A Machine só nos dá números porque eu sempre preferi que um elemento humano restasse na hora de determinar algo tão crucial quanto o destino de alguém
– Finch
Uma das grandes qualidades de Person of Interest sempre foi a capacidade de fazer o feijão com arroz de maneira criativa, evitando tornar-se repetitiva. Ainda que POI seja muito mais que um procedural, não é sempre que podemos ter episódios fantásticos e que abordem os plots mais interessantes da série, de forma que torna-se muito importante desenvolver casos da semana que se diferenciem de outros já apresentados e que permitam que o episódio seja interessante para os fãs. E 4C foi mais um episódio em que essa competência de POI pode ser comprovada.
Confesso que estava com medo de 4C. Depois do desfecho de Aletheia, creio que todos já esperavam uma pausa na sequência de tensão e loucura desenvolvida desde Endgame (ep. 3×08), sendo que o fato de saber que este episódio havia sido escrito por Melissa Scrivner-Love, responsável por alguns dos piores roteiros da série (Masquerade e Reasonable Doubt foram escritos por ela), não ajudava nada na expectativa. No entanto, felizmente a roteirista dessa vez não decepcionou e, em conjunto com Greg Plageman (que também é showrunner de POI, juntamente com Jonathan Nolan), conseguiu criar um bom roteiro com um caso de semana criativo e diferente.
O grande acerto do episódio foi promover a volta de John. Além de satisfazer o desejo dos fãs, que certamente já estavam sentindo falta de Reese e de seus métodos “práticos”, 4C encontrou uma maneira coerente e verossímil para fazer com que o personagem mudasse de ideia em relação à sua decisão de não mais ajudar Finch e assim devolver a série a sua estrutura normal, visto que ao salvar a vida de 130 pessoas John pode redescobrir sua alegria em ajudar pessoas, a qual havia sido sufocada pela dor da perda de Carter. Além disso, se a maneira com que Reese cuida de seus oponentes já costuma ser usualmente divertida, quando ele está mal humorado e impaciente são ainda melhores, de forma que as cenas nas quais ele dá um jeito no passageiro chato e mal educado e também na “Esfinge” foram muito engraçadas e permitiram matar as saudades dos melhores momentos do personagem.
O caso da semana em si foi o outro grande ponto positivo de 4C, principalmente pelo fato dos roteiristas terem sabido aproveitar a independência cada vez maior da Machine para desenvolvê-lo. Uma vez que a personalidade de Harold não permite que ele desrespeite o desejo de outras pessoas, John só poderia ser novamente envolvido em um caso da semana pelas ações de outra pessoa ou por uma situação do acaso, de forma que não havia melhor opção do que a criação de Finch para unir as duas condições. Além disso, a decisão de realizar praticamente todo o episódio dentro de um avião também foi bastante acertada, visto que o recurso nunca havia sido utilizado na série e a limitação espacial, a qual poderia ser um problema no desenvolvimento do episódio, foi bem empregada. Como se não bastasse, os roteiristas ainda aproveitaram que a Machine anda abusadinha e, além de fazê-la mudar o vôo e assento de John para que ele estivesse onde era necessário, ainda aproveitaram para mostrá-la mudando um pouco as atribuições de Mr. Reese ao dar a ele seu primeiro caso direto de Social Security Number relevante.
O episódio foi quase todo focado em John, porém ainda sobrou tempo para pequenas participações de Shaw, Finch e Hersh. Em relação à ex-agente, sua personagem continua realizando bem o papel a que está sendo submetida, combinando alguns momentos de ação com alívio cômico e, ainda que desta vez suas cenas não tenham sido tão engraçadas como em outros episódios, os métodos utilizados por Shaw para atingir seus objetivos mais uma vez nos fizeram sorrir ao ver a desgraça de seu oponente. Ou será alguém não riu com a forma com que ela fez com que Hersh se estatelasse no chão?
E por falar em Hersh, 4C tratou de sanar qualquer dúvida que havia ficado em relação ao personagem depois da explosão no episódio anterior. Como era de se esperar, tirando algumas pequenas escoriações visíveis em seu rosto (as quais devem ter aumentado um pouquinho depois do desmaio causado por Shaw), o braço direito de Control ainda está bem vivo e, ainda que no momento a Decima seja uma ameaça bem maior, certamente os antigos donos dos números relevantes estão apenas aguardando uma nova oportunidade para contra-atacar e colocar as mãos no Samaritan ou na Machine.
Quanto a Harold, mesmo com uma participação menor do que o costume é possível dizer que suas cenas foram mais uma vez as melhores do episódio, sendo que a melhor delas obviamente foi a do pouso do avião com o joystick, indicando que o grande gênio da programação faz jus às características geek e é um baita viciado em Flight Simulator. Além disso, vale também necessário destacar a cena final do episódio, no qual além de desenvolver mais um grande diálogo com John, Harold ainda revelou mais duas surpresinhas, revelando que não só possui e pilota seu próprio avião, como ainda possui um ateliê na Itália!
Não li as sinopses dos próximos episódios, porém a julgar pelos nomes dos roteiristas responsáveis por cada um e pelos episódios anteriores que eles já escreveram, creio que esta semana POI deverá novamente apresentar um caso da semana simples para então novamente nos mergulhar na adrenalina. Assim, vamos então aguardar e torcer para que Sean Hayes, o roteirista do 3×14, acerte a mão e consiga desenvolver um bom episódio para comemorar o retorno à ação do Team Machine (quase) completo. Será que desta vez a Machine vai andar na linha e enviar a informação do jeito normal ou a partir de agora a criação de Finch passará a utilizar um novo procedimento?
Observações:
– Antes que alguém questione, não sou um profundo conhecedor de Flight Simulator porém já ouvi descrições de pessoas que são viciadas nele que indicam que o jogo é um simulador eficientíssimo de aviação. Na verdade, parece que o jogo é aberto e são as próprios jogadores que abastecem e atualizam o jogo, desenhando as pistas dos aeroportos reais com incrível precisão. Desta forma, não é tão difícil aceitar que um jogador frequente e que ainda sabe pilotar aviões menores consiga pousar um avião real à distância, principalmente quando se trata de um gênio como Harold.
– Sean Hayes já escreveu episódios bons e outros não tanto. Ele é o responsável por Risk (1×16) e Critical (2×07), porém também escreveu os não tão bons Foe (1×08) e The Perfect Mark (3×07) e o terrível Proteus (2×17 – para mim o pior da 2ª temporada). No entanto, foi em Critical que o grande vilão britânico Allistar Wesley apareceu pela 1ª e única vez na série. Será que o veremos novamente? Já tava na hora de voltar, não?
– A abertura enfim voltou e a nossa curiosidade em relação ao que seria feito em relação a Carter foi finalmente saciada. No final, nada de estripulias ou surpresas: os roteiristas apenas tiraram a detetive de cena.
– E a Holly, hein? Cuidado, hein, Mr. Reese, deixa só a Zoe descobrir que você anda fazendo umas amiguinhas por aí!
Frases
– “Parece que ele falou até cansar. Acho que precisa de um cobertor.” (John para Holly)
– “Acho que sua máquina não recebeu minha carta de demissão, Harold” (John para Finch)
– “Seria pedir demais para que pisasse em um galho?” (Finch para Shaw)
– “Assim como a sua Máquina, Finch… Você tem toda a informação, mas não compartilha.” (John para Finch)
-” Você parece um cara bravo. Quer falar sobre isso? Eu sinto que quer…” (Owen para John)
– “Banque o mudo comigo mais uma vez, e faço você comer essa gravata. Só que um pouco antes de digeri-la, vou puxá-la de volta para fora e repetiremos tudo de novo.” (Shaw para “Agente de viagem”)
– “Alto, moreno, valentão de terno. Isso soa familiar?” (Shaw para John)
– “Cara, seu cabelo está legal. Esse estilo é como um ímã para donas de casa. Deixa natural.” (Owen para John)
– “Nós temos livre arbítrio.E com isso vem grandes responsabilidades, e às vezes grandes perdas. Eu também sinto muito a falta dela.” (Finch para John)
Diálogo 1 (Finch e John)
F: Embora não concorde com sua saída, eu a respeito. Não mandei você numa missão, Sr. Reese.
J: Então quem me colocou neste avião?
Diálogo 2 (John e Owen)
J: Desculpe, Owen. Preciso deixá-lo voar sozinho por um tempo.
O: Mas sou um alvo fácil.
J: Essa é a ideia.
Diálogo 3 (Holly e John)
H: O que você faz de verdade?
J: Nada. Eu me demiti.
H: Não gostava do seu chefe?
J: Eu não gostava da chefe dele.
Diálogo 4 (John e Owen)
J: Vocês, nerds, constroem algo que não podem controlar. E quando tudo dá errado, não aceitam a responsabilidade.
O: Do que estamos falando?
J: Você tornou mesmo algo melhor? Parece que você parou a violência?
O: Ainda estamos falando de mim? Porque você parece estar irritado com outra pessoa.
Diálogo 5 (Hersh e Shaw)
H: Shaw, seus novos empregadores…
S: Sim?
H: Eles tratam você bem?
S: Eles ainda não tentaram me matar.
Diálogo 6 (Holly e John)
H: Então, o que você faz mesmo?
J: Eu ajudo as pessoas.
Diálogo 7 (Owen e John)
O: E se eu quiser te mandar algo, te recompensar por tudo o que fez?
J: Não estou nisso pelo dinheiro, Owen.
O: Você quase diz como se fosse seu emprego, o que seria loucura.
Diálogo 8 (John e Finch)
J: Não sei se consigo, Finch. Enquanto estou na Itália, pensei em comprar um novo terno.
F: Claro. Devíamos ligar para meu ateliê na Via Palestro. Ver se Gianni te atende após o almoço. Ele é o melhor.
J: Achei que talvez pudesse voltar de carona com você. Não estou pronto para voos comerciais ainda, então… Mas eu preciso voltar ao trabalho.
F: Certamente, Sr. Reese. Eu conheço o piloto. Acho que podemos atrasar aquele voo.















