Chegou a hora de acelerar a trama de Once Upon a Time.

É sempre a mesma história, não tem jeito. Assim que a série começa a se aproximar do final de sua temporada, todas as pontas soltas, arcos não concluídos e assuntos inacabados, começam a receber uma finalização. Ainda existem aqueles que se afastam da regra, como por exemplo Mérida e Camelot, mas a assinatura de Once Upon a Time permanece igual. Firebird posiciona-se como um episódio que trabalha exaustivamente para fechar cada ponta solta que deixou desde que enviou seus personagens principais para o Submundo. Só que no final, os assuntos inacabados da série permanecem como o livro deixado por Henry, com todas as respostas necessárias, mas escondido por trás de muito trabalho.

Dentro da série, baseada em um apanhado de contos de fadas e filmes adaptados pela Walt Disney Pictures, sempre foram explorados conceitos primordiais para cada fábula já escrita: a moral. Este aprendizado, porém, vem carregado de conceitos que muitas vezes não casam com a trajetória dos personagens apresentados, como confiança, amor verdadeiro, fé. O tema escolhido para o vigésimo episódio da quinta temporada foi a confiança. É preciso confiar e seguir em frente, independente do que ficou para trás.

Por esse exato motivo, entregar mais uma reconexão com o passado de Emma foi muito bom para a trama. Gosto de ter mais do passado da personagem, especialmente porque é o tipo de ambientação que passa mais sentimento do que a utilizada no presente. Dark Swan foi um martírio. Ter Emma sem nenhum peso da magia, sofrendo problemas comuns e lutando apenas para descobrir mais de si mesma, é um agrado após tanto sofrimento. Também é bom porque nos dá um dimensionamento maior a respeito da personalidade dela, além de criar laços e complementar seu relacionamento com Hook. É um tipo de aprofundamento necessário, mas que soa um pouco enganoso quando pensamos no retorno do personagem. A despedida perde um pouco sua força, porque não soa verdadeira, algo que nega o avanço da personagem.

O que Once Upon a Time faz de melhor é construir sua história com base no sentimentalismo. Foi exatamente o que os roteiristas fizeram no episódio passado, ao entregar um flashback com a sofrida história de Zelena, e novamente foi o que aconteceu ao utilizarem como âncora do sentimentalismo a jaqueta de Emma e o relacionamento conturbado com a própria história, ou falta dela. Só que mesmo ao utilizar todo o sentimentalismo, trazendo o telespectador de volta para o aspecto mais interessante da série, ainda é latente a grande exposição de problemas dentro do roteiro.

Um dos piores erros da série, após as saídas fáceis do texto, é a banalização do significado da morte. Criaram uma temporada inteira para demonstrar que na maioria dos casos ninguém está dando a mínima para quem morre, ou desenhando uma história que represente a partida como algo definitivo. Tivemos a do Neal lá atrás, mas tudo caiu como uma comodidade muito grande, movimentando alguns lados da trama, mas não definindo o curso da história. Não faz muito sentido ter o desfecho desta temporada com a morte derradeira do Hook. E a culpa é de quem cuida criativamente da produção. O pirata deu a vida, em Camelot, e poderia ter morrido como um herói, aprofundando a nossa conexão sentimental com Emma e explorando um lado que Once Upon a Time ainda tem medo de fazer: o definitivo. Ao contrário, optaram por transformá-lo em um Dark One, barrando sua posição de redenção, assim como fizeram com Rumpels. Depois enviam para o submundo e agora simplesmente decidem deixa-lo lá. Não existe recompensa nenhuma, apenas enrolação.

Quem também caí na mesma armadilha é Rumpel, outro personagem que já está datado, apesar de continuar sendo um show à parte, graças a Robert Carlyle. Sua interação com o pai, Peter Pan, foi extremamente desajeitada, não acrescentou absolutamente nada para a trama e eu ainda não consegui compreender a necessidade em trazê-lo de volta. Aceitar que Hades e Zelena podem dividir um beijo de amor verdadeiro, mas ele e Belle não, também é pedir muito do telespectador. Um casal que teve anos e agora tem um filho como bagagem não pode ser algo tradado de maneira leviana, não a este ponto. Se Zelena e Hades podem romper uma maldição após um encontro de uma semana, não existe nada ali que impeça a Belle de acordar após o seu beijo. Mágoa então é algo que nega a magia mais poderosa do mundo? Ou Belle se decepcionou tanto que simplesmente deixou de amar o marido? Analisando friamente, é possível. Trabalhando a temática através da ótica de uma série que perdoou Cora e a mandou para o “paraíso”? Não mesmo. Esse tipo de tratamento novamente expõe a falta de vontade que a série tem em fazer seus personagens evoluírem. Ou pelo menos apresentar algo definitivo – aquela boa e velha palavra. Especialmente porque nós sabemos que mais tarde tudo se resolverá.

Firebird continua uma leva de bons episódios para série, mas não o suficiente para apagar o que permanece como um dos seus piores deslizes, a morosidade. Estou sim ansioso para que o fim deste arco chegue, mas os motivos não denotam a vontade de ver o embate entre mocinhos e vilões, ou o retorno do Hook. Quero que tudo termine para ter um sentimento de conclusão, de finalização de um arco que tinha tudo para ser interessante, mas que permanecerá para sempre como um grande assunto inacabado, digno de um banho no rio do esquecimento. Once Upon a Time tem força, quando quer. Sabe desenvolver seus personagens, quando precisa. E consegue entregar um roteiro ágil, mas apenas quando está próxima do final de sua temporada. É injusto, mas finais felizes nunca estiveram em liquidação. Não é mesmo?

PS. Agora só falta fazer um flashback para recontar a história da peruca da Snow. E então finalmente até os objetos da série já terão conseguido mais destaque do que alguns personagens.

PS². Eu nem lembrava que tinha anão morto. Que susto.

PS³. Simplesmente amo a caracterização da Emma Caulfield como Bruxa Cega. Típica mulher que depende de remédios o dia todo para funcionar.

PS4. Anteriormente em Once Upon a Time… e o povo de Camelot continua fazendo suas necessidades na floresta.

PS5. “Apenas um coração cheio de amor poderá passar” – Hook pensa que me engana, eu sei o que verdadeiramente estava escrito ali – “Bate coxa do Hades, vire a esquerda”.

PS6. O rio das almas sentirá saudades dos heróis de Storybrooke. Até a chegada deles ninguém realmente morria no submundo. Ah, esses heróis…

PS7. Ninguém lembrou da Belle e do bebê na hora de ir embora. Vai ser o chá de bebê mais torta de climão do mundo. Falsianes!

PS8.  Aquele momento constrangedor em que você beija sua esposa e ela não acorda magicamente, porque obviamente ela não te ama de verdade. Doutor Grilo vai fazer uma penca de dinheiro com o casal Dark One.

PS9. Matem o Robin, por favor. Não é por mim. Pensem nas crianças.

PS10. Coração da Emma é vermelho. #NãoVaiTerGolpe. Mas ela matou a Cruella. #VaiTerGolpeSim

Artigo anteriorFear the Walking Dead 2×04: Blood in the Streets
Próximo artigoOrphan Black 4×03: The Stigmata of Progress