Uma ideia original mal executada. 

E o Fort Knox? Conseguiríamos entrar no Fort Knox?”

– Lionel

Em uma temporada marcada por inúmeros episódios de altíssimo nível, não há como negar que Provenance foi apenas mediano. É verdade que o episódio foi composto por uma ideia original, interessante e teve alguns bons momentos que merecem ser destacados, porém ao mesmo tempo apresentou diversos erros que infelizmente precisam ser apontados, principalmente no tocante a sua execução.

A principal virtude de Provenance, assim como seu antecessor, foi a criatividade no estabelecimento do caso da semana. Como sempre digo por aqui, quando a série precisa apresentar uma história que nada acrescenta às suas tramas principais é necessário pensar fora da caixa e criar uma atmosfera diferente e que nunca tenha sido vista antes em POI, fato que fica cada vez mais difícil à medida que um episódio inédito se apresenta e novas ideias vão sendo usadas. Contudo, mais uma vez a série conseguiu ser bastante eficiente nesse ponto e novamente pudemos acompanhar uma história diferente de outras já vistas.

Após um início lento e que indicava um caso da semana mais simples, o roteiro conseguiu dar uma guinada interessante, transformando a simples e manjada situação de uma ladra que comete crimes para proteger sua filha em algo bem mais divertido: um roubo com a participação de todo o time dos mocinhos! E quem não gosta de uma boa história de roubo, principalmente aquelas nas quais se torce pelos bandidos? É verdade que o tema já foi abordado diversas vezes no cinema, porém mesmo que já tenhamos visto Reese e Finch infringirem a lei diversas vezes para atingir seus objetivos, a execução de um roubo dessa magnitude não só nunca havia ocorrido antes na série como também foi uma maneira bastante divertida de aproveitar as habilidades dos personagens principais que, como o próprio Lionel comentou, formaram uma excelente equipe de ladrões.

E por falar na equipe dos mocinhos, a utilização dos personagens principais foi outro ponto positivo de Provenance, não só por podermos ver o retorno ao trabalho de John junto aos demais, mas também pelo equilíbrio apresentado entre as participações, proporcionando tempos de tela dignos a todos eles. Além disso, o episódio também contou com boas doses de humor, com destaque para os diálogos e principalmente para a hilária cena da chegada de John e Finch à festa, na qual a hostess claramente achou que Harold era um milionário gay com um namorado bonitão mais jovem (e ela ficou com uma inveja danada!).

Contudo, apesar de todos os pontos citados acima, a execução do episódio em si não conseguiu acompanhar a originalidade do caso, sendo recheada de erros e soluções muitas vezes inverossímeis, incompatíveis com os perfis dos personagens, ou o que é pior, preguiçosas.

O primeiro ponto que deve ser destacado (e também o menos grave deles) é a POI da semana. Sem levar em conta a situação clichê da personagem, desde o início do episódio ficou muito óbvio que o caso teria a ver com os misteriosos roubos, de forma que não foi preciso ser nenhum expert na série para deduzir que Kelly Lin (ou Jiao Lin) e a pessoa por trás dos roubos eram a mesma pessoa.

E os problemas não pararam por aí, sendo que a sequência de cenas entre a fuga de Lin e o final da conversa dela com Harold foi recheada por uma sucessão de erros. Em primeiro lugar, o simples fato de o policial deixar Shaw entrar na cena do crime para “pegar sua bolsa” (ainda que fosse para ela parar de falar) já foi completamente inverossímil. Além disso, como acreditar que uma ladra experiente e eficaz, na qual a Interpol não consegue colocar as mãos, iria cometer o erro infantil de deixar sua bolsa para trás e ainda com seu tablet dentro? Como se não bastasse, depois que Lin foi capturada, mais duas cenas soaram bastante absurdas: a primeira delas quando a ladra (que até o momento não tinha conhecimento dos crimes cometidos por Cyril) rapidamente concluiu que eram os mendigos que haviam sido assassinados; e a segunda, mais absurda, quando Lin se solta da cadeira depois de ser presa por Shaw, afinal, quem acredita que Miss Bad Ass iria cometer o erro besta de não verificar se um prisioneiro tem uma arma escondida?

Mas o grande absurdo ocorreu mesmo no roubo da Bíblia de Gutenberg. Depois de tanto trabalho para tornar verossímil a invasão da Symmetric Security, explicando minuciosamente todos os passos de John, Shaw, Lin e Fusco até o momento em que a ladra coloca as mãos na bíblia, eis que o roteiro resolve simplesmente não explicar como Jao Lin consegue sair de dentro da gaiola! Ora, se a ladra precisou da ajuda de Shaw para subir na tubulação e usá-la como trampolim para cair dentro da gaiola eletrificada, como diabos conseguiria sair lá de dentro sozinha? Uma vez que isso não foi explicado, a impressão que se tem é que nem mesmo Sean Hayes (roteirista do episódio) tinha uma resposta satisfatória para esse problema, de forma que preferiu resolver a situação de maneira preguiçosa e simplesmente nos deixar sem saber.

Enfim, apesar de não ter sido um episódio ruim (graças à ideia original e aos bons diálogos), Provenance acabou sendo prejudicado por algumas soluções utilizadas para desenvolver o caso, as quais não conseguiram resolver de forma satisfatória algumas situações criadas pelo próprio roteiro. Aliás, como já dito na review anterior, infelizmente esse tem sido um problema um tanto frequente nos roteiros elaborados por Sean Hayes, afinal, o último episódio que havia sido escrito por ele (Proteus) também havia apresentado a mesma característica: uma boa ideia mal executada.

Contudo, se Provenance mostrou-se abaixo da média dos episódios de POI, creio que para o próximo (que será exibido apenas em 25/02 – Ugh!) podemos levantar nossas expectativas novamente, visto que o responsável pelo roteiro (Dan Dietz) também foi o roteirista dos ótimos 2πR (2×11), Trojan Horse (2×19) e Mors Praematura (3×06). Impressão minha ou vocês também acham que teremos Root de volta? 🙂

Observações

– Srs. experts em TI, ajudem-me nessa: se eu bem entendi, ao ficar perto do bar no qual Lin se encontrava, Finch conseguiu parear todos os celulares do local e então cloná-los? Pode isso, Arnaldo?

– Na hora do roubo alguém mais se lembrou de Ethan Hunt (Tom Cruise), pendurado, roubando a NOC list  no primeiro Missão: Impossível?

– Shaw se emocionando com o encontro de mãe e filha? Sorrindo? Tá amolecendo o coraçãozinho, é?

– POI anda abusando da nossa capacidade de observação. Após termos que ficar fazendo contas com as horas das câmeras em “Aletheia”, agora foi necessário observar que o roubo da Bíblia de Gutenberg ocorreu à noite e o encontro entre Jao Lin e Cyril no dia seguinte para concluirmos que John teve tempo suficiente para travessar o oceano e salvar a filha de Lin.

Frases

– “Odeio interromper o momento meio erótico, mas o convite diz para não nos atrasarmos”. (Shaw para John e Finch)

– “Finch, não há sinal de perigo aqui. Sem contar os enroladinhos de camarão” (Shaw para Finch)

– “Minha nossa, ele é lindo.” (Hostess da festa para  Finch)

– “Nós não roubamos a Bíblia, Agente Bouchard, apenas a pegamos emprestado… um pouco.” (Finch para Agente Bouchard)

– “Eu costumava odiar essas cores. Significava que eu precisava correr.” (Shaw para Finch)

– “Recuperei a Bíblia e derrubei uma célula de extorsionistas checos em Praga. Não sei como fiz isso, mas vou ficar com o crédito.”(Agente Bouchard para Jiao Lin)

– “Sempre achei que você merecia o ouro.” (Agente Bouchard para Jiao Lin)

– “É difícil de mover ouro eficientemente e não vale o peso em mercados não confiáveis. Já diamantes…” (Finch para Lionel)

– “E as joias da coroa?” (Lionel, p/ Finch, Shaw e John) 

Diálogo 1 (Finch e John)

F: “Vejo que seu tempo na Itália foi um sucesso de alfaiate.”

J: “O que posso dizer? Novo terno, novo homem.”

Diálogo 2 (John e Shaw)

J: “Finch, onde está a arma reserva?”

S: “Levei para a seção histórica há uma semana. Atualize seu arsenal, John.”

Diálogo 3 (Finch e John)

F: “É igual amarrar o cadarço do seu sapato. Descobri que ajuda praticar em uma perna ou pescoço,se estiver sem prática.”

J: “Consigo montar uma .45 de ponta cabeça no escuro. Acho que consigo lidar com uma gravata borboleta.”

F: “É claro. É borboleta ou asa de morcego?”

Diálogo 4 (John e Shaw)

J: “Vejo que atualizou seu arsenal, Shaw.”

S:” Consigo me virar.  Junto com o .380 que tenho na bolsa.”

Diálogo 5 (Mr. Zappo – Gerente da Symmetric Security –  e John)

Z: “Você tem mesmo gatilhos nucleares nesta maleta?”

J: “Não.”

Diálogo 6 (Finch e Shaw)

F: “Não esqueça de lamber bem cada dedo antes de escaneá-los.”

S: “Como é que é?”

Diálogo 7 (Jao Lin e Shaw)

JL: “Vamos torcer para ele estar certo.”

S: “Ele sempre está.”

Diálogo 8 (Lionel e John)

L: “Só estou dizendo que fazemos uma bela equipe.”

J: “Tem uma pessoa da equipe faltando.”

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