666 ocupa o espaço deixado por Pan Am na grade da ABC), e todo mundo sabe o que aconteceu com Pan Am, né? Mas torço para que isso mude e acho que 666 Park Avenue pode, sim, se tornar uma boa pedida para nossas noites de domingo!

Curiosidade do guia turístico: o edificio usado na série como o “The Drake”, é na realidade o “The Ansonia” localizado na Upper West Side de Manhattan. O real número 666 da Park avenue é de uma pequena casa de esquina com a East 67th avenue. Fernanda também é cultura!

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