
“Porque você está errada. Ele prova que você está errada. Nem todos humanos são um código ruim.”
Spoilers Abaixo:
Apostando na base sólida que construiu ao longo da temporada anterior, Person of Interest foi mais uma vez ousada e, pela primeira vez desde sua estreia, permitiu-se deixar de lado o formato procedural e investir em um episódio de pura investigação e perseguição (quase) nos moldes de séries policiais, sem que qualquer Social Security Number fornecido pela Machine viesse a se intrometer na busca de John a Harold.
Deu certo. Com Reese fazendo dupla com Carter e apoiados a distância por Fusco (e Bear), Bad Code conseguiu prender a atenção do espectador e não fazê-lo sentir falta de um “caso da semana”, mesmo com a Machine só aparecendo em algumas tomadas de câmera nas mudanças de cena.
Contudo, ainda que a investigação tenha sido interessante, o ponto alto do episódio ficou para as cenas entre Root e Finch. Os dois adversários protagonizaram um duelo envolvente entre duas mentes que, ao mesmo tempo que são brilhantes e com habilidades e interesses muito parecidos, são diametralmente opostas em relação a valores e à fé no ser humano. Root considera os seres humanos fracos, imperfeitos e cheios de falhas, sendo portanto uma espécie de programação ruim, mal feita ou, em suas próprias palavras, “Bad Code“. Já Finch, apesar de concordar com a falibilidade do homem, não desiste dele e muito menos acredita que uma máquina possa ser superior. Para ele, nem todo ser humano é ruim e vale a pena acreditar nas pessoas.
E foi sob o duelo desses pontos de vista que “Bad Code” se desenrolou, sendo que Root por pouco não provou sua tese ao utilizar o que denomina “fraqueza” de Harold por acreditar nas pessoas para conseguir o que desejava. Porém, além de ingenuamente subestimar Finch e não perceber o código básico (conhecido como “tap code”) deixado por este para Reese, Root também não contava com a obstinação de John em resgatar seu amigo, e assim terminou derrotada não só em seus objetivos, mas também pelo ponto de vista de Finch em relação aos seres humanos.
Do outro lado da história, ao contrário do ocorrido na Season Premiere, desta vez Carter teve grande destaque no episódio, cabendo a ela protagonizar o verdadeiro trabalho policial e eficientemente descobrir a real identidade de Root e, de quebra, solucionar o caso de desaparecimento de Hanna Frey. Já Fusco também provou sua importância mesmo à distância e, com a ajuda da única tecnologia utilizada no episódio (a clonagem de celular), teve papel fundamental ao auxiliar Reese a descobrir o paradeiro de Root.
Quanto a John, devido à boa ajuda recebida de seus parceiros policiais, suas principais participações ficaram a cargo das cenas de ação, pancadaria e até humor, pois desde que ligou seu modo “Bad Ass” no episódio anterior, as cenas de luta em que ele se envolve têm sido hilárias (só não tendo a menor graça para aqueles que o enfrentam). Além disso, vale destacar ainda a pequenina lição que Reese levou de Carter, que mostrou a ele que nem sempre é preciso sair dando sopapos em todo mundo para conseguir as informações que deseja.
Em relação a Root, é provável que ela desapareça por alguns episódios antes de voltar a atormentar a vida de John e, principalmente, Harold, porém ainda há muito que se revelar sobre a personagem. Root, ou melhor, Sam Groves, pode ter sido identificada, porém as motivações para seus atos estão longe de estarem claras. Sabemos que ela fugiu após o falecimento da mãe e que vingou o assassinato da amiga Hanna Frey, porém nenhum desses fatos parece ter relação com seu lado maligno, sendo que a própria frase dita por ela a Finch, zombando por ele cogitar que ela possa ter sido vítima de algum trauma de infância, indica que talvez nada de errado tenha acontecido a ela. Além disso, uma vez que o final do episódio revela que aos 12 anos ela já era um pequeno gênio da informática e já utilizava o codinome “Root”, pode-se imaginar que ou os fatos que a transformaram no que é hoje aconteceram bem antes do sequestro/assassinato de Hanna Frey ou então que ela simplesmente sempre teve essa personalidade.
Bad Code pode não ter sido tão espetacular quanto os últimos episódios que a série apresentou, mas de forma alguma deixou de ser muito bom, sabendo mais uma vez dosar ação, bons diálogos, suspense e humor, bem como aproveitar muito bem os personagens principais e secundários da série. Além disso, o episódio também fechou com eficiência o plot do desaparecimento de Finch, sendo que agora, com a dupla novamente reunida e Root se afastando por um período, será a hora de outros personagens que não aparecem há um tempinho (tais como Elias, Stanton, Snow e o agente Donnely) voltarem aos poucos a cruzar os caminhos de John e Harold.
Quem será o (a) primeiro (a)?
Observações:
– Bad Code honrou o costume da série de sempre acrescentar revelações importantes a sua mitologia, sendo que desta vez, além dos fatos sobre o passado de Root, o episódio ainda forneceu duas informações importantes sobre a Machine: sua possível localização (próxima a Salt Lake City, Utah) e também que ela só pode ser acessada fisicamente (isso se Finch tiver dito a verdade a Denton Weeks, o que eu tenho minhas dúvidas).
– Denton Weeks é mais um dos oito sabedores do segredo da Machine que terminam morrendo por causa dela e mais uma vítima de Root, sendo que a cada vez mais a hacker vai chegando perto de atingir seu objetivo. E a próxima vítima já está na mira: é Hersh, o capanga do misterioso homem do Comitê Especial.
– O livro “Flores para Algernon”, que Hanna Frey insiste que sua amiga Sam Groves leia, é um livro de ficção científica no qual um homem de baixo QI (Charlie Gordon) é submetido a uma cirurgia experimental para aumentar sua inteligência. A cirurgia havia sido testada com sucesso anteriormente em um rato chamado Algernon e também funciona em Charlie, triplicando seu QI.
– É impressão minha ou Root é tão fascinada pelo trabalho de Harold que chega a nutrir uma certa adoração (leia-se paixonite) por ele? Tive a nítida sensação de que ela ficou profundamente afetada quando Finch lhe disse que ela era pior que todos os outros bandidos.
– A única coisa que não caiu bem no episódio foi Root ter deixado uma pista no último livro enviado para a bibliotecária. Cuidadosa e meticulosa do jeito que a hacker é, não me parece ser algo que ela deixaria passar.
– Quem é que não tinha certeza que Reese iria deixar Bear aos cuidados de Lionel neste episódio e que isso seria muito engraçado? Totalmente previsível, mas simplesmente era uma oportunidade que não podia ser perdida!
– Um minuto de Reese e Finch juntos no QG da dupla e já tivemos um diálogo hilário! A temporada pode ter começado muito bem e a distância entre os personagens era necessária para a trama, contudo os diálogos entre John e Harold com certeza fizeram bastante falta.
– Pelo jeito a nova maneira de fazer a retrospectiva dos episódios anteriores, por meio de imagens da Machine, veio para ficar. É uma boa escolha dos produtores, a ideia é muito legal.
– Por outro lado a abertura do episódio parece ter sido deixada de lado. Se for para ganhar tempo de episódio também é uma ótima pedida (mas eu vou sentir falta de ver a cara do “número da semana”).
E para não perder o costume, lá vão as algumas frases de destaque que separei deste episódio:
“Uma dica, se alguém lhe oferecer pílulas para melhorar o desempenho masculino, não clique” (Reese para Fusco)
“Você é o homem que vendeu o mundo… para as pessoas erradas” (Root para Finch)
“Ei, Wall Street! Está perdido?” (Encrenqueiro do bar para Reese)
“O que aconteceu com você?” (Finch para Root)
“Comigo? Você acha que eu fui abusada? Algum trauma de infância…? Isso foi tão gentil.” (Root para Finch)
“Você é pior que Weeks, você é pior que todos eles. Eu prefiro morrer a lhe dar a Machine, então por favor, mate-me agora. Pelo menos eu não terei que ouvi-la mais.” (Finch para Root)
“Eu tenho uma política rigorosa sobre primeiras edições raras, denominada: não as coma!” (Finch, vendo Bear comer sua primeira edição de um livro de Isaac Asimov)
“Asimov. Ele tem um gosto caro. Tenho certeza de que vamos nos dar bem” (Finch, idem anterior)














