Um episódio sem flashback, e o que parecia ser uma marca dentro de OITNB, é deixado de lado para tratar de um tema bem mais complexo. Será que realmente temos escolhas?

Vamos ao recap

Piece of Shit foi um episódio centrado na Nick. Enviada para a max por causa da presepada do Luschek e um pacote de drogas que juntos pensavam lucrar, mas deu errado (e como não lembrar da Angie cheiradona da temporada passada e rindo muito com isso?). A culpa foi toda colocada nela. Que por vir com um histórico pesado de usuária de drogas, qualquer defesa sua, não teria nenhuma valia. O tempo passa, reconstruída ali dentro, ganha a sua moeda da vitória do “AA” após meses e meses de luta contra o vício.

Feliz, sóbria, longe de problemas (ou alguém esqueceu do seu flashback?), só podíamos esperar o melhor da detenta. Agora trabalhando como zeladora, numa limpeza do SHU, ela reencontra Sophia, que desesperadamente lhe pede um cobertor. Compadecida com que viu, diz que não poderia ajudá-la, que caso fizesse isso, as duas teriam problemas. E Sophia, esperta, abusando do emocional da Nick, ganha uma revista (Newsweek com Hillary Clinton na capa).

Nós duas sabemos o que acontece quando se fica louca aqui né.

– Sophia

O que parecia aparentemente bom, vira um pesadelo. Lushckek ao chegar na penitenciária se depara com várias cartas para ele com dizeres maldosos da Nick. Ele fica possesso com isso. De volta a Max, quem reaparece? Stella. Nick sentada ao seu lado, se depara com uma guarda jogando um papelote para sua colega. Pobre Nick. Ela tinha que enfrentar essa provação, e o pior estava por vir. Ao ir novamente na sala de Sophia, ela se depara com a cela toda suja de sangue com folhas de papel espalhadas pelo chão, que fatidicamente foi usado para se cortar e ter o seu passe livre dali. Será que realmente depois disso e do mal-uso da bondade do Luscheck, ela vai cair na tentação de se drogar depois de tanto tempo igual visto nas cenas finais?

No núcleo mal empoderado, Piper continua com sua missão suicida de ser a Darth Vader de Litchfield. E Maria Ruiz resolve se tornar a Pablo Escobar da Prisão. Também pudera, depois do que Piper fez com sua “polícia branca do bem” plantando calcinhas na cama da Ruiz, a pena dela é aumentada. O que se passou na cabeça dessa menina para agir desta forma? Ser forte não é isso. E diante de tudo que aconteceu ali, só podemos esperar a Piper e a sua Estrela da Morte, sendo explodidas dentro da cadeia, que vai ser merecido. Vause cada vez mais certa.

Aqui não tem bolinho

<< Fico gratificado quando vejo nos comentários pessoas percebendo que a série realmente está muito pesada humanamente falando. Por um lado, é bom, denota que ela ganhou maturidade, por outro é ruim, por chocar as pessoas. Que convenhamos, nem todo mundo está disposto a mergulhar nos dramas da vida. É um direito do indivíduo só querer diversão e não ficar pensando se um episódio qualquer de seriado tem algo a dizer sobre isso ou aquilo para a realidade que vivemos. >>

Gente, como não pensar que o Luscheck representa o pior que um homem branco americano pode ser? Que conselho foi aquele para o Randy que ele não deveria causar uma primeira impressão no primeiro dia de trabalho? E ainda chegar chapado? É justamente ali, que encontramos o plot central dessa história, a ESCOLHA sobre o que fazemos na vida.

E tem como não se maravilhar e se espantar com a fala da King:

Você é um homem branco hétero. Você não é a vítima meu bem.

– King

Se depois disso, ainda tem quem queira assistir esta temporada sem algum nível de reflexão (ainda é um direito, eu sei), depois deste episódio, impossível não pensar sobre tudo que OITNB está abordando.

Quem você acha que eu sou? Uma vovozinha negra tricotando numa varanda em Savanna?

– King

A impressão que eu tenho, é que OITNB nesta temporada está sambando na cara da cultura e da política americana.

Depois de ouvir as duas falas, lembrei do período eleitoral deles neste momento nos EUA, como também, do livro A revolta de Atlas (1957, escrito pela filósofa Ayn Rand), um dos livros mais lidos depois da Bíblia nos Estados Unidos. O livro tem como tema a liberdade de expressão, o individualismo, o livre mercado, a iniciativa privada e o papel do Estado como um todo na vida das pessoas (e ainda tem gente querendo viver essa doce ilusão, 1984 manda um oi).

Particularmente, foi muito bom ver a série discutindo o “privilégio branco” americano. Do sentimento de culpa do Luscheck, até a King dizer que tem dinheiro e poder, o que temos também, é a série querendo mostrar que seja ali em Litchfield ou fora dela “a maior felicidade possível, compartilhada pelo maior número possível de pessoas” é um bom caminho, ou seja, outro lema encrustado na vida americana, que somada as falas do Caputo após ler o livro do Kip Carnigan (ReWarden Yoursel), não sei se no momento pensaria outra coisa, se não, que a crítica pesada a este modo de ser americano, não é tão gratuito como alguns imaginam que seja.

Quando Caputo estava discutindo uma melhor realidade dentro do presídio com a Linda, e logo depois ao ver o artesanato feito por Pennsatucky, e enfaticamente dizendo que “estuda que melhora”, não posso pensar em outra ilusão de mercado criado pelo estado em nossas vidas. Concordo com Doggett, que cabeça vazia é oficina do ilusório diabo, mas crer que o papel do homem se resume a “dar o peixe e ensinar a pescar”, é de uma utopia transloucada.

O homem aprende a usar a mão, a ter uso de sua força motora, a pensar não como um objeto social, mas como um agente em transformação em sociedade, e depois disso, não tendo como por isso em prática, o “Estuda que melhora” seja dentro de Licthfield ou aqui fora, não é bem a realidade que as pessoas vivem no dia a dia delas. E o que podemos esperar? Lutas de classe, de gênero, do direito de explorar o outro, etc. E olha que nem entrei na conversa do Piscatella com Bayley sobre a Teoria da Janelas Quebradas que o americano adora. Que certos componentes da polícia militar brasileira também fazem uso, e usam isso como solução social. O utilitarismo pragmático americano pode até ser uma ilusão necessária, mas só a curto prazo, a longo, é só olhar o mundo a nossa volta (e Litchfield) para perceber que a realidade é bem outra.

Depois de pensar, vamos tomar chá

Tem como não amar OITNB? É tudo tão AMO muito tudo isso do McDonald’s com seus brinquedos do Mclanche feliz, que já quero para ontem colecionar as detentas em toy art, risos. Vamos aos espaços de cela:

Cellpadding 1 – Alison treteira mor, quero o seu flashback NETFLIX? Quando a muçulmana começou a falar do livro Prisão da Fé (Cientologia, Celebridades e Hollywood), na hora pensei na Cientologia em São Paulo. Sim, você amantes de séries, filmes e desenhos que adoram zombar a religião do L. Ron Hubbard, você pode ter o seu momento celebridade visitando a unidade da cientologia no Brasil e dar uma de Tom Cruise às avessas. Eu já fui numa reunião e me senti o máximo! Risos. Bernie Madoff e Hubbard como Tupac? Hahaha, a zoeira alcançando o além do espaço imaginado. Muito bom.

Cellpadding 2 – Esta temporada tá muito cachorra, já tivemos a King Shiba inu e agora o bonitinho do Baxter comparado a “cachorro” de desenho animado, hahaha, quero aqui em casa, au au au. “Meu pai curte cachorro…” by Baxter Bayley… hahaha, rindo muito.

Cellpadding 3 – Black Cindy, Crazy Eyes e Taystee discutindo sua aposentadoria com fotos tiradas de Litchfield para vender para revista de fofocas, já entrou para o top 10 da galeria do riso de OITNB.

Cellpadding 4 – Quando eu li a dententa do espaço de cela da Piper lendo “Como parar de se preocupar e começar a viver?” de Dale Carnegie, nunca ri tanto… Um dos lemas do livro é “Aprenda a reverter críticas negativas a seu favor”. O americano pira com isso, lol. E calcinhas sendo vendidas para os chineses por 700 dólares? Aloha!

Cellpadding 5 – Se você nunca assistiu o clássico citado por Nick, “Um Bonde Chamado Desejo”, peça ajuda ao bom velhinho Paul Torrent que conhece tudo de filmes, livros e peças antigas, ele sabe tudo! Oh desejos nossos desejos… Boa Nick.

Cellpadding 6 – Coates se mostrando mais humanos que Luscheck com o corte na mão da Gina foi bom de se ver. Ele zoando seu colega de trabalho que deveria tá jogando com o time feminino de futebol (esse sim bom), foi melhor ainda.

Cellpadding 7 – King como Madre Teresa de Litchfield Abençoadora de Vagens em matéria de revista de fofoca? É padrão jornal Extra do Rio, sensacional, risos.

Cellpadding 8 – Também concordo meninas (Poussey e Soso), que o desejo de ter o outro gere: “E talvez meu coração se parta em mil pedacinhos”, mas não um empecilho para amar e deixar ser amado e sempre poder dizer “eu também te amo”.

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Fayez Knon
Professor, e nas outras horas viciado em séries (um série maníacos, rsrs). Sempre assisti mais séries do que filmes, e isso desde criança. Gosto de TV Shows desde uma comédia a um drama ou do suspense a uma ficção científica. Se a trama é boa, vale o meu momento assistindo.