O fim do mundo está próximo em Homenagem Póstuma, e Perdidos no Espaço parece que finalmente levará os Robinson para o espaço.

Após o final do quinto episódio, com a descoberta misteriosa de Maureen a respeito do planeta em que ela e o restante dos sobreviventes da Reosolute estão, ficou bem óbvio que o fim está perto e com ele, a chance de finalmente ter a série de Perdidos no Espaço que tanto merecemos. Claro que para chegar lá ainda teremos que sobreviver a alguns percalços, afinal, a produção já deixou demonstrou que não pretende libertar a família até o último episódio da temporada, então vamos tentar fazer o melhor com o que nos foi apresentado, certo? Bom, gostaria que esta fosse a visão dos roteiristas, mas ainda existem problemas.

A família, apesar de já estar cada vez mais unida, permanece mais militar do que nunca. Com o robô revelado como culpado pelo ataque a Resolute, temos a primeira revolta entre os sobreviventes, com Ângela, a mulher que havia sido ajudada por Judy, levantando suas preocupações quanto a máquina alienígena. E é exatamente com Ângela que nasce o primeiro deslize cometido pela série. Até então uma mulher catatônica, o roteiro convenientemente a coloca como uma pessoa bem estável, precisando utilizar a Dra. Smith como ferramenta de manipulação. Obviamente o argumento dela é bem forte, mas a maneira que a deixamos a poucos dias e a forma que a série a reintroduziu pareceu bem forçada. Para dar um trabalho para Smith, devolveram totalmente a lucidez de Ângela, que antes haviam usado para criar tensão e mostrar as capacidades médicas da Judy.

Este, contudo, é muito mais um momento da Dra. Smith do que da Ângela propriamente dito. Com sua habilidade de manipulação e em cenas totalmente cruéis, Smith conduz Ângela até o ponto da quebra, a forçando a reviver seu trauma para depois recusar qualquer ajuda. É um momento totalmente doloroso, que coloca uma personagem fragilizada para agir, depois, como uma “vilã”. Até o momento, apesar de ter pintado o robô como ameaça desde o começo, quem figura como grande barreira para os Robinson e também os sobreviventes é Smith. É uma jogada bem mais pesada do que aquela apresentada na década de 60, já que de um cientista caricato e mal intencionado, Smith se transformou em uma mulher fria e calculista, com cada vez menos pontos de redenção.

Quem também fornece mais situações de conflito é Victor, o líder eleito da colônia a qual os Robinson fazem parte. Tudo é motivado pelo robô, mas a cena existe apenas para centralizar John como um líder, gerando confronto com Victor e apontando o pai de Vijay como possível força de oposição ao bem estar da família, especialmente porque Penny testemunhou a conversa entre o pai e mãe sobre o fim eminente da vida sustentável no planeta e obviamente, contou para Vijay, também explicando porque a série forçou o relacionamento entro os dois lá no começo.

Em uma missão interessante e que reitera que esta é uma série baseada nas Leis de Murphy, Judy, Victor, Don e mais alguns expedicionários vão até a Júpiter que trouxe o mecânico e a Dra. Smith para o planeta, em busca de combustível. E é quando Judy tenta convencer a mãe a não embarcar na missão e deixa-la ir, que a série mais uma vez mostra como é formal e pouco versada nas relações interpessoais de uma família “modelo”. Tudo é muito frio e formal, com Judy explicando sobre a perna da mãe, que ela não havia perguntado antes, em nenhum momento, apesar de ser médica. Contudo o abraço que ambas dividem já consegue mostrar um pouco mais de carinho e quebra desta parede intransponível que não permite que os Robinsons adultos se comportem como pais para seus filhos.

Veja como exemplo o relacionamento entre John e Will, e a absurda lição de forçar o garotinho a construir um memorial para as pessoas que foram mortas na Resolute por causa do robô do Will. Qual a lição que ele queria passar ali, para o filho? Que ele será o responsável por tudo o que o robô fizer depois? Bom, é um aprendizado que o garoto já mantinha desde o começo, especialmente quando considerou deixar o amigo dentro de uma caverna, mas não é o tipo de ensinamento que eu esperaria de um pai. Ao tentar criar um momento de conexão, a série criou foi uma cena bem bizarra e cruel. Cena que depois serve para justificar o Will mandando o seu amigo pular de cima de um penhasco, em outra construção que não faz sentido nenhum.

Com a missão de combustível fornecendo a tensão necessária e com Don encontrando a identidade do verdadeiro Dr. Smith, a série parece ter apontoado para o ritmo de final de temporada. Serão mais três episódios até a conclusão deste ano de estreia e Lost in Space precisa decidir o que quer fazer com sua família. Enquanto aponta laços mais calorosos e de carinho, ela acerta, mas este desenho precisa ser mais claro. Não estramos tratando de uma série em que todo mundo se conheceu no piloto e que os laços estão se desenvolvendo conforme as histórias são apresentadas. A origem dos Robinson deu seu pontapé inicial no nascimento da primeira filha, Judy. Contudo a origem da família Robinson continua bem tímida.  

REVISÃO GERAL
Nota:
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