Não desista de Powerless. Até semana passada, parecia que a série não se encontraria nem se fosse iluminada pelo bat-sinal: não saía de tramas genéricas e não aproveitava a originalidade de sua premissa cômica. Essa semana, no entanto, a série mostrou que nem tudo está perdido – pela primeira vez, ela pareceu saber o que quer com Sinking Day.
Sinking Day é o primeiro episódio que não cansa e acerta no humor. Os roteiristas souberam aproveitar o que têm de melhor – seu elenco e seus super-heróis – para criar uma história que entretém por 20 minutos e ainda desenvolve as relações da equipe da Wayne Security. Não é reinvenção da roda, mas já é mais surpreendente do que a possibilidade de Bruce Wayne ser o Flash.
Grande parte desse sucesso é o foco em Van Wayne. Seu egocentrismo e sua insegurança, que se revelam simultaneamente no personagem graças ao talento de Alan Tudyk, são a causa de todos os problemas que Emily tem que aguentar para que os atlantes aceitem ser os novos clientes da empresa.
Com Van forçado a trabalhar de verdade, as coisas poderiam facilmente cair para o piegas numa lição de moral sobre trabalho em equipe ou sobre ser uma pessoa melhor, ainda mais com o clichê ambulante que é a personagem de Vanessa Hudgens por perto (“Você nunca fala da sua mãe. Fez ela se suicidar com essas histórias?”).
Em vez disso, os roteiristas decidem brincar com a insegurança de Van, que se impõe perante seu pai e consegue mostrar seu valor. Assim, Emily e o chefe se aproximam e têm até um momento fofo (e que não parece forçado, mas merecido) juntos. Se isso significa uma relação melhor daqui pra frente ou se o chefe vai voltar ao seu modus operandi no próximo episódio já é outra história. O importante é que, pela primeira vez, os personagens pareceram orgânicos e tridimensionais.

E assim como a trama principal, a secundária também conseguiu se manter interessante por todo o episódio. O mistério e os planos de Ron, Teddy, Jackie e Wendy para descobrir se seu colega Alex é mesmo o Olimpiano, um herói que costuma aparecer em Charm City bem quando Alex desaparece da empresa, são divertidos e exatamente o que se espera de uma comédia sobre super-heróis feita do ponto de vista de cidadãos comuns.
Ron Funches e Christina Kirk já entendem seus personagens o suficiente para estarem confortáveis e com timing acertado para não os transformar em disparadores de piadas forçadas e/ou sem graça. Falta Danny Pudi ter sua chance para se encontrar como Teddy. E, felizmente, Wendy tem pouco o que fazer e falar dessa vez, o que também é um acerto dos roteiristas – ela é a personagem mais deslocada e vazia na série até agora.
Algumas comédias demoram até uma temporada inteira para se encontrar, então é bom ver que a produção está dando sinais de que pode chegar lá. Se levarmos em consideração que a série passou por uma grande reformulação a poucos meses de sua estreia, ter paciência nesse começo é um pedido razoável. Sinking Day é o episódio que mais acertou até agora, mostrando que, assim como Van Wayne, talvez Powerless também tenha seu valor e mereça respeito.
Outras observações sobre Sinking Day:
– Eu fui procurar e li que, nos quadrinhos, o Olimpiano ganha seus poderes quando usa um manto dourado. Aqui, parece que capacete é a origem da força (já que a capa é bem sem graça e não ganha destaque no noticiário) o que significa que Alex pode mesmo ser o herói.
– Até a Emily esteve menos irritante nesse episódio. Quem sabe a Vanessa Hudgens só precise de tempo para se ajustar também.
– As piadas sobre racismo foram todas ótimas. Parece que esse é um dos fortes da série, por mais esquisito que possa parecer
– “O que mais gera supervilões, tirando má criação por parte dos pais?” “Ser mordido por coisas.” “Acidentes de laboratório.” “Perder o voto popular, mas ainda assim ganhar a eleição.” Ha.
















