Ações passadas, arrependimentos presentes.
De uma cena inicial contagiante e agitada de Amber, fomos cortados para uma silenciosa e melancólica de uma Julia sozinha, de uma Julia pensando na vida. O seu mundo perfeito começou a ruir em temporadas passadas quando seu amado e sólido emprego escorregou de suas mãos. Seu anseio por outro filho também teve um futuro promissor, mas acabou em mágoa e dor, e mais recentemente, a adoção de Victor passou por maus momentos, envolvendo inúmeros conflitos entre os dois. E eis que chegamos à temporada atual, e o seu alicerce, a base que a fez passar por todas as situações acima descritas começou a desmoronar. Os lados opostos em que ela e Joel se encontravam em relação a Victor continuar na mesma série ou não, agravou a delicada situação, entretanto, a pedra final que surgiu diante esse teto de vidro responde pelo nome de Ed. O outro.
Ele não chegou a se tornar amante de Julia, mas o pequeno flerte entre os dois foi o suficiente para Joel perder a confiança em sua esposa. Acredito que o que mais corroí Julia é saber que ela também estava se conectando com Ed em um nível acima do permitido para uma mulher casada. Para Joel acredito que saber que a sua esposa passou horas acompanhada por um aspirante ao seu lugar no matrimônio e que Julia estava ciente da intenção de Ed (nem que fosse mais ao final) e resolveu não contar isso a ele, o deixou ainda mais transtornado.
Daqui para frente veremos uma Julia em processo inicial de separação. Batia muito na tecla de que esses problemas conjugais eram apenas histórias para encher a temporada, entretanto, agora começo a acreditar em uma separação com maior tempo de duração, talvez uma Julia solteira temporada que vem (se tiver) seria muito interessante em se ver. Todavia, tenho quase 100% de certeza que no final, Julia e Joel voltarão a ser Julia e Joel (se os roteiristas forem avisados tempo o suficiente para encerrar a produção antes dos episódios finais já estarem gravados).
Não foi nada fácil para as mulheres Bravermans essa semana. Amber e Camille também abriram os seus corações, com um deles expondo uma ferida causada por Ryan e o outro que começou a inflar, se apegando em sonhos ainda não realizados. Camille retornou, e com ela um novo corte de cabelo. Já divando em seu novo visual (o óculos agregando também), vimos a família toda reunida! Que saudade vê-los todos juntos, e o que aconteceu com os jantares e comemorações tão comuns nas primeiras temporadas? Confesso que fiquei muito surpreso em saber que Camille pretende dar continuidade em suas viagens tão rápido, com França à vista já para abril próximo. Entendo como Zeek ficou chateado, mas deu para notar ele engolindo a sua “ranzinse” depois dos conselhos que o seu amigo de bar lanchonete deu. Estou torcendo por Camille, e feliz que ela vai ganhar o suficiente para poder viajar, que é o que ela deseja agora. Ir atrás de seus sonhos. Já Zeek…
A participação especial de John Corbett apenas rendeu umas cinco cenas, porém conseguiram prender a minha atenção, e fiquei surpreso em ver como o seu personagem amadureceu desde as suas primeiras participações. Sobriedade, pelo visto, se tornou um lema para ele e para falar a verdade, foi um alivio, pois creio que não aguentaríamos rever um Seth bêbado e malcriado. Amber, por outro lado, foi buscar em uma viagem respostas e reflexões sobre a atual situação de sua vida, mas diferentemente de Camille, Amber não tinha nada planejado quando pegou o carro e saiu porta afora.
Talvez seu subconsciente a tenha levado ao bar aonde Seth trabalha, mas sendo isso verdade ou não, já foi o suficiente para relembrarmos de uma Amber antiga, uma Amber rebelde. Em reviews anteriores apontei que estava com saudades de seus tempos de adolescência, e acredito que ela ficou muito certinha, quase se tornando uma substituta de Haddie nas últimas temporadas. Vimos que ela ainda tem muito ressentimento de seu pai, de sua conturbada infância e adolescência causada por ele, e nada mais normal que ela o culpe por seus fracassos na vida adulta, especialmente em relacionamentos com outros homens, por mais que não sejam culpa sua. Ah, e só eu notei, ou naquela cena em que Amber está tentando entrar em seu carro, totalmente bêbada, e Seth tentando saber o que estava acontecendo, ela ficou parecendo uma criança de cinco anos, ao lado do gigante John Corbett? Digamos que o tamanho do carro também não ajudou muito.
Já totalmente o oposto de sua irmã, Drew está feliz. Pode-se ver em seu rosto o quanto ele está curtindo esse momento. Ele está longe de todos os problemas que assolam a sua família, quase que recluso na universidade, e ainda mais com Amy dormindo todos os dias a apenas alguns centímetros dele. Enquanto Amy traz um clima mais pesado em cena, Natalie traz uma descontração, algo mais leve, e vejo em ambas pontos positivos. Não quero que esse triângulo amoroso se dissolva muito rapidamente, mas confesso estar ansioso para ver qual será o seu fim, apesar de já saber para quem estou torcendo.
Outra participação especial, o do ator Tom Amandes, o eterno Dr. Harold Abbot de Everwood, ocorreu depois de muito tempo, e Hank ficou cara a cara com a real possibilidade de ter Asperger. Gostei da maneira como o especialista tratou as dúvidas de Hank, em que não é possível em apenas um encontro diagnosticar algo tão sério, e em como apenas a partir de inúmeras consultas e testes que se é possível chegar a uma conclusão. Hank está preocupado com essa possibilidade, mas também está descobrindo que os anos de sofrimento em relações sociais que vivenciou não foram 100% sua culpa. Deve dar ao mesmo tempo medo e alívio. Dois sentimentos opostos que devem dar um nó até mesmo na cabeça da pessoa mais bem resolvida do planeta. Ah, e caso Crosby esteja lendo isso, nada legal querer deixar Hank fora do semanal jogo de pôquer, por mais difícil que seja ter uma interação com ele. Um pouco de paciência Adamdistíca para todos, meus caros.
Parenthood marcou 3.98 milhões de telespectadores e 1.2 na demo, empatando na liderança com uma reprise de Shark Tank. Elementary veio logo atrás, registrando 1.0 em sua também reprise.
P.S.: Humor afiado e negríssimo de Kristina e Adam querendo na surdina que Hank tenha Asperger, para assim, ficarem mais tranqüilo em relação ao futuro de Max.















