Os “proibidos” de ganhar um Oscar: filmes pesados, animações, blockbusters, filmes de gênero, filmes estrangeiros, filmes lançados no começo do ano…

Durante os últimos dias tive a oportunidade de assistir dois ótimos filmes que, embora inseridos dentro da competição para o Oscar 2016, são instantaneamente considerados azarões pelas suas características pouco apelativas para a Academia.

Esse drama ocorre todos os anos: filmes espetaculares surgem em meio a um ambiente pouco favorável para o Oscar e são tirados da competição. Outros acabam ficando sem publicidade. Alguns realmente tentam competir, mas são sempre superados pelo grupo de filmes mais tradicionais e apelativos à Academia. Infelizmente, o Oscar é importante demais para abraçar obras tão desafiadoras.

Isso ocorreu de forma progressiva. O tempo foi passando e a cerimônia anual no Dolby Theater começou a ganhar um status diferenciado. Sucesso no Oscar pode significar aumento de bilheteria, e já faz muito tempo que a divulgação de um filme na temporada de premiações é equivalente a uma campanha política. Ganha quem ficar mais exposto, agradar os votantes e atender às suas definições de um “bom filme”.

Não que a Academia nunca tenha tentado expandir seu escopo. Após anos e mais anos de queda em audiência e frustrações de fãs que viam seus filmes serem ultrapassados por horrores como Crash e The King’s Speech, a Academia resolveu democratizar-se. 10 indicados a Melhor Filme ao invés de 5. Vieram Avatar, District 9, Up, Inception, Toy Story 3…Ganhadores? Nenhum.

Depois de um tempo houve um encolhimento. Agora os indicados ainda podem chegar ao número 10, mas os votantes da Academia só votam em 5 filmes. Pense sempre nesse número quando fizer suas previsões do Oscar, e rapidamente notará que isso torna muito mais difícil a ascensão de títulos diferenciados.

Em 2015, entretanto, a pressão parece vir de todos os lados. O clamor por mais diversidade racial e sexual no Oscar vem desde o ano passado e continua até hoje. Sua força foi inclusive reconhecida pela Academia, que chamou Chris Rock para apresentar a cerimônia no ano que vem. Não se enganem: tem muito a ver com a cor da pele do comediante.

No lado dos filmes isso também acontece. Nesse verão tivemos dois fenômenos culturais que conquistaram a crítica e o público e correm grande risco de serem ignorados pelo Oscar. Mad Max: Fury Road e Inside Out ainda têm chances, a animação da Pixar tendo clara vantagem, mas nós estamos treinados a conter as expectativas para não ocorrer a decepção mais tarde. Star Wars chega no fim do ano com o potencial de quebrar todos os recordes de bilheteria imagináveis, e se o filme for bom tenham certeza que o clamor do público por reconhecimento será grande.

E não será apenas por alguns prêmios técnicos, talvez uma indicação por roteiro e em último caso, se a pressão for realmente irresistível, outra indicação a Melhor Filme. Estamos cansados disso, não estamos? Tudo ou nada caro Oscar, e chega de comer pelas beiradas.

Entretanto, isso é apenas desejo meu. Não espero que realmente ocorra. Normalmente nos damos por satisfeitos com uma indicação “simbólica” a Melhor Filme.

Ex Machina, It Follows, Son of Saul, Anomalisa, Trainwreck, Spy e outros tantos bons títulos fora do espectro do Oscar serão ignorados na hora de definir o vencedor, mesmo que por milagre eles sejam indicados. É uma campanha política no final das contas, e o denominador comum é aquele que sempre sai ganhando.

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O interessante é que os preconceitos do Oscar vão de um extremo ao outro da experiência dramatúrgica. Beasts of No Nation (Avaliação: ★★★★), por exemplo, nem de longe é um daqueles blockbusters que a Academia odeia premiar. Entretanto, o filme ocupa um extremo oposto tão visceral e brutal que o resultado acaba sendo o mesmo. Seja um filme de prestígio com temas importantes, diz o Oscar, mas não há necessidade de ser perturbador.

Há um motivo revoltante para isso: a janela de tempo na qual os membros da Academia votam é entre o Natal e o Ano Novo. Estamos aqui falando dos maiores nomes de Hollywood, e todos passam o ano inteiro ocupados fazendo seus filmes. Quando chega esse período de tempo de mais ou menos uma semana, o votante vê um punhado de filmes. Normalmente são aqueles que estão em mais evidência, ou seja, que receberam a melhor campanha durante os meses que antecedem as votações. Além disso, e aqui está a parte importante para Beasts of No Nation, estamos falando de uma época do ano em que as famílias se reúnem para celebrar o Natal e o Ano Novo. Será que eles assistirão Beasts of No Nation ou, digamos, The Theory of Everything? Qual a programação mais adequada para um momento de festas e reunião familiar?

Assim, a indústria se adapta aos desejos dos votantes e as obras realmente desafiadoras são excluídas da premiação. Em relação à Beasts existe outro fator, um pouco mais tenebroso, e sua importância me foi revelada enquanto eu assistia o filme.

Há um momento na obra de Fukunaga quando Agu e seus companheiros mirins, fortemente armados, encontram alguns carros que parecem ser da ONU passando pela estrada. Dentro de um dos veículos é possível vislumbrar duas pessoas brancas. Elas olham espantadas para o exército de crianças na sua frente, e nesse momento eu percebi o que há de tão especial em Beasts of No Nation. Nós poderíamos facilmente ter acompanhado essa mesma história através do ponto de vista de americanos brancos. Com duas estrelas de Hollywood no elenco o filme provavelmente teria conseguido distribuição em algum dos grandes estúdios e seria imediatamente considerado um competidor mais forte ao Oscar.

Só que essa não é a proposta de Beasts. Essa não é mais uma história sobre um protagonista branco disfarçada de outra coisa. Temos aqui um ponto de vista original e genuíno com a presença de Agu, e sua história é narrada sem qualquer censura ou suavização.

Beasts of No Nation não foi para mim uma daquelas experiência de explodir cérebros que impressiona imediatamente. O filme me atingiu mais após o seu final do que durante sua exibição. A violência explícita existe e o longa é tão brutal quanto noticiado anteriormente, mas esse peso vem tanto de aspectos físicos como psicológicos. Nesse último ponto é que a presença de Idris Elba se constitui em aspecto vital para o funcionamento do filme. Seu poder de influência sobre os garotos, suas promessas de glória e seu amor enganoso pelos meninos é tão doloroso de se ver quanto o abuso físico que os mesmos sofrem e fazem outros sofrer. Elba não é aquele estereótipo de vilão desenvolto e espalhafatoso que foi dominado por Christoph Waltz. Seu personagem vai a lugares inesperados e seu arco tem independência em relação ao claro protagonista da história.

Esse protagonista é Abraham Attah, cujo trabalho no filme é inacreditável. O garoto carrega a narrativa do começo ao fim, dominando inclusive um complicadíssimo plano sequência de ação combinada com peso dramático, e o fato de que ele nunca havia atuado antes é espantoso.

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The Martian vive no lado oposto de Beasts of No Nation, sendo o filme mais divertido que assisti esse ano desde o absurdamente hilário What We Do In The Shadows (cujo diretor entrará no MCU dirigindo o próximo filme do Thor). Curiosamente, tanto os filmes de Ridley Scott como de Cary Fukunaga compartilham a dificuldade em entrar no Oscar esse ano.

No caso de The Martian (Avaliação: ★★★★) as possibilidades são relativamente mais altas. Gravity já estabeleceu um precedente em 2013 e esse projeto de Scott é simplesmente irresistível. Com um clima bem-humorado e otimista que no panorama cinematográfico atual é um sopro de ar fresco, o filme nos engaja com a situação de Matt Damon desde o início e apresenta de forma inteligível toda a miríade de problemas e soluções que envolvem uma viagem espacial. Em alguns poucos momentos o filme pesa na explicação e no humor, mas isso é compensado por uma das piadas nerd mais espetaculares que já vi esse ano: o que é um Elrond?

Talvez o ponto de maior divergência seja na forma como o filme lida com o perigo e o tom sombrio que necessariamente existiria se uma pessoa fosse abandonada em um planeta deserto. Damon interpreta seu personagem com um otimismo e carisma inabaláveis, e o senso de perigo no longa não é muito grande. Mesmo assim Scott mantém alguns momentos chaves que conferem peso dramático à trama, e o ator principal entrega tudo de forma perfeita.

Meu elemento favorito do filme em última instância acaba sendo seu espírito visionário e explorador. A ciência aqui é uma ferramenta inabalável para a solução de qualquer problema, e sua aplicação consegue até quebrar barreiras internacionais. Não importa quais as dificuldades enfrentadas, o importante é tentar novamente até dar certo.

O Gotham Awards 

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Saíram os indicados à primeira premiação importante da temporada do Oscar: o Gotham Awards. Os indicados aqui normalmente são inesperados, já que o evento reconhece o cinema alternativo americano e as escolhas são feitas por um pequeno comitê sem representatividade de massa. Assim sendo, não encare os filmes listados a seguir como favoritos no Oscar ou algo do tipo. O Gotham é importante principalmente por dar holofotes a filmes pequenos (eu inclusive adicionei 3 filmes à minha watchlist depois que a lista foi divulgada).

Melhor Filme: Carol, The Diary of a Teenage Girl, Heaven Knows What, Spotlight, Tangerine.

Comentei sobre Heaven Knows What anteriormente, um filme sobre viciados em drogas que se destaca dos outros por sua pegada estilística e envolvente. Recomendo.

Diretor em Ascensão: Desiree Akhavan por Appropriate Behavior, Jonas Carpigano por Mediterranea, Marielle Heller por The Diary of a Teenage Girl, John Magary por The Mend e Josh Mond por James White.

Por enquanto assisti apenas Appropriate Behavior, certamente uma das piores experiências que tive em 2015.

Melhor Roteiro: Carol, The Diary of a Teenage Girl, Love & Mercy, Spotlight e While We’re Young.

Curioso ver que Noah Baumbach teve outro filme esse ano, com maior aceitação da crítica até (Mistress America), que foi deixado de lado em favor de While We’re Young. Bom filme, mas nada digno de prêmios.

Melhor Ator: Christopher Abbott por James White, Kevin Corrigan por Results, Paul Dano por Love & Mercy, Peter Sarsgaard por Experimenter e Michael Shannon por 99 Homes

Assisti Results um dia antes do anúncio dos prêmios, e não gostei nada do que vi. Filme totalmente sem carisma e personagens interessantes. Paul Dano merece o reconhecimento (ele receberá campanha como coadjuvante em todas as premiações), mas o restante dos nomes me interessa em igual medida e já receberam muitos elogios da crítica. Quero assistir tudo.

Melhor Atriz: Cate Blanchett por Carol, Blythe Danner por I’ll See You In My Dreams, Brie Larson por Room, Bel Powley por The Diary of a Teenage Girl, Lily Tomlin por Grandma e Kristen Wiig por Welcome to Me.

Merecidíssima indicação para Danner. Nuncia tinha ouvido falar do filme de Wiig, mas a premissa é muito interessante: uma mulher vence na loteria e compra seu próprio talk show.

Ator/Atriz em Ascensão: Rory Culkin por Gabriel, Arielle Holmes por Heaven Knows What, Lola Kirke por Mistress America, Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor por Tangerine.

Indicação merecidíssima de Holmes, embora eu não possa deixar de me sentir triste por Shameik Moore em Dope (review do filme logo abaixo). Curiosidade: Rory Culkin é irmão de Macauley Culkin.

Um prêmio especial também será entregado a Spotlight em honra ao elenco do filme.

Atualizações

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Men & Chicken é muito mais do que uma curiosidade para Fannibals que sentem saudade do genial Mads Mikkelsen. O filme narra a história de dois irmãos que descobrem, após a morte de seu pai de criação, que sua família biológica é outra e mora em uma mansão dilapidada em um canto obscuro da Dinamarca. Lá eles descobrem mais três irmãos, e rapidamente fica óbvio que eles são estranhamente parecidos (todos possuem lábio leporino) e decididamente esquisitos. O longa de Anders Thomas Jensen, costumeiro roteirista dos filmes de Susanne Bier, emprega um humor negro e incomum que é divertidíssimo e certeiro. Cada personagem possui uma mania ou excentricidade inédita, e o diretor explora de forma surpreendentemente tocante o laço que une irmãos tão disfuncionais. Men & Chicken é antes de tudo hilário e deliciosamente esquisito, mas a guinada que o filme dá em seu último ato reconfigura tudo e transforma o longa em um clássico moderno com uma mensagem quase política que é impressionante. Antes disso temos uma dinâmica familiar perversa que lembra o fabuloso Dogtooth, com Mikkelsen e outros quatro atores entregando-se a seus papéis esdrúxulos e hipnóticos. Por enquanto meu filme favorito de 2016: o filme só chega nos EUA ano que vem, então esperem uma boa publicidade em virtude da presença de Hannibal Lecter. Avaliação: ★★★★½

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Mr. Holmes é o novo filme de Bill Condon (Gods and Monsters, Dreamgirls e, inexplicavelmente, os dois últimos filmes da saga Crepúsculo) que imagina um Sherlock Homes idoso e senil tentando lembrar-se do último caso de sua carreira. Sir Ian McKellen interpreta o personagem em dois momentos de sua vida, e a experiência fantástica do ator combinada com um trabalho minucioso de maquiagem criam um Sherlock totalmente diferente do que já vimos antes. O caso em si não é importante pela sua resolução, e o filme (adaptado de um livro que não foi escrito por Conan Doyle) é rápido em desconstruir os clichês que envolvem o personagem. O foco é mais emocional do que investigativo, e essa aproximação mais terna e menos procedural da obra de Doyle é genuinamente fantástica. Laura Linney se destaca no elenco de apoio, além do garoto Milo Parker que constantemente contracena com McKellen e é um dos pilares de apoio do filme. Entretanto, o filme é de seu protagonista. Mr. Holmes constitui uma prazerosa sessão de cinema com um imã (ou no caso um Magneto?) em seu centro que nunca deixa de encantar ao, no mesmo filme, interpretar uma versão mais velha e mais nova de si mesmo. Avaliação: ★★★½

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Dope é outro título de Sundance que, marginalmente, atende aos estereótipos do filme “indie” que sempre passa por esse festival. Entretanto, esse projeto de Rick Famuyiwa tem muito mais originalidade do que, digamos, Me and Earl & the Dying Girl. Centrado no protagonista interpretado por Shameik Moore (uma verdadeira revelação que me deixou encantado) o longa mostra a vida de três amigos geeks e viciados na cultura do hip hop dos anos 90 que não se encaixam na violenta vizinhança de Inglewood, Los Angeles. Eles acabam indo para uma festa errada e se envolvendo com um dos traficantes locais, e o que se segue é um festival de acontecimentos bizarros. Famuyiwa imprime um estilo espalhafatoso e original em seu projeto, misturando momentos de humor histérico, drama social e discurso político. Às vezes o filme pesa demais nessas características, mas a atuação carismática e genuína de Moore carrega tudo com facilidade. Dope é extremamente divertido, além de contar com uma trilha sonora divina para fãs de hip hop. Um dos melhores títulos de Sundance em 2015. Avaliação: ★★★★

– Temos um novo trailer para Joy! Será que este é o ano de David O. Russell?

Trailer legendado: 

– Tivemos na última semana a primeira exibição de The Big Short, o filme da Paramount que caiu de paraquedas na disputa do Oscar 2016 com Christian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell e Brad Pitt no elenco. Surpreendentemente (pelo menos pra mim) a reação foi muito boa, com quase todos os presentes dando destaque à atuação de Carell. Temos um novo competidor em nossas mãos, como se essa competição já não estivesse lotada o suficiente.

– Um dos maiores flops dessa temporada, a biografia de Hank Williams intitulada I Saw the Light teve seu lançamento adiado para 2016. Ou seja, o filme de Tom Hiddleston e Elizabeth Olsen está oficialmente fora do Oscar, embora isso já estivesse confirmado anteriormente em virtude das péssimas reviews.

Nos Cinemas

Quatro filmes importantes estrearam no final de semana de 16 a 18 de outubro. Os resultados foram diversos.

Bridge of Spies (81 MC/92% RT) abriu com 15 milhões, um resultado “ok”. Mesmo assim, espera-se que o filme tenha real sucesso a longo prazo. A parte mais positiva para o filme, entretanto, são as ótimas reviews. Não considero esse novo projeto de Spielberg como um frontrunner, mas aposto seguramente em uma indicação a Melhor Filme.

Room (83 MC/95% RT) teve um ótimo lançamento em circuito limitado com 118 mil dólares em apenas 4 cinemas. O filme irá expandir progressivamente, e tudo parece estar nos eixos para que a A24 faça sua estreia no Oscar 2016.

Já o resultado de Truth (70 MC/67% RT) não foi tão positivo. Foram 66 mil dólares em 6 cinemas (apenas comparem com Room), além de o filme estar enfrentando uma polêmica envolvendo a história real que é o centro de sua narrativa. Segundo alguns o filme estrelado por Cate Blanchett conta apenas um lado da história e deixa de fora fatos importantes para transformar a protagonista em uma mártir. Não tenho conhecimento de causa, mas parece que não é só nisso que o filme falha: as reviews, como vocês puderam ver acima, não estão muito boas. Será que agora o caminho está desimpedido para Blanchett ser indicada por Carol?

Por último, o lançamento mais curioso da semana. Beasts of No Nation (79 MC/95% RT) teve um lançamento limitado cujo objetivo principal nem sequer é fazer dinheiro, mas sim qualificar-se para o Oscar. O resultado não impressionou. Minto, o resultado foi horrível: 51 mil dólares em 31 cinemas (novamente, comparem com os números de Room e Truth acinma). A Netflix parece não se importar e diz que está satisfeita com o resultado do filme em streaming. Como eles não liberam seus números de audiência, só nos resta chupar o dedo.

Previsões do Oscar

Melhor Filme Melhor Diretor Melhor Roteiro Original

Melhor Roteiro Adaptado Melhor Ator Melhor Atriz

Melhor Ator Coadjuvante Melhor Atriz Coadjuvante  

Melhor Animação Melhor Cinematografia Melhor Trilha Sonora Original

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