Sabe quando você não sabe o que achar de um episódio? Então, é quase o meu caso. Eu gostei de Finish the Song. Sério. Eu me diverti e achei que Preacher colocou algumas coisas novas e de peso na mesa. Mas eu não consigo ver isso no papel. Não consigo juntar as anotações que fiz sobre o episódio e entender porque funcionou. Aliás, como sempre, acho que tenho mais coisas ruins do que boas a dizer sobre o episódio. E as coisas boas também não foram empolgantes. Mas o episódio foi… cativante.

É, eu sei que é difícil de explicar. Foi o primeiro episódio bom desde o excelente Sundowner e não necessariamente pelos mesmos motivos. Finish the Song não foi energético e contagiante. Muito pelo contrário, foi um episódio claramente feito pra amarrar muita coisa e só nos prepara para um finale completamente confuso. Mas foi um começo. Uma redenção para o Jesse, que pela primeira vez conquistou minha simpatia. Uma redenção para o Cassidy, que finalmente mostrou que é mais do que só um bobo da corte. Uma redenção para Tulip, que até que enfim desistiu de tentar consertar as asinhas do reverendo.

O Bom,

A abertura com o nosso caubói ranzinza foi espetacular porque entenderam bem o personagem. Ele não chegou lá e começou a fazer discursos ou a jurar vingança pela sua família. Não, ele chegou lá e meteu a bala em todo mundo. Todo mundo mesmo. Com a exceção do cantor, que ele decapitou com a sua espada. Os inocentes não tiveram qualquer tipo de misericórdia. A aliança entre ele e os anjos no final também foi satisfatória. Não porque surpreendeu, mas porque já estava na hora de cruzar logo isso da lista de coisas óbvias que a série gosta de adiantar. De qualquer modo, o Graham McTavish me convenceu de que combina para o papel.

Falando em papeis que têm de ser merecidos, o Jesse mandou muito bem mesmo nesse episódio. A conversa descontraída e franca dele com os mendigos debaixo da ponte foi um dos poucos momentos em que consegui enxergar algo de Jesse Custer no Dominic Cooper. Os diálogos com o Cassidy também foram excelentes, apesar de não terem tido o poder que poderiam, já que ainda não venderam essa amizade dos dois. Longe disso, aliás.

Agora uma amizade que convence e que tem o seu charme é a de DeBlanc e Fiore. É incrível como toda vez que eles aparecem em cena nós temos uma cena legal. Dessa vez os dois foram ao encontro de uma espécie de agente de viagens espiritual, com quem eles conseguiram duas passagens para o inferno. A cena foi muito engraçada e intrigante, já que essa mistura do mundano humano com o caricato sobrenatural tem funcionado muito bem na série. E eu pensando que os anjos ‘spawnarem’ perto dos telefones era a coisa mais bacana que podia sair da mente desses roteiristas. Só pra não esconder nada: eu soltei uma risada deliciosa com o Fiore achando que um arquiteto e um assassino em série são igualmente merecedores de uma entrada no inferno.

Por último, gostei muito, mas muito mesmo da vibe assustadora que deram pro Cassidy. Ele estava bem horrendo e ameaçador mesmo.

O Mau

A emboscada que a Emily fez para o Miles, além de provavelmente não ter chocado ninguém, não fez o menor sentido para a personagem. Não, produção, vocês não podem enfiar uma cena do maravilhoso Psicose na televisão e botar a Emily pra assistir e convencer o espectador de que aquilo é o suficiente para fazer com que ele ignore tudo que aprendeu sobre ela. É a mesma coisa que eu disse semana passada: os roteiristas têm essa ideia idiota de que algo grande acontece e as pessoas mudam instantaneamente. Começo a desconfiar que não são humanos escrevendo Preacher. Emily é uma pessoa boa e ingênua por toda a sua vida e resolve matar um amigo quando ouve o Norman Bates dizendo coisas sinistras? Isso é ofensivamente idiota. Faria total sentido se ele tivesse confessado o que ajudou Quincannon a fazer, mas do jeito que aconteceu, só foi porco mesmo.

Outra coisa que me ofendeu bastante foi a recapitulação imbecil que fizeram da origem do pistoleiro. Ou melhor, fiquei chateado por terem corroborado o que eu disse. Os roteiristas não fazem a menor ideia do que querem fazer e eles mesmos sabem disso. Se eles acreditassem na própria narrativa, não sentiriam a necessidade de relembrar o espectador do que aconteceu. Mas eles não acreditam, porque também sabem que construíram o backstory do personagem da pior maneira possível: apresentando pedaços da história em episódios aleatórios sem que esses eventos jamais resonassem pelo resto da história. Mas eu posso admitir que a saída que encontraram para simbolizar o sofrimento e a agonia do velho no inferno foi muito boa.

Não fez qualquer sentido o Jesse contar ao xerife que tinha mandado o Eugene pro inferno sem sequer tentar se explicar ou demonstrar o que ele estava dizendo. Dizer algo assim e omitir o resto é algo tão sem propósito que não dá pra entender porque pensaram em incluir isso. Se ele ia admitir pelo menos alguma parte da bizarra verdade disso tudo, também valia mais a pena ter usado a Palavra no xerife e escapado com a permissão dele logo. Me incomodou muito mesmo.

e o Feio

Ainda não deu pra entender o que diabos a série quer fazer com o Odin Quincannon, o Donnie e tudo isso, mas acho que todos já entendemos que vai acabar não fazendo a menor diferença.

… e a sentença é…

O tribunal declara o episódio… inocente. Vamos esperar que ele aproveite essa chance de liberdade e avise aos próximos episódios que o crime não compensa. Para quem chegou até aqui: animem-se! Semana que vem acaba e com alguma sorte, acaba dum jeito legal. Se os boatos estiverem certos, na próxima temporada nós saímos dessa cidade entediante e a coisa fica boa. Ou será que o Jesse usou a Palavra em mim pra me convencer a acreditar nisso?

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