
Um episódio de Fringe que apenas é o que é.
Spoilers Abaixo:
Estranho. Muito estranho. Assisti a esse episódio de Fringe e quando tudo acabou, fiquei estática. Seria possível que, pela primeira vez em cinco anos, estivéssemos diante de um episódio que não contém um mísero easter egg? Estaria eu tão desligada a ponto de não reparar em absolutamente fora do normal? Ou o anormal seria, justamente, toda essa “falta de mistério”?
Nessa semana não adianta procurar pelo em ovo, caçar detalhes escondidos, procurar significado em referências. O exercício aqui é o de apreciar um roteiro é simples e direto, apoiado apenas em emoções. Mesmo fugindo do padrão ou fórmula tão tradicional de Fringe, o texto e as interpretações deram conta do recado e continuaram com a história mudando um pouco o rumo das coisas antes da reta final.
O ponto principal é Olivia voltando a ser a grande protagonista da série e sendo o centro de toda a ação. Até aqui, a temporada final foi muito focada em Peter e na incrível transformação de Joshua Jackson. Comentava-se, no entanto, que a boa e velha Olivia fazia falta. Não deixa de ser verdade, muito embora esse espaço para Peter fosse necessário e muito justo, já que desde o inicio, ele nunca alcançou o destaque e o potencial total do personagem.
Sendo assim, foi muito bom vê-la novamente como a articuladora, mas não apenas isso. A personagem com maiores dificuldades em expressar sentimentos e de se entregar às emoções deu um show quando precisou abrir o coração. E não adianta reclamar porque aqui vale aquela definição que 95% dos fãs de ficção científica odeiam e abominam, mesmo que muitas obras do gênero se apoiem nisso, de uma forma ou de outra: Fringe é uma série sobre amor.
Não é a primeira vez que digo isso, provavelmente não é a última. Tenho a impressão de que o final será nesses moldes, o que cabe perfeitamente no caminho que Fringe vem trilhando, unindo ciência e drama familiar. Faço a defesa de que a junção das duas coisas é o diferencial, porque a parte de Sci-Fi se enriquece enormemente quando os personagens envolvidos têm importância para o telespectador. Se fosse apenas o ‘caso da semana’, mesmo que bem feito, não haveria fãs tão dedicados, isso é certo.
É assim que fica fácil chorar junto com Olivia, no meio da garoa fina, enquanto ela tenta convencer Peter de que uma vingança pessoal não é mais importante do que livrar a humanidade do domínio dos Observadores. E, na verdade, vencer os Observadores é uma forma muito melhor de honrar a vida de Etta, dedicada justamente a essa missão maior.
Cheguei a achar que Peter se perderia por completo e não acho que seria uma saída absurda para o que estão propondo. Imagino, inclusive, que ele deve ficar transformado, de alguma maneira, já que Walter explica os efeitos do pequeno aparelho no cérebro, inibindo emoções e fazendo crescer as partes relacionadas ao pensamento lógico. Nesse sentido, dá até para pensar na origem dos Observadores (assunto recorrente na temporada) como uma etapa evolutiva, se Peter estiver na equação e tiver outros filhos a partir de agora. Se o cortexiphan ainda estivesse ativo no organismo de Olivia, seria uma receita complicada de prever, mas que geraria um humano incomum e com poderes mentais além da super inteligência de Walter, por exemplo.

Aliás, chega a ser irônico quando Peter fala com o pai “se você soubesse a sensação de ter um cérebro com tanto potencial…”. Walter sabe e sabe bem. Tanto é que ele foi vítima do ‘complexo de Deus’, o que causou a grande maioria dos problemas enfrentados pela Fringe Division (e descritos por Olivia, para Simone). Tanto potencial nunca deu em coisa boa, basta ver ainda o caso dos próprios Observadores que viajam no tempo para destruir os próprios antepassados.
Dá para dizer que Windmark, pelo menos dessa vez, foi salvo pelo gongo, ou melhor, pela humanidade que ainda residia dentro de Peter e que aflorou diante do apelo de Olivia. Engraçado notar a inversão de papéis aqui. Olivia mais sentimental e Peter mais prático, mas ambos ainda sofrendo pela perda física de Etta.
Escolhi usar o termo ‘perda física’ por causa do que Simone fala naquele ferro velho. “ela ainda está com vocês” soou um tanto quanto ‘Espírita’ naquele momento, mas como estamos falando de Fringe, talvez Simone seja alguém que enxerga além e ela pode não ter dito nada do que disse apenas para animar Olivia em sua missão.
O clima todo daquele ferro velho gera muitas desconfianças e algumas perguntas. Primeiro porque, assim como Olivia, não confiei naquelas pessoas até o final (e nem Simone sorrindo feito tonta ou bebendo aquela água me convenceu), porque alguma coisa ainda está escondida ali. Temos a identidade do “homem grisalho” que faz a encomenda do imã gigante e os diálogos entre Olivia e Simone que fazem pensar nas possibilidades, no que está destinado a acontecer e no futuro.
O sequestro de Olivia, que foi o momento em que a vimos dominar a situação novamente, também levanta uma curiosidade. Fiquei esperando ansiosamente pela tal ‘Igreja da Verdade’, onde (segundo consta) os Observadores não podem ler os pensamentos dos humanos e imaginando que um desses lugares pode ser o local correto para a execução da parte final do plano. Afinal, será preciso ter um espaço onde prever movimentos seja impossível, se deter os avanços dos Observadores é algo palpável.
A fuga de Olivia foi realmente interessante e significativa, usando a mesma bala que a matou para salvar sua vida. A execução da coisa toda é excelente, assim como a luta entre Peter e Windmark. Pela qualidade dos efeitos fica evidente que Fringe é uma série bem cara de se produzir, porque nada deixa a desejar. Não me lembro de ter visto uma produção do gênero com o mesmo capricho (excluindo, obviamente as que não tinham acesso à tecnologia de hoje em dia, registre-se).
A interpretação de Peter Observador continua pontual e as sequências em que ele persegue Windmark são empolgantes, mas é bom notar que nem mesmo habilidades tão avançadas garantem o controle da situação, para nenhum dos lados.

É por isso que o Glyph Code da semana, diretamente ligado ao momento em que Olívia faz seu apelo para Peter, é tão importante. Sei que é piegas imaginar um desfecho em que tudo fique bem para todos, mas depois de ver esse episódio, até minhas ideias de que Peter ou Walter não sobreviveriam ficaram mais distantes. PLEAD, que significa pleitear, advogar vem para mostrar que Olivia foi, naquela cena final, a advogada da raça humana. A pessoa que, diante da dor pessoal e da perda soube colocar o bem maior como prioridade.
P.S*Achei que Astrid teve medo de ser cobaia quando Walter propôs usar um cérebro para conhecer os efeitos da ‘pecinha’ integrante de todo careca comedor de pimenta. Perdeu uma baita chance de ser a 1ª Observadora. Isso sim, seria ainda mais inédito, porque nunca vimos uma mulher dessa “raça”.














