Um escorregão inesperado.

Spoilers Abaixo:

Após uma 2ª metade de 1ª temporada impecável e um início de 2ª alternando bons e excelentes episódios, eis que Person of Interest de repente saiu dos trilhos e apresentou um episódio de médio para fraco, bem abaixo do nível ao que os fãs da série estão acostumados. Não que o episódio possa ser considerado horrível e não tenha acrescentado nada a trama, porém, em comparação com os demais episódios de Person of Interest, “C.O.D.” deixou muito a desejar, tendo abusado de alguns exageros que há muito não eram vistos na série e sido inclusive um tanto quanto enfadonho.

O episódio começou até muito bem, com alguns diálogos engraçados, um caso da semana envolvendo mafiosos estonianos e a HR buscando uma reaproximação com Elias, gerando assim uma expectativa de que teríamos um episódio bastante agitado, porém o que ocorreu foi exatamente o oposto: uma história arrastada e cansativa que fez com que os minutos custassem a passar.

É difícil apontar exatamente qual foi o grande problema em “C.O.D.”, porém a impressão que ficou é a de que “faltou liga” ao episódio, uma vez que nenhum dos pontos que pareciam promissores em seu início acabaram se desenvolvendo satisfatoriamente. O caso da semana foi lento e comum, a dor do personagem (Fermin Odoñez) não convenceu, as piadas sumiram no desenrolar do episódio e o conflito de Fusco em cumprir ou não as ordem de Simmons (que tinha tudo para ser o ponto realmente empolgante de “C.O.D.”) não teve a ênfase que se esperava, com Lionel ficando um bom tempo sem aparecer no meio do episódio.

Um outro problema foi que algumas cenas também faltaram com a verossimilhança. É verdade que POI é uma série em que certas situações são levadas a um certo exagero (principalmente nas cenas de ação) e que isso é perfeitamente aceitável dentro de sua premissa, porém é necessário que essas situações mantenham-se em um certo limite para que ainda sejam plausíveis. Person of Interest há muito tempo vinha sabendo respeitar esse limite, porém desta vez pelo menos duas cenas incomodaram bastante: primeiro aquela em que Reese e Odoñez foram cercados pelos mafiosos e estes descarregaram inúmeras balas à queima roupa no táxi sem acertar ninguém; e a outra quando John apareceu na última hora para salvar Bear e Finch, sendo que ele havia acabado de se livrar de alguns dos mafiosos e perguntar a Harold por telefone onde ficava o salão de bilhar.

Contudo, mesmo que tenhamos visto um episódio um pouco decepcionante, ainda assim “C.O.D.” trouxe informações importantes para o decorrer da temporada e levantou alguns ganchos para episódios futuros, mostrando que mesmo em um episódio abaixo de sua média Person of Interest consegue ser uma série diferenciada.

O maior gancho deixado pelo episódio foi, é claro, a ligação anônima feita por Simmons a Carter, denunciando que o detetive Davidson, da Corregedoria, foi assassinado por outro policial. Para quem não se lembra, Davidson é o detetive corrupto que prendeu Fusco quando este tentava roubar uma informação para Finch e foi morto por John quando estava prestes a assassinar Lionel (a cena de sua morte ocorreu em um lugar afastado, no meio do mato,  e foi após o salvamento de Fusco que tivemos a clássica cena em que  Reese diz a Fusco que precisava que ele continuasse a ser corrupto).  Agora Carter deverá investigar a morte de Davidson e chegar a Lionel, porém não creio que este deva se preocupar muito pois basta John contar a ela o que realmente aconteceu para livrar a cara de Fusco.

Quanto a Lionel, ainda que a situação pudesse ter sido um pouco melhor explorada, foi bom vê-lo decidir ficar do lado dos mocinhos e mandar Simmons para o inferno, optando por arriscar que o policial corrupto o denuncie a ter que continuar fazendo o serviço sujo para este. No entanto, ainda é necessário saber quando é que Fusco terá coragem de contar a verdade a John para que Reese e Finch possam ir atrás de Simmons e também possam descobrir a real identidade do chefão da HR, Quinn. Tenho a impressão de que John acabará descobrindo sozinho e isso não deverá ser nada bom para Lionel.

Um outro ponto cuja importância para o desenrolar da temporada pode ter passado um pouco despercebida é a participação (indireta) de Elias. Além de termos voltado a ver os capangas do mafioso, o fato de descobrirmos que Grifoni está ao lado de Elias indica que este deve estar mexendo os seus pauzinhos para sair livre da cadeia, pois se Grifoni deixar de testemunhar contra Elias, é bem provável que a polícia não tenha muito mais para incriminá-lo. E assim aquele que na minha opinião é o melhor vilão da série estará livre para voltar a atormentar a vida de John e Harold.

Para finalizar, é uma pena que eu tenha tido que criticar Person of Interest pela primeira vez desde que comecei a cobrir a série por aqui, visto que a primeira review que escrevi no Série Maníacos foi a de “Blue Code” (episódio  1×15) e POI não tinha um episódio mediano desde o 1×05 (“Judgment”). No entanto, acredito que realmente este episódio tenha sido um escorregão e que não há motivos para preocupação, uma vez que a série tem muitas boas premissas em stand-by e que muito provavelmente deverão estourar na 2ª metade da temporada. Além disso, é de se esperar que o próximo episódio, último antes do Natal, seja daqueles para nos deixar boquiabertos e aguardando ansiosamente o retorno de Person of Interest em 2013, deixando assim a má impressão causada por este episódio para trás.

Observações

– O braço direito de Elias (mais conhecido como Scarface) finalmente teve seu nome revelado  para nós pela Machine: Anthony S. Marconi. Mas isso não quer dizer que vamos parar de chamá-lo de Scarface, não?

– Reiko Aylesworth, a eterna Michelle Dessler de 24 horas, poderia ter sido melhor aproveitada no episódio também. Quem sabe ela não volta em um episódio futuro?

– Bear correu risco pela primeira vez desde que foi acolhido por John. Estava demorando para ficarmos com o coração na mão temendo por alguma coisa acontecer a ele, não?

– O início do episódio (principalmente) ainda proporcionou boas frases para a listinha da semana. Lá vão elas:

“Finch, sei que prefere brincar com o computador do carro, mas tente conversar com ele.” (Reese)

“Como foi o seu encontro com o Detetive Beecher? Pelo som parece que foi muito bem” (Finch para Carter)

“Máfia Estoniana. Notei pelos métodos deles Era uma caixa da morte. Tive uma experiência parecida na Rússia. Não deu muito certo para eles.” (Reese para Finch)

Diálogo 1 (Carter e Finch)

C: “Registros do GPS? Tenho certeza que conseguiu isso com uma requisição oficial.”

F: “Na verdade, não. Se ajudar, posso hackear a rede para simular isso. Levaria alguns minutos.”

Diálogo 2 (Finch e Reese)

F: “Invadi o banco de dados do governo cubano. Surpreendentemente, o software era sofisticado. Sem dúvida foi cortesia dos russos.”

R: “Não me diga que o Fidel Castro está mesmo morto.”

F: “Na verdade, está. E o dublê de corpo dele tem câncer.”

Diálogo 3 (Finch e Reese)

R: “Você é uma enciclopédia do beisebol, Finch. Devia sair mais, ver um jogo de vez em quando.”

F: “Quem disse que não saio?”

Diálogo 4 (Reese e Fusco)

R: “Sim, Lionel.”

F: “Hora ruim?”

R: “Mais ou menos. Te ligo de volta.”

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