Entre galinhas e periquitas.

Spoilers Abaixo:

Viver em reclusão é uma experiência que testa os limites de qualquer ser humano. A nova série da Netflix entendeu muito bem essa sensação e tem conseguido nos mostrar como funciona essa dinâmica através de várias metáforas, como o almoço da Red, a chave de fenda, e, no quinto episódio, uma penosa. Além disso, Chickening representa uma virada de página na estrutura da temporada, que produziu quatro episódios focados em Piper e mais um personagem e agora resolveu expandir seu leque de personagens em destaque.

A mudança mais gritante que eu senti nesse episódio em relação aos anteriores foi a estrutura da narração. Enquanto os quatro primeiros dedicavam a maior parte do tempo entre Piper e a personagem da vez (Red, Sophia, Claudette) de forma equilibrada, Chickening preferiu colocar Dayanara em segundo plano e desenvolver os plots da prisão, inserindo novas personagens à trama e comprometendo o andamento de uma temporada que prometia uma linguagem concisa e dinâmica.

Além de acompanhar o processo de Daya até a prisão, outros arcos foram introduzidos e desenvolvidos nesse episódio. Bem como Pennsatucky e a destruição da capela, Sophia e a busca por hormônios, e a bendita da galinha, que gerou um baita bafafá na cadeia toda. Isso não seria algo ruim se a série tivesse trazendo essa linguagem desde o piloto. Acontece que esse tipo de mudança, que provavelmente serviu para sustentar a quantidade enorme de novos personagens, acaba parecendo mais uma saída fácil ao invés de uma consequência natural do andamento da história.

No flashback, que contou a trajetória de Dayanara até a prisão, essa quebra de estrutura se refletiu de uma forma positiva. Nesse caso, quando eu falo de “estrutura”, refiro-me à família em que a personagem foi criada. Por isso, mesmo que eu ache uma má ideia reformular a linguagem da série, esse foi o momento mais adequado para tal ação. Daya representa em OITNB justamente essa carência de uma base familiar que é de suma importância para a formação do caráter. Sua mãe, que não tem o menor escrúpulo até mesmo quando se trata dos filhos, construiu em Daya um confuso mix de mau exemplo com responsabilidade, pois a personagem precisa se virar sozinha para criar os irmãos mesmo sem ter a menor ideia do que é certo e errado.

No núcleo de Piper, que fica nesse chove-não-molha com a Alex, ficou bem evidente que vai rolar uma faísca entre elas, e essa faísca vai culminar em um “momento verdade”, onde a Piper vai descobrir que tanto ela quanto Larry mentiram sobre a mesma história, resultando em Piper sozinha tendo que enfrentar as adversidades da prisão. Mas foi um arco necessário, pois envolve toda a trama principal da série, que é a ida de Chapman para a prisão.

No final das contas, Chickening é um episódio que se resume a quebra de estruturas. Isso é representado através de Daya, dentro de seu drama particular antes de ser condenada, e da própria galinha, pois sua presença (por mais questionável que seja) gera todo tipo de reação entre as encarceradas. E foi justamente toda essa badalação da penosa que permitiu ao episódio distribuir o foco para mais arcos narrativos.

PS: Piper acorda maquiada e vai dormir maquiada. Há tempos queria falar isso, mas sempre esqueço.

Artigo anteriorGlee | Executivo da FOX afirma provável fim da série após a 6ª temporada
Próximo artigo[Flashback] Friends – 9×18: The One with the Lottery